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No episódio anterior lancei-me ao Grok Bot, a plataforma de agentes do Elon Musk. Neste, levo-o para o campo dos adultos: o contexto real de uma empresa. Criei o Plutus, um gestor financeiro de IA para a WhiteFlow, uma das minhas empresas, em menos de 20 minutos.
Liguei-o ao Basecamp, onde a equipa já trabalha, e ao ficheiro da conciliação bancária. Ele analisou 2 anos de rúbricas, propôs uma categorização com famílias e regras próprias, organizou 519 movimentos e mantém tudo atualizado diariamente, sozinho.
Depois pedi-lhe um relatório semanal à sexta-feira: despesa, receita, saldo e runway, os meses de caixa que a empresa aguenta sem faturar. É a leitura que eu não tinha estrutura para fazer e que agora chega antes da reunião de liderança.
Falo ainda do que vem a seguir, conciliação de faturas e fecho do mês, e de onde travo: acesso direto aos bancos não dou. Prefiro protocolos seguros de leitura, como os do Fintable.
O Elon Musk lançou o Grok Bot e testei-o ao limite: com um clique crias um agente com computador próprio, memória e conectores já prontos, sem tocar em código.
Neste episódio crio dois agentes novos, a Julieta e o Rangel, ligo um deles ao Basecamp por CLI e ponho-os a falar entre si. Mostro também como a memória funciona em camadas (individual, partilhada e por projeto) e como os acessos ficam isolados por agente.
A conclusão a que chego é esta: o modelo por trás do Grok fica atrás do Claude e do ChatGPT em capacidade pura, mas isso não importa. A vantagem está na simplicidade da arquitetura construída à volta dele, e isso vai obrigar a Anthropic e a OpenAI a responder.
A inteligência artificial chegou com a promessa de eliminar o trabalho repetitivo. O que vejo à minha volta é o contrário: mais ferramentas, mais tarefas, e muito tempo gasto a montar coisas que nunca chegam a produzir nada.
Neste episódio mostro cinco automatismos que tenho a correr no dia a dia das minhas empresas. Dois deles são rotinas simples instaladas no computador, não são agentes complexos. Um trata da conciliação bancária: procura as faturas no e-mail, arquiva-as, regista-as na pasta que envio à contabilidade e deixa-me no Basecamp apenas os pendentes. Outro analisa as minhas conversas de trabalho da semana anterior e devolve-me um relatório sobre onde estou a errar. Os restantes mantêm o CRM atualizado a partir das reuniões, escrevem a documentação do código à medida que a equipa fecha tarefas, e corrigem bugs durante a noite para a equipa encontrar a solução proposta de manhã.
Explico também os três filtros que aplico antes de automatizar seja o que for: se ganho tempo, se poupo ou ganho dinheiro, e se me permite fazer alguma coisa que hoje não consigo fazer de todo. Este último é o mais subestimado, porque é o que mete competências dentro da empresa que de outra forma exigiriam anos ou contratações que não se justificam.
No fim respondo a comentários, incluindo uma pergunta sobre se o marketing digital vai passar a ser feito integralmente por IA e o que isso significa para quem vive disso.
Há muitos anos que tenho uma regra simples: tudo o que é trabalho acontece num sítio só. Nunca aceitei ter um projeto fora do Basecamp, nem com freelancers nem com equipas subcontratadas. Não é mania de organização, é proteção. Cada mudança de plataforma custa foco e leva contexto pelo caminho.
Com a inteligência artificial, esse problema voltou multiplicado. Estás no Claude, sais para o gestor de projetos, voltas ao Claude, testas qualquer coisa no ChatGPT. E na colaboração é pior: eu decido com o contexto que tenho na minha janela, outra pessoa decide com o contexto que tem na dela, e ninguém garante que as duas decisões apontam ao mesmo sítio.
A minha resposta foi inverter. Em vez de levar a equipa às aplicações de IA, trouxe os agentes para dentro do Basecamp. Neste episódio conto o caso concreto: pedi ao Gaspar, o nosso agente, para procurar um sistema de tracking, e ele recomendou uma ferramenta que afinal já tínhamos instalada, com 86 links a funcionar. Quem apanhou isso foi o Tiago, que nem estava envolvido no assunto, mas estava na mesma conversa.
Falo também dos princípios que não mudo por causa da IA: gestão calma, contexto acima de tudo, e proteção da capacidade cognitiva. O agente vem à plataforma de hora a hora, não está ao segundo. É mais do que suficiente, e sou eu que costumo atrasar-me na resposta, nunca ele.
Há três anos tomei a decisão de ganhar tempo para perceber o que estava a acontecer com esta tecnologia. Entrei de cabeça: aprendi a programar, estudei os modelos por dentro, liguei-me a quem estava a construí-los. Foi aí que ficou claro que o negócio que eu tinha ia ter de ser repensado. Fechei-o. Faturava 800 mil euros por ano e dava 350 mil de lucro, e mesmo assim fechei, porque os produtos, os processos e as pessoas iam todos ter de mudar, e eu não sabia se aquele era o veículo certo para a maior oportunidade da minha vida.
Hoje lanço, com o Tiago, a comunidade que andámos três meses a construir. A proposta é uma só: construíres o playbook da tua empresa. Uma coleção do que a tua empresa sabe fazer, num formato que a máquina executa, dividida por departamentos e distribuída pelas pessoas a quem queres dar acesso. Não é um curso, e não temos cursos. É uma ferramenta que instalas no teu computador e que corre cinco passos: identificar a oportunidade certa, planear antes de construir, construir com regras, melhorar a cada execução e medir o que passaste a poupar. A cada volta acrescentas mais uma peça ao teu playbook.
Escolhemos uma comunidade e não um software porque o valor está em três coisas que nenhum produto entrega sozinho. Apoio à decisão, meu e de quem lá está: esta semana respondi ao Pedro e ao Filipe com vídeos personalizados, feitos depois de lhes fazer as perguntas de contexto que faltavam. Desbloqueio técnico semanal, em direto, para as perguntas que ninguém quer fazer em público. E um Q&A estratégico comigo, que é o que faço há dez anos com centenas de negócios: tu trazes a tua visão a longo prazo, eu dou-te a minha opinião.
No fundo, isto é simples. Pela primeira vez temos inteligência a um custo baixíssimo, e todos os negócios precisam de inteligência para operar. Há dois anos a IA estava ao nível de quem acabou o nono ano, no ano passado ao nível de quem acabou a universidade, e vai ultrapassar o raciocínio humano. Não sei o que aí vem daqui a três anos; sei que quero receber essa informação primeiro e ao lado de gente que está a bater na mesma frequência. É para isso que este laboratório existe.
A Anthropic cancelou a conta de uma empresa inteira. Sessenta pessoas chegaram ao trabalho e não tinham ferramenta: sem integrações, sem skills, sem histórico de conversa. O motivo foi uma alegada violação dos termos. Meses de contexto acumulado desapareceram com um clique dado do outro lado do Atlântico.
Isto não é um acidente, é o modelo de negócio. Todas as semanas muda qual é a IA mais forte, e por isso estas empresas deixaram de competir só pela inteligência do modelo e começaram a construir aplicações desenhadas para te prender. A memória, as skills e as ligações às tuas ferramentas que vais acumulando lá dentro são o que torna a mudança cara, e eles precisam que ela seja cara.
Neste episódio explico as três configurações que uso para não ficar preso a nenhuma delas. A memória sai da aplicação para uma pasta partilhada ou para um cérebro da empresa que é meu. As skills ficam guardadas nas duas pastas, porque a Anthropic é a única que não segue o padrão que as outras adotaram. E as ligações às minhas ferramentas instalam-se no meu computador, em vez de usar as que vêm dentro da aplicação e desaparecem quando eu sair.
Não é sobre desconfiar da tecnologia, é sobre saber o que é teu. A memória de uma empresa, organizada e acumulada ao longo de meses, vai valer muito dinheiro nos próximos anos, tal como valeu ter canal de distribuição próprio nos últimos vinte. Constrói isso, mas não construas a tua casa no terreno do vizinho.
A maior parte das pessoas usa a inteligência artificial como um chat: faz uma pergunta, recebe uma resposta genérica. O que muda tudo é dar ao agente o teu contexto: o teu email, as tuas reuniões, a tua plataforma de gestão. É a diferença entre um Google mais esperto e um colaborador que trabalha ao teu lado.
Neste episódio explico como ligo o meu agente às aplicações que já uso todos os dias. Dou um exemplo concreto: pedi ideias de problemas para resolver e as respostas vieram genéricas; quando o mandei às minhas reuniões, vieram dores reais de pessoas reais. É essa a diferença entre contexto genérico e contexto teu.
Depois arrumo as formas de fazer a ligação (CLI, MCP, API, browser e pastas partilhadas) e a ordem por que as escolho. Não precisas de dominar as siglas: precisas de saber que isto existe e de pedir ao próprio agente que instale.
E mostro o que isto permite: a minha conciliação bancária corre todos os dias sem mim. O agente cruza as transações, procura faturas no email, arquiva-as e, quando falta alguma, deixa-me uma tarefa com o valor e a data. Eu perdia horas com isto; hoje perco praticamente zero.
Toda a gente quer um funcionário IA no negócio. Eu também quero, e este não é o primeiro que construo. O que quase ninguém discute é a parte que decide o resultado: onde é que esse agente trabalha. Ou obrigas a tua equipa a ir ter com ele a um chat à parte, ou o metes dentro do sítio onde a equipa já trabalha todos os dias. Escolhi a segunda.
Neste episódio conto como lá cheguei. Comecei por uma infraestrutura pronta, open source, com tudo o que eu precisava no papel. Passei um dia inteiro a reiniciá-la e partia sempre no mesmo sítio. Numa ferramenta, a competência interessa-me menos do que a fidelidade: se tenho de andar sempre a verificar se aquilo funcionou, perco a vantagem toda de ter um agente e mais valia fazer eu o trabalho. Ao fim do dia desisti e construí a arquitetura de raiz.
Explico o que montei: o agente com o seu próprio espaço e as suas próprias regras, um automatismo que o faz aparecer de hora em hora durante o horário de trabalho para ver se alguém o chamou, uma conversa por dia para não perder contexto, e um segundo automatismo que à meia-noite lê o dia e atualiza a memória dele. É isto que fecha o loop: ele aprende com o que lhe digo e no dia seguinte trabalha melhor.
E mostro-o a trabalhar. A ensiná-lo a escrever com hierarquia, como ensinaria a qualquer pessoa que entra na empresa, a discutir comigo a organização do trabalho e a propor-me coisas que eu não lhe tinha pedido. Não estou a usar uma ferramenta, estou a treinar uma contratação.
Quanto mais exploras a IA, mais oportunidades vês de criar uma aplicação interna na tua empresa. E nunca foi tão barato dar esse passo: o custo de desenvolvimento caiu a pique e a maior parte dos problemas que queres resolver já está inventada. Eu sei porque construí software antes desta era e perdi muito dinheiro nos erros do costume.
Neste episódio falo de founder para founder: as 3 formas de construir (plataformas como o Lovable, ferramentas como o Claude Code, ou contratar), as vantagens e desvantagens de cada uma, e as 6 peças que eu uso para construir as aplicações das minhas empresas: Next.js, Convex, Clerk, Tailwind com shadcn, Vercel e GitHub.
Falo também dos perigos que vais encontrar quando começares: a tentação de acrescentar sempre mais, a experiência de utilizador que o modelo não resolve por ti, o ritmo entre lançar novidades e ensinar a equipa a usá-las, e a forma de manter o design consistente. E deixo o conselho mais importante de todos: começa. O resto aprende-se no caminho.
A Super Human somos duas pessoas, eu e o Tiago, e é assim que vai ficar. O maior desafio do negócio neste momento é pôr novas pessoas a descobrir o que fazemos, e nenhum de nós tem tempo para mais um canal. A resposta não foi contratar, foi construir o Gaspar, o primeiro funcionário IA da empresa.
Neste episódio explico as cinco oportunidades que vejo para resolver o problema, do formato da abertura aos temas de novidade, e porque é que a quinta, o Instagram, só faz sentido entregue a um agente com autonomia total. Mostro o caso que me tirou as dúvidas, o Gumroad a faturar 17 milhões com duas pessoas e meia e um agente a tratar do suporte, do código e das finanças, e o processo de pôr o Gaspar a trabalhar: primeiro o contexto, depois as ferramentas, no fim a integração na equipa, dentro do Basecamp, como qualquer colaborador.
Se estás à frente de uma empresa e a pergunta "onde é que eu arranjo tempo para isto" te é familiar, este episódio é o meu processo de raciocínio completo, do problema à solução a funcionar.
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