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Você já parou pra pensar que a Saudade e a Nostalgia flertam, e como essa dança tão sincronizada nos mantem ali, na plateia, sentados, olhando fixamente o ritmado do passado brigando pela nossa atenção.
Pensei muito sobre isso e me dei conta que a saudade nasce sempre de um amor. Não necessariamente de algo romântico ou sexual. Ela nasce na inocência do amor que sentimos por alguém muito especial. Um alguém que apareceu na nossa vida como quem não queria nada e que em pouco tempo nos ganhou por completo. De desconhecidos para um flerte, de um flerte para amigos, de amigos para namorados e de namorados de novo para desconhecidos... Um sentimento estranho que sentimos ao lembrar de quando éramos abraçados e cuidados. Até mesmo os momentos sem interação onde ficávamos só assistindo quem amamos existir. Mas, hoje, não mais possível.
Não tem nenhum sentimento que chegue perto do que é a saudade. Ela é tão chata, tão dolorosa que os outros idiomas nem se atrevem a tê-la em seu vocabulário – sequer têm interesse em traduzi-la. Sentir saudade é um misto de o que poderia ter sido com o que nunca vai acontecer. Ela amargura, nos faz querer ir para outra dimensão, outro tempo. Mas isso não é possível. E sabendo que não há nada o que possamos fazer, temos apenas que aceitar a falsa conformidade de que o tempo cura tudo, o tempo é o senhor de todos os males e com ele a saudade também vai passar. Mas ela, a saudade, talvez seja um dos poucos sentimentos que aumentam com o tempo. E ao contrário do vinho, ela fica cada vez pior.
A saudade nos teleporta pro passado para a busca de um objeto que queremos no agora. Isso nos machuca muito, porque com os pés aqui no presente sabemos – mesmo que no fundo no fundo – que esse objeto não voltará. A nostalgia, por outro lado, traz momentos passados – quase sempre associados a pessoas importantes e queridas – para o presente. Uma nostalgia pode surgir por um cheiro específico, um sabor, uma música ou por qualquer estímulo.
Enquanto a saudade nos coloca no passado, a nostalgia traz o passado até nós. É lindo. A saudade e a nostalgia dançam um ballet dicotômico e bucólico que nos leva e traz de um lugar ao outro, de uma pessoa a outra, de sentimentos a sentimentos. Ambos podem ser bons, saudáveis, felizes, motivadores ou ruins, tóxicos, tristes e desmotivadores.
Há um flerte lindo, quase como a dança do cisne negro entre elas ao passo que ficamos felizes, alegres, saudosos, animados, empolgados, pensativos e... plim, cai a ficha de que não teremos mais aquela pessoa e nunca mais viveremos aquele momento.
O afastamento do objeto machuca. Machuca porque já foi. Escapou às mãos. E a impotência nos mantem ali na plateia, sentados olhando fixamente o ritmado do passado brigando pela nossa atenção.
em todas as redes sociais @dizeresquaisquer
By Wil GonçalvesVocê já parou pra pensar que a Saudade e a Nostalgia flertam, e como essa dança tão sincronizada nos mantem ali, na plateia, sentados, olhando fixamente o ritmado do passado brigando pela nossa atenção.
Pensei muito sobre isso e me dei conta que a saudade nasce sempre de um amor. Não necessariamente de algo romântico ou sexual. Ela nasce na inocência do amor que sentimos por alguém muito especial. Um alguém que apareceu na nossa vida como quem não queria nada e que em pouco tempo nos ganhou por completo. De desconhecidos para um flerte, de um flerte para amigos, de amigos para namorados e de namorados de novo para desconhecidos... Um sentimento estranho que sentimos ao lembrar de quando éramos abraçados e cuidados. Até mesmo os momentos sem interação onde ficávamos só assistindo quem amamos existir. Mas, hoje, não mais possível.
Não tem nenhum sentimento que chegue perto do que é a saudade. Ela é tão chata, tão dolorosa que os outros idiomas nem se atrevem a tê-la em seu vocabulário – sequer têm interesse em traduzi-la. Sentir saudade é um misto de o que poderia ter sido com o que nunca vai acontecer. Ela amargura, nos faz querer ir para outra dimensão, outro tempo. Mas isso não é possível. E sabendo que não há nada o que possamos fazer, temos apenas que aceitar a falsa conformidade de que o tempo cura tudo, o tempo é o senhor de todos os males e com ele a saudade também vai passar. Mas ela, a saudade, talvez seja um dos poucos sentimentos que aumentam com o tempo. E ao contrário do vinho, ela fica cada vez pior.
A saudade nos teleporta pro passado para a busca de um objeto que queremos no agora. Isso nos machuca muito, porque com os pés aqui no presente sabemos – mesmo que no fundo no fundo – que esse objeto não voltará. A nostalgia, por outro lado, traz momentos passados – quase sempre associados a pessoas importantes e queridas – para o presente. Uma nostalgia pode surgir por um cheiro específico, um sabor, uma música ou por qualquer estímulo.
Enquanto a saudade nos coloca no passado, a nostalgia traz o passado até nós. É lindo. A saudade e a nostalgia dançam um ballet dicotômico e bucólico que nos leva e traz de um lugar ao outro, de uma pessoa a outra, de sentimentos a sentimentos. Ambos podem ser bons, saudáveis, felizes, motivadores ou ruins, tóxicos, tristes e desmotivadores.
Há um flerte lindo, quase como a dança do cisne negro entre elas ao passo que ficamos felizes, alegres, saudosos, animados, empolgados, pensativos e... plim, cai a ficha de que não teremos mais aquela pessoa e nunca mais viveremos aquele momento.
O afastamento do objeto machuca. Machuca porque já foi. Escapou às mãos. E a impotência nos mantem ali na plateia, sentados olhando fixamente o ritmado do passado brigando pela nossa atenção.
em todas as redes sociais @dizeresquaisquer