Em sua “Nota técnica sobre processo transexualizador e demais formas de assistência às pessoas trans”, o Conselho Federal de Psicologia considera, dentre outras coisas, que “a assistência psicológica não deve se orientar por um modelo patologizado ou corretivo da transexualidade e de outras vivências trans, mas atuar como ferramenta de apoio ao sujeito, de modo a ajudá-lo a certificar-se da autenticidade de sua demanda, englobando todo o seu contexto social.”
Tal nota representa mais um dentre os tantos esforços para a correção de equívocos históricos concernentes à transexualidade. O modelo patologizado, que de modo pervasivo atravessou diferentes disciplinas da saúde por décadas, inspirou práticas nefastas em diferentes campos, e a psicoterapia não é exceção. Lamentavelmente, ainda hoje são comuns confusões entre noções muito básicas como identidade de gênero e orientação sexual, e relatos de práticas de adequação a estereótipos de gênero, como registrado na fala de um dos entrevistados no tocante “Bichas, o documentário”: https://www.youtube.com/watch?v=0cik7j-0cVU
Apesar disso, uma vez respaldadas pela ciência e pela ética profissional, a psicologia em geral e a análise do comportamento, em particular, devem servir não à adequação, mas à emancipação individual: “É objetivo da assistência psicológica a promoção da autonomia da pessoa, a partir de informações sobre a diversidade de gênero e esclarecimentos sobre os benefícios e riscos dos procedimentos de modificação corporal e social.”¹
Para falar sobre a assistência psicológica a pessoas trans, questões relativas à cirurgia de redesignação, terapia hormonal, vivências pessoais e muito mais, o Boteco Behaviorista #50 recebe uma galera muito querida. ♥
¹ http://goo.gl/KHRAiZ
- César Rocha
- Felipe Epaminondas
- Gabriela Zin (UFSCar)
- Marcela Ortolan
- Vânia Sant'Ana (UEM)
- Marcela Ortolan