Gilson Aguiar

Violência contra a mulher tem história


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Violência cotidiana e constante

Me canso de olhar para os jornais e ver noticiado atos de

violência contra a mulher. Todo o dia.

Inclusive, vale a estatística da Rede de Observatório de

Segurança, uma mulher é agredida a cada 4 horas. Que país é esse? Como
permitimos isso?

No final, um terço das mulheres brasileiras já sofreram

agressão física ou sexual em sua vida. Este é um dado da Organização das Nações
Unidas (ONU). Lembrando que o Brasil está entre os países com maior número de
ocorrências de agressão contra elas.

Considero que grande parte dos brasileiros ignora nossa

formação social. Não somos educados a refletir sobre o nosso passado e
entendermos as origens profundas de nossos principais problemas. Deveríamos
fazer isso com a nossa vida.

O patriarcalismo instituído com a formação da sociedade

brasileira é extremo. O encontro do elemento europeu, português, com os
indígenas e a implantação do trabalho escravo africano foi um ambiente propício
para os excessos e os excessivos.

Nas relações da grande produção açucareira, na vida nos

engenhos e nas áreas de importância fundamental para o colonizador, como também
nas áreas de economia regional ou local onde as relações foram estabelecidas na
informalidade costumeira no encontro entre nações, a violência esteve presente.

O corpo da mulher foi apropriado e sobre ele se jogou todas

as intenções, as mais torpes deixaram cicatrizes ao longo do tempo e temos a
ferida aberta a cada nova agressão.

A menos de um século as mulheres estavam juridicamente

submissas aos homens. A lei permitia um assassino sair ileso em “legítima
defesa da honra”. Absurdo para os olhos de hoje, uma marca comum em um país
onde a agressão já foi ação de direito e resiste a ser superada.

Se você acessar o noticiário dos jornais, das mídias

tradicionais ou digitais, vai ter neles atos de violência contra a mulher.
Agressões constantes e das mais diferentes formas.

Hoje, por exemplo, acessei jornais on-line e li atos de

agressão como estupro, tentativa de assassinato de ex-companheira, como também,
a tentativa de matar o novo companheiro da ex-mulher.

Um dos fatos marcantes no país é o do médico ginecologista

que atuava em Maringá, no noroeste do Paraná. Ele foi denunciado por três mulheres
e hoje 36 delas já relataram ter sofrido abuso. Imagina a quantidade de outras
tantas que ainda estão em silêncio mesmo tendo sido abusadas?

O médico está preso desde o dia 15 de junho. Mas, o quanto

abusou até ser detido?

Ele não é um caso isolado, quantos já fizeram e fazem o

mesmo. Eles estão em todos os lugares e nas mais diversas profissões. Algumas
delas com a função de proteger os seres humanos. Porém e por isso, são as que
mais facilitam o acesso as mulheres.

O agressor sempre está por perto.

Onde tudo isso começa? Em casa.

Claro que não estou colocando a culpa da agressão na criação

que os pais deram, mas ela é fundamental para a formação de um ser humano
consciente do respeito que se deve ter ao outro.

No cotidiano, nas práticas mais comuns, nos lugares que

consideramos distante de ser um ambiente nocivo são os que plantamos a semente
da agressão.

Muitos em nome de proteger ou gerar um comportamento “moral”

em seus filhos acabam por legitimar a agressão e moldar as crianças e
adolescentes a serem agressores.

Se queremos respeito para com a mulher, é preciso mudar o

conceito de sua formação marcada por um modelo de submissão. O discurso de
proteger não pode estar associado ao controle do corpo somente por ser mulher.

Enquanto isso não acontecer, nada muda.

 

Por que isso acontece?
Os casos cotidianos
E tudo começa em casa

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