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Há em nós um rumor de mar que não existe.
Julgamos tempestade o que é apenas brisa. O vento toca levemente as velas, mas, receosos de nós próprios, içamos panos de medo e preparamos naufrágios que só acontecem no teatro interior da nossa imaginação.
O oceano permanece sereno — quem se agita somos nós.
Não são as coisas que nos perturbam, mas a narrativa silenciosa com que as cobrimos.
A mente cria mundos com a mesma facilidade com que respira. E se cria, também pode transformar. Há nisto uma grandeza discreta: somos autores do que nos inquieta. Não totalmente senhores do que sucede, mas profundamente responsáveis pelo modo como o interpretamos.
O cansaço visita-nos. A fome atravessa-nos. E, contudo, quantas vezes, em momentos de alegria, essas mesmas visitas não nos roubam a paz? Não é a fome que fere — é o pensamento sobre ela. Não é o peso do dia — é o juízo secreto que o declara insuportável.
Possuímos uma riqueza invisível: escolher o que permanece na mente. Ninguém no-la pode roubar. Podem tirar-nos quase tudo, mas não a faculdade íntima de decidir que pensamento acolhemos e qual deixamos à porta.
A mente é um jardim. Que estranha ironia a nossa: culpamos o céu pelas ervas daninhas, esquecendo que fomos nós que as regámos. A chuva é neutra. A terra é fértil. O que cresce depende da semente.
By João ZarcoHá em nós um rumor de mar que não existe.
Julgamos tempestade o que é apenas brisa. O vento toca levemente as velas, mas, receosos de nós próprios, içamos panos de medo e preparamos naufrágios que só acontecem no teatro interior da nossa imaginação.
O oceano permanece sereno — quem se agita somos nós.
Não são as coisas que nos perturbam, mas a narrativa silenciosa com que as cobrimos.
A mente cria mundos com a mesma facilidade com que respira. E se cria, também pode transformar. Há nisto uma grandeza discreta: somos autores do que nos inquieta. Não totalmente senhores do que sucede, mas profundamente responsáveis pelo modo como o interpretamos.
O cansaço visita-nos. A fome atravessa-nos. E, contudo, quantas vezes, em momentos de alegria, essas mesmas visitas não nos roubam a paz? Não é a fome que fere — é o pensamento sobre ela. Não é o peso do dia — é o juízo secreto que o declara insuportável.
Possuímos uma riqueza invisível: escolher o que permanece na mente. Ninguém no-la pode roubar. Podem tirar-nos quase tudo, mas não a faculdade íntima de decidir que pensamento acolhemos e qual deixamos à porta.
A mente é um jardim. Que estranha ironia a nossa: culpamos o céu pelas ervas daninhas, esquecendo que fomos nós que as regámos. A chuva é neutra. A terra é fértil. O que cresce depende da semente.