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Episódio Original n 325 do PodCast OsPaposDaMeiaNoite, deletado por ordem judicial, publicado em 18 de março de 2023. Espionagem lunática dos militares brasileiros. Roteirices e Carlos Alberto Junior
https://buzzfeed.com.br/post/softwares-abin
Software secreto usado pela Abin pode ter sido usado por outros órgãos do governo.
Empresa responsável pelo FirstMile, ferramenta usada para perseguir opositores por governos autoritários e envolvida em escândalos, tem outros contratos no Brasil, inclusive com o Exército.
Redação equipe BuzzFeed
Ady Ferrer https://twitter.com/ady_news & Ananias Oliveira https://twitter.com/ananias_1979
No início da semana, o jornal O Globo noticiou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria utilizado um software da empresa Cognyte/Verint para monitorar pessoas por meio da geolocalização do celular.
Mas o software pode fazer muito mais do que isso - e é utilizado, também, por outras pastas, como o Ministério da Defesa.
Segundo o site da companhia, a Verint fornece softwares de captura e monitoramento de dados, aumentando a integração entre empresas e consumidores.
Dos donos da Verint, surgiu a Cognyte, em 2021. A partir daí, as empresas passaram a dividir os focos de atuação: Verint focaria na relação empresa-consumidor e Cognyte avançaria com as atividades cibernéticas e de inteligência artificial.
Pelo menos desde 2014, a Verint/Cognyte é acusada de vender ferramentas que monitoram e roubam dados de telefones para governos, inclusive ditaduras.
O jornal The Washington Post publicou, em 2014, um documento vazado da empresa que mostra a venda do sistema SkyLock para governos. O SkyLock é um sistema que permite o rastreamento de celulares.
Em 2018, o jornal Haaretz noticiou que os sistemas da Verint estavam sendo utilizados pelos governos do Azerbaijão e da Indonésia para procurar “tendências sexuais” nas redes sociais e perseguir pessoas LGBTQIA+.
Foi descoberto, em janeiro desse ano, que a Cognyte venceu uma licitação para dispor equipamentos de segurança para o Exército de Mianmar, um mês antes do golpe militar no país, em fevereiro de 2021. A oposição afirma que seus líderes foram vigiados pela empresa.
No Brasil, a única representante legal da Verint/Cognyte é a Suntech S.A. A Suntech esteve envolvida na Operação Chabu, que prendeu o ex-prefeito de Florianópolis (SC), Gean Loureiro (sem partido), em 2019. O caso envolve vazamento de dados sigilosos de operações policiais em Santa Catarina.
Apontado como principal operador do esquema, o representante da Suntech José Augusto Alves também foi preso.
Mas essa não foi a última vez que a empresa esteve envolvida em escândalos. Em 2020, a Polícia Federal apreendeu um equipamento de espionagem que seria utilizado pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).
A Suntech tem outros contratos com alguns Estados brasileiros. Por exemplo, a Secretaria de Segurança Público de São Paulo, tem um contrato para a compra do software WebInt.
No site, a empresa afirma que o WebInt é capaz de vasculhar até mesmo dados da deep web.
O WebInt também foi adquirido pelo Ministério da Justiça. A contratação foi feita em 31 de dezembro de 2018, último dia do governo de Michel Temer (MDB).
Em 2021, a Polícia Rodoviária Federal adquiriu o WebInt e também teria promovido treinamento para uso da plataforma.
No Ministério da Defesa, o primeiro contrato com a Verint foi assinado em 2012. O Ministério só foi atualizar o sistema em 2014 e depois em outros dois momentos em 2015. Todas as compras foram feitas pelo Exército por meio de uma comissão em Washington (EUA).
É aí que entra um personagem já conhecido na política brasileira: segundo reportagem do UOL, o coronel da reserva Hélcio Bruno de Almeida foi representante da Suntech entre 2017 e 2020...
By Laboratório Para Geração de Novas Utopias e André BorgesEpisódio Original n 325 do PodCast OsPaposDaMeiaNoite, deletado por ordem judicial, publicado em 18 de março de 2023. Espionagem lunática dos militares brasileiros. Roteirices e Carlos Alberto Junior
https://buzzfeed.com.br/post/softwares-abin
Software secreto usado pela Abin pode ter sido usado por outros órgãos do governo.
Empresa responsável pelo FirstMile, ferramenta usada para perseguir opositores por governos autoritários e envolvida em escândalos, tem outros contratos no Brasil, inclusive com o Exército.
Redação equipe BuzzFeed
Ady Ferrer https://twitter.com/ady_news & Ananias Oliveira https://twitter.com/ananias_1979
No início da semana, o jornal O Globo noticiou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria utilizado um software da empresa Cognyte/Verint para monitorar pessoas por meio da geolocalização do celular.
Mas o software pode fazer muito mais do que isso - e é utilizado, também, por outras pastas, como o Ministério da Defesa.
Segundo o site da companhia, a Verint fornece softwares de captura e monitoramento de dados, aumentando a integração entre empresas e consumidores.
Dos donos da Verint, surgiu a Cognyte, em 2021. A partir daí, as empresas passaram a dividir os focos de atuação: Verint focaria na relação empresa-consumidor e Cognyte avançaria com as atividades cibernéticas e de inteligência artificial.
Pelo menos desde 2014, a Verint/Cognyte é acusada de vender ferramentas que monitoram e roubam dados de telefones para governos, inclusive ditaduras.
O jornal The Washington Post publicou, em 2014, um documento vazado da empresa que mostra a venda do sistema SkyLock para governos. O SkyLock é um sistema que permite o rastreamento de celulares.
Em 2018, o jornal Haaretz noticiou que os sistemas da Verint estavam sendo utilizados pelos governos do Azerbaijão e da Indonésia para procurar “tendências sexuais” nas redes sociais e perseguir pessoas LGBTQIA+.
Foi descoberto, em janeiro desse ano, que a Cognyte venceu uma licitação para dispor equipamentos de segurança para o Exército de Mianmar, um mês antes do golpe militar no país, em fevereiro de 2021. A oposição afirma que seus líderes foram vigiados pela empresa.
No Brasil, a única representante legal da Verint/Cognyte é a Suntech S.A. A Suntech esteve envolvida na Operação Chabu, que prendeu o ex-prefeito de Florianópolis (SC), Gean Loureiro (sem partido), em 2019. O caso envolve vazamento de dados sigilosos de operações policiais em Santa Catarina.
Apontado como principal operador do esquema, o representante da Suntech José Augusto Alves também foi preso.
Mas essa não foi a última vez que a empresa esteve envolvida em escândalos. Em 2020, a Polícia Federal apreendeu um equipamento de espionagem que seria utilizado pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).
A Suntech tem outros contratos com alguns Estados brasileiros. Por exemplo, a Secretaria de Segurança Público de São Paulo, tem um contrato para a compra do software WebInt.
No site, a empresa afirma que o WebInt é capaz de vasculhar até mesmo dados da deep web.
O WebInt também foi adquirido pelo Ministério da Justiça. A contratação foi feita em 31 de dezembro de 2018, último dia do governo de Michel Temer (MDB).
Em 2021, a Polícia Rodoviária Federal adquiriu o WebInt e também teria promovido treinamento para uso da plataforma.
No Ministério da Defesa, o primeiro contrato com a Verint foi assinado em 2012. O Ministério só foi atualizar o sistema em 2014 e depois em outros dois momentos em 2015. Todas as compras foram feitas pelo Exército por meio de uma comissão em Washington (EUA).
É aí que entra um personagem já conhecido na política brasileira: segundo reportagem do UOL, o coronel da reserva Hélcio Bruno de Almeida foi representante da Suntech entre 2017 e 2020...

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