você tem coisas demais. tenho certeza, garanto com precisão cirúrgica que sim. você entope sua existência com cacarecos e coisinhas e insignificâncias que aparentemente não custam caro, mas não percebe o quanto de sua vida foi gasto para adquiri-las. e você tem tempo de vida de menos. carece, pois, de equilíbrio. sobram cosméticos e falta autoestima. sobram imãs de viagens e falta planejamento para a próxima. sobram roupas e falta investir em relacionamentos mais saudáveis. sobram alimentos e falta nutrição. sobram roupas de academia e falta de fato ir até ela. sobram cartinhas e papeizinhos e falta superar os fins. sobram pequenos objetos envelhecidos e entulhados num canto com o objetivo de lembrarem sua infância e falta a coragem de buscar um psicólogo e entender seus traumas e os porquês deste apego. não me entenda mal, não é uma crítica, é mais um texto reflexivo mesmo. e aqui peço que você, leitor, se atente ao significado de reflexivo. aviso: se a gente não o fizer por conta própria, a vida o fará mais cedo ou mais tarde: nos impor um espelho que reproduz em vivas cores o que se carrega internamente, normalmente maquiado com ferramentas sociais que escondem dos outros e de nós próprios aquilo que não queremos encarar; nos faz enxergar tudo que nos rodeia e que nos prende - e que nos sentencia a uma vida sem propósito. que seja mais cedo, então. falei sobre experiências que nos mudam neste episódio do podcast.
A Ingrid: @ingrid_bleil