às vezes sim, sinto falta do trabalho que eu tinha antes e da minha vida agitada em caxias. em outras oportunidades sinto falta de berlin, das nuances desta capital que despeja, exala, transparece, sangra história. em alguns dias aqui e ali penso na faculdade de letras, na faculdade de direito, na casa da minha mãe, no apartamento em que vivi, nas diversas outras moradas que já tive, na minha primeira experiência em hamburg - antes do corona, do au pair, das dúvidas. percebo, entretanto, que o que colore essas memórias e faz com que eu as ame e as exalte não são elas por elas, mas as pessoas que nelas habitam. é nos colegas das duas universidades, nos parceiros dos intercâmbios, nos companheiros de quarto em quem penso nas minhas noites em claro. assim como eu, todos eles vêm e vão; fica marcado na pele as expectativas do primeiro encontro, as lembranças da rotina e a dor da separação. gosto de pensar que somos feitos de retalhos de todos que conhecemos tecidos juntos pelos sentimentos que nos conectam, que permanecem através do tempo, se bem constituídos. respeito e apoio as andanças de vida de todos, mas confesso que sempre busco os reencontros. ironicamente, sou exímia na arte de não utilizar as mídias digitais para entrar em contato com meus amigos, não respondo, não entrego novidades. a verdade é que não gosto dessas conversas frugais, dessa troca de mensagens ou, pior, de áudios, recheados de irrelevâncias. mas te garanto, eu vou amar uma vídeo chamada esporádica, uma troca de carinhos quando existe a necessidade, e eu vou te encontrar. eu necessito do movimento e, da mesma forma que as pessoas chegam até mim, eu vou até elas, onde quer que seja. preciso desse toque, dessa presença física. nada melhor que um abraço conhecido: reata rasgos, reconecta histórias, te transporta de volta a onde tudo começou, onde quer que tenha sido. falo de ti neste episódio do podcast.
A Ingrid: @ingrid_bleil
O Email: [email protected]