maria soube antes de qualquer outro que eu partiria. não porque eu contei, veja bem, logo nós duas que tanto gostamos de falar, não precisamos desta forma de expressão tão exata e codificada para transmitir aquilo que se comparte só com um olhar. ela era o fechamento perfeito para a minha semana caótica e recheada de três empregos, faculdade, grupo de pesquisa e sentimentos aflorados. após três anos desde a primeira vez em que dei aula de inglês para ela - naquela turma do nicolas - nos encontrávamos para aulas particulares toda sexta-feira. foi de onde saiu uma falante de inglês capaz de comunicar com precisão única tanto a língua que estudávamos, quanto seus anseios, tão parecidos com os meus. quando converso com ela, sinto que falo com uma versão minha com menos anos de idade, mas igual em todas as outras esferas. está mais confusa que eu esta guria, mas também igualmente sonhadora, cheia de coragem e desejos de mudança. maria é das poucas pessoas que de fato estão cumprindo a quarentena, que entendem o que é coletividade e como nossas ações individuais impactam toda a sociedade. falamos de ansiedade, planos pro futuro e os tempos de corona no episódio desta semana.
A Ingrid: @ingrid_bleil
A Maria: @mariarcorreaa