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Tive um paciente com bipolar tipo um que, depois de quase dois anos em uso de olanzapina, me disse que preferia ter outra crise a continuar no corpo em que estava. Tinha ganhado vinte e oito quilos. A frase ficou comigo. E voltou com força quando li o estudo que a equipe da Shebani Sethi, em Stanford, publicou em março de 2024 na Psychiatry Research — vinte e um pacientes com esquizofrenia ou bipolar, em uso de antipsicótico, quatro meses de dieta cetogênica.
Os números chamam atenção: setenta e nove por cento melhoraram na escala clínica, cem por cento dos que tinham síndrome metabólica reverteram o critério, esquizofrenia caiu trinta e dois por cento na BPRS. Mas é piloto, sem grupo controle, com financiamento de uma fundação familiar interessada no tema. Esse episódio do Notas de um Psiquiatra é sobre o que esse estudo mostra — e o que ainda não mostra. Sobre tratar a mente e o metabolismo como o mesmo tecido. E sobre a palavra "estável" que a gente escreve no prontuário sem perguntar para quem.
[REFERÊNCIAS]
Sethi S, Wakeham D, Ketter T, et al. Ketogenic Diet Intervention on Metabolic and Psychiatric Health in Bipolar and Schizophrenia: A Pilot Trial. Psychiatry Research. 2024 Mar 27. DOI: 10.1016/j.psychres.2024.115866. PMID: 38547601.
Stanford Medicine. The effects of ketogenic metabolic therapy on mental health and metabolic outcomes in schizophrenia and bipolar disorder: a randomized controlled clinical trial protocol. ClinicalTrials.gov ID: NCT06748950.
Pacheco A, Easterling WS, Pryer MW. A pilot study of the ketogenic diet in schizophrenia. American Journal of Psychiatry. 1965;121(11):1110-1111.
Plana-Ripoll O et al. A comprehensive analysis of mortality-related health metrics associated with mental disorders. The Lancet. 2019;394(10211):1827-1835.
Se gostou, compartilhe.
Se não gostou, sugira melhorias e temas no @drhamerpalhares.
Dr. Hamer Palhares
PS: Conteúdo de caráter meramente informativo.
@drhamerpalhares
By Hamer PalharesTive um paciente com bipolar tipo um que, depois de quase dois anos em uso de olanzapina, me disse que preferia ter outra crise a continuar no corpo em que estava. Tinha ganhado vinte e oito quilos. A frase ficou comigo. E voltou com força quando li o estudo que a equipe da Shebani Sethi, em Stanford, publicou em março de 2024 na Psychiatry Research — vinte e um pacientes com esquizofrenia ou bipolar, em uso de antipsicótico, quatro meses de dieta cetogênica.
Os números chamam atenção: setenta e nove por cento melhoraram na escala clínica, cem por cento dos que tinham síndrome metabólica reverteram o critério, esquizofrenia caiu trinta e dois por cento na BPRS. Mas é piloto, sem grupo controle, com financiamento de uma fundação familiar interessada no tema. Esse episódio do Notas de um Psiquiatra é sobre o que esse estudo mostra — e o que ainda não mostra. Sobre tratar a mente e o metabolismo como o mesmo tecido. E sobre a palavra "estável" que a gente escreve no prontuário sem perguntar para quem.
[REFERÊNCIAS]
Sethi S, Wakeham D, Ketter T, et al. Ketogenic Diet Intervention on Metabolic and Psychiatric Health in Bipolar and Schizophrenia: A Pilot Trial. Psychiatry Research. 2024 Mar 27. DOI: 10.1016/j.psychres.2024.115866. PMID: 38547601.
Stanford Medicine. The effects of ketogenic metabolic therapy on mental health and metabolic outcomes in schizophrenia and bipolar disorder: a randomized controlled clinical trial protocol. ClinicalTrials.gov ID: NCT06748950.
Pacheco A, Easterling WS, Pryer MW. A pilot study of the ketogenic diet in schizophrenia. American Journal of Psychiatry. 1965;121(11):1110-1111.
Plana-Ripoll O et al. A comprehensive analysis of mortality-related health metrics associated with mental disorders. The Lancet. 2019;394(10211):1827-1835.
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Dr. Hamer Palhares
PS: Conteúdo de caráter meramente informativo.
@drhamerpalhares