Os f a l s o s m e s t r e s haviam chegado a Corinto. Eles eram judeus e proclamavam-se apóstolos de Cristo. Traziam cartas de recomendação e ostentavam suas credenciais. Quanto ao talento, eram oradores profissionais. Quanto ao desempenho, gabavam-se de feitos miraculosos. Quanto à personalidade, eram arrogantes.
Quanto à integridade, eram impostores, avarentos e aproveitadores do rebanho, buscando o dinheiro do povo, e não o seu bem-estar espiritual. Paulo os chama de falsos apóstolos e obreiros fraudulentos.
Quem eram esses falsos apóstolos que ameaçavam a igreja de Corinto?
Alguns estudiosos entendem serem os mesmos judaizantes que atacaram as igrejas da Galácia (G1 1.6-9).
Esses falsos mestres exigiam dos gentios rituais adicionais à fé para ser salvos. Eles negavam a salvação pela graça e impunham sobre o povo pesados fardos da lei. Eram legalistas que pregavam outro evangelho, diferente e oposto ao evangelho de Cristo.
Outros eruditos, porém, defendem que os falsos apóstolos, confrontados pelo apóstolo Paulo nessa carta, eram hereges de outro estofo.
Esses falsos apóstolos pregavam um evangelho sem cruz. Vangloriavam-se em seus feitos, e não em suas fraquezas. A ênfase que encontramos aqui são eloquência e conhecimento (11.6), exibição de autoridade (11.20), visões e revelações (12.1) e execução de sinais apostólicos (12.12,13).
Diante do ataque insolente desses falsos apóstolos a Paulo e sua mensagem, Paulo faz uma eloquente defesa do seu apostolado.
Obviamente, o propósito do apóstolo não é apenas resgatar sua imagem diante da igreja de Corinto, mas restabelecer a verdade do evangelho que estava sendo atacada naquela igreja. Não se trata de uma defesa meramente personalista. Mas da defesa da fé, uma vez, entregue aos santos.
Hoje, como naquele tempo, a verdade de Deus tem sido também atacada por muitos falsos mestres. Precisamos nos acautelar e defender, com firmeza, a fé evangélica que nos foi confiada.
Paulo era o pai espiritual dos crentes de Corinto (ICo 4.15). Não podia ver passivamente seus filhos na fé serem atacados pelos falsos mestres. O que estava em jogo não era apenas sua reputação como apóstolo, mas o próprio evangelho de Cristo.
Paulo inicia sua defesa, dizendo: “Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois” (11.1). A loucura a que Paulo se refere nesse versículo é a de empregar os mesmos métodos dos falsos mestres para combatê-los; ou seja, destacar seus próprios feitos e adotar um princípio que ele mesmo já havia reprovado: “Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva” (10.18).
Paulo considera a exibição de suas credenciais (11.21-12.13), uma verdadeira insensatez. Mas dadas as circunstâncias de Corinto, ele é forçado a fazê-lo.
Destaco quatro aspectos importantes acerca do cuidado pastoral de Paulo pela igreja:
Em primeiro lugar, seu zelo (11.2). “Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo” (11.2). Paulo assume aqui a posição de um pai que vela pela pureza da filha até o dia do casamento.
Em segundo lugar, seu temor (11.3). “Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (11.3).
Os falsos apóstolos estavam pregando em Corinto uma nova versão do evangelho. Eles eram servos de Satanás, e não de Deus. Estavam a serviço da mentira, e não da verdade.
Em terceiro lugar, sua denúncia (11.4). “Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais” (11.4).