Paulo começará dizendo que os fiéis de Corinto são suas cartas de recomendação, cartas vivas escritas no coração dele.
Diante disso, ele revelará qual o segredo do sucesso ministerial: a capacitação que vem de Deus e a vivificação do Espírito.
Paulo mostrará que o ministério espiritual é muito superior ao ministério da Lei, porque o ministério do Espírito inspira total liberdade.
(2 Coríntios 3:1) Começamos novamente a elogiar a nós mesmos? Ou nós precisamos, como alguns outros, de cartas de recomendação para vós, ou cartas de recomendação de vós?
Os falsos apóstolos que perturbaram os coríntios costumavam escrever cartas de recomendação. Paulo nunca achou necessário pedir recomendações, como deixam claro as duas respostas “não” (implícitas) às perguntas feitas neste versículo.
Vós sois as cartas. A transformação espiritual dos crentes coríntios era endosso suficiente para Paulo. Eles mesmos eram cartas espirituais, escritas pelo Espírito na tábua do coração de Paulo.
As letras literais, escritas com tinta em papel ou mesmo em tábuas de pedra, não se comparavam às vidas transformadas dos crentes.
A referência a tábuas de pedra lembra os leitores dos Dez Mandamentos e do antigo pacto (ver nota Dt 9:9).
A letra mata, o Espírito, dá vida; o qual também nos fez capazes de ser ministros do novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito dá vida.
A letra mata se refere à lei do antigo pacto, que não se destinava a conceder a vida, mas apenas a revelar o pecado (Rm 7:7-12).
O Espírito usa a proclamação do evangelho e cria nova vida por meio da fé (Rm 8:10 – 2Co 10:17). Mas se a ministração da morte, escrita e gravada em pedras, era gloriosa, de maneira que os filhos de Israel não podiam contemplar firmemente a face de Moisés, por causa da glória do seu semblante; cuja glória estava se acabando,
A ministração da morte se refere ao antigo pacto, feito no monte Sinai.
Seu efeito era a condenação e a morte, e não justificação e vida. Isso não era culpa do antigo pacto, mas sim dos pecadores, incapazes de atender suas exigências.
Os Dez Mandamentos foram escritos e gravados em pedras (Êx 31:18). Sendo Deus a fonte da lei, era justo que seu mediador humano tivesse algo da glória do Senhor, como não será a ministração do Espírito mais gloriosa?
Porque, se a ministração da condenação for gloriosa, muito mais a ministração da justiça excederá em glória.
As expressões, ministração do Espírito e ministração da justiça se referem ao novo pacto, e resulta em justiça por meio do Espírito que habita em nós.
Um contraste entre o antigo pacto e o novo pacto está no grau de glória ligado a cada concerto. Na ordem natural, a glória da lua (que desvanece todo mês) não é nada comparada ao sol, que nunca deixa de brilhar.
Glória em glória: Mas todos nós, com a face descoberta, contemplando como em um espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de glória em glória, como pelo Espírito do Senhor. Paulo incluiu todos os cristãos na frase com a face descoberta, cuja glória, uma vez iniciada no novo pacto, nunca desvanece.
A glória (na terra, em regeneração, justificação e santificação) vai ficando cada vez maior (no céu, em glorificação)
Conclusão: Terminando, após a experiência no alto do monte Sinai, Moisés desce com a face resplandecendo, mas após ministrar a vontade do Senhor, ele encobre o rosto com o véu, com o objetivo de que os israelitas não fiquem desconfortáveis com o fato. Por outro lado, Paulo começa citando o que aconteceu e testemunha que, ao contrário de lá, devemos contemplar a glória de Deus e revelá-la ao mundo através de nossas vidas. Mas, só teremos conhecimento real da glória de Deus, quando nos relacionarmos com Ele, por meio de Jesus, e nessa relação, não há necessidade de encobrir-se, de envergonhar-se, devemos declarar com ousadia quem é Jesus à medida que o Espírito nos torna mais parecidos com ele. Glória a Deus!