Entre Linhas e Leis

#20 | Ao Farol, de Virginia Woolf


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Na casa de veraneio da família Ramsay nas ilhas Hébridas, Escócia, Woolf explora como temporalidade fragmentada da memória e da experiência subjetiva desafia pressupostos jurídicos sobre linearidade temporal e causalidade. A estrutura tripartite da obra - uma tarde expandida, uma década condensada em poucas páginas, uma manhã que completa jornada iniciada anos antes - revela que tempo psicológico não corresponde a tempo cronológico que organiza processos judiciais. Woolf mostra também como trabalho reprodutivo invisível de mulheres (representado por Mrs. Ramsay) sustenta estruturas sociais que esse trabalho não reconhece juridicamente, antecipando debates contemporâneos sobre economia do cuidado e trabalho não remunerado. Para advogados que trabalham com testemunhos de traumas onde linearidade narrativa é impossível, com questões de prescrição e temporalidade processual, ou com reconhecimento jurídico de formas de trabalho e propriedade que não se encaixam em categorias tradicionais, a obra oferece compreensão sofisticada sobre como categorias jurídicas de tempo, causalidade e propriedade podem ser inadequadas para capturar realidades humanas complexas.

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Entre Linhas e LeisBy ESA OAB SP