Evaristo denuncia a necropolítica racializada do Estado brasileiro através da experiência dilacerante do luto materno, mostrando como violência policial contra jovens negros se naturalizou a ponto de mães negras saberem que podem ter que "ninar seus filhos para a morte" enquanto o sistema de justiça criminal opera seletivamente protegendo vidas brancas. A "canção de ninar" ironiza brutalmente essa normalização da morte negra, revelando como mães negras são sistematicamente privadas do direito ao luto público e à memória digna, expondo que genocídio da juventude negra não é falha do sistema, mas seu funcionamento normal - uma denúncia fundamental para compreender como racismo estrutural permeia todas as instâncias do direito brasileiro, da abordagem policial aos tribunais, perpetuando política de morte que trata determinadas vidas como descartáveis.