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Em fevereiro de 2026, um ensaio sobre psilocibina em depressão resistente virou manchete em todo canto. O grupo de David Erritzoe, do Imperial College de Londres em parceria com pesquisadores alemães, publicou na JAMA Psychiatry o EPISODE — primeiro RCT triplo-cego, fase 2b, comparando psilocibina contra placebo ativo de verdade (nicotinamida, a vitamina B3, escolhida por imitar o rubor somático da psilocibina). Cento e quarenta e quatro pacientes com depressão resistente. O desfecho primário foi negativo.
Os secundários favoreceram a dose alta — mas, em metodologia limpa, secundários geram hipótese, não conclusão. E o ônus de segurança que a imprensa não leu: ideação suicida no dia da dose duas a três vezes maior na dose alta, um caso de HPPD entre os 144 participantes.
Neste episódio do Notas de um Psiquiatra, eu desço aos números, separo o pré-especificado do post-hoc, e mostro como a vontade coletiva de que algo funcione distorce a leitura do dado. Quando seu paciente chegar com a manchete, e ele vai chegar, a tarefa não é desencantá-lo. É ler o estudo com ele.
REFERÊNCIAS
Erritzoe D, Carhart-Harris RL, Beck T, et al. Efficacy and Safety of Psilocybin in Treatment-Resistant Major Depression: The EPISODE Randomized Clinical Trial. JAMA Psychiatry. 2026. PMID 41848690 · PMC13000742.
Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13000742/
Se gostou, compartilhe.
Se não gostou, sugira melhorias e temas no @drhamerpalhares.
Dr. Hamer Palhares
PS: Conteúdo de caráter meramente informativo.
@drhamerpalhares
By Hamer PalharesEm fevereiro de 2026, um ensaio sobre psilocibina em depressão resistente virou manchete em todo canto. O grupo de David Erritzoe, do Imperial College de Londres em parceria com pesquisadores alemães, publicou na JAMA Psychiatry o EPISODE — primeiro RCT triplo-cego, fase 2b, comparando psilocibina contra placebo ativo de verdade (nicotinamida, a vitamina B3, escolhida por imitar o rubor somático da psilocibina). Cento e quarenta e quatro pacientes com depressão resistente. O desfecho primário foi negativo.
Os secundários favoreceram a dose alta — mas, em metodologia limpa, secundários geram hipótese, não conclusão. E o ônus de segurança que a imprensa não leu: ideação suicida no dia da dose duas a três vezes maior na dose alta, um caso de HPPD entre os 144 participantes.
Neste episódio do Notas de um Psiquiatra, eu desço aos números, separo o pré-especificado do post-hoc, e mostro como a vontade coletiva de que algo funcione distorce a leitura do dado. Quando seu paciente chegar com a manchete, e ele vai chegar, a tarefa não é desencantá-lo. É ler o estudo com ele.
REFERÊNCIAS
Erritzoe D, Carhart-Harris RL, Beck T, et al. Efficacy and Safety of Psilocybin in Treatment-Resistant Major Depression: The EPISODE Randomized Clinical Trial. JAMA Psychiatry. 2026. PMID 41848690 · PMC13000742.
Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13000742/
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Dr. Hamer Palhares
PS: Conteúdo de caráter meramente informativo.
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