Felipe Simão - Poesias

22 - A crueza que cabe


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Cabelos desgrenhados,

lençóis e fronhas desconjecturados,

o cheiro de corpos suados,

mesclados

com látex e lubrificante;

queria que o sexo fosse mais poético,

mas na falta do edificante,

escrevo a crueza que cabe no papel:

a irretirável pregnância do sêmen

que gera fetos,

gruda na pela,

mancha os tecidos

e empesteia o ar;

a hipocrisia que nos propicia os hormônios,

de noite casal,

de manhã dois estranhos que querem se livrar um do outro,

a nudez compartilhada,

vira nu vergonhoso,

na destransparência dos lençóis

se esconde o corpo a quem se o deu;

são os efeitos da intimidade migrante

que permeia o sexo ocasional;

dois desconhecidos

que se cumprimentam pelos genitais;

fossem mais que um o reflexo do desejo do outro,

necessidades rebatidas,

saciadas ou insaciáveis vontades carnais,

seriam fontes de calor

que não se apagariam jamais

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Felipe Simão - PoesiasBy Felipe Simão