Julia Lopes de Almeida nasce em 1862 e faleceu aos 71 anos em 1932. Foi escritora e contribuiu para a criação da Academia Brasileira de Letra, sendo no último momento excluída. A causa? Ser mulher! Os grandes imortais decidiram que o clube permaneceria masculino.
Julia e seus romances ficaram por muito tempo esquecidos. Já em 2020, seu romance A falência, foi selecionado para compor a lista de obras obrigatórias do vestibular da UNICAMP.
O conto narrado de hoje será A caolha, tendo como tema principal a relação de filho e mãe.
"A CAOLHA ERA UMA mulher magra, alta, macilenta, peito fundo, busto
arqueado, braços compridos, delgados, largos nos cotovelos, grossos nos pulsos; mãos
grandes, ossudas, estragadas pelo reumatismo e pelo trabalho; unhas grossas, chatas e
cinzentas, cabelo crespo, de uma cor indecisa entre o branco sujo e o louro grisalho,
desse cabelo cujo contato parece dever ser áspero e espinhento; boca descaída, numa
expressão de desprezo, pescoço longo, engelhado, como o pescoço dos urubus; dentes
falhos e cariados. O seu aspecto infundia terror às crianças e repulsão aos adultos; não
tanto pela sua altura e extraordinária magreza, mas porque a desgraçada tinha um defeito
horrível: haviam-lhe extraído o olho esquerdo; a pálpebra descera mirrada, deixando,
contudo, junto ao lacrimal, uma fístula continuamente porejante."
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