Ao longo da maternidade, o quão importante pode ser encontrar mulheres que tiveram experiências parecidas com a sua? O quão forte é a nossa necessidade de identificação? O nosso desejo de pertencer?
Luiza fazia parte da minoria, minoria da dupla maternidade e das FIVs. Seis FIVs e dois doadores : mas onde estavam as outras mulheres passando por isso? Luiza se sentiu sozinha no caminho para engravidar, mas não foi nessa hora que a solidão bateu o mais forte. Amamentar foi o grande desafio.
Ainda em pleno puerpério, Luiza conta aqui os choros, o desespero, o medo provocado pela dor. Ela denuncia « a ditadura do peito » que leva a mulher a pensar que tem que amamentar a qualquer custo fisico e psíquico. O que faz uma sociedade achar que a qualidade de mãe depende da sua entrega, do tamanho da sua abnegação na amamentação? Ao contrario, a mãe - suficientemente - boa não pode ser aquela que ignora os seus próprios limites.
Felizmente Luiza não estava sozinha e Juliana, sua mulher, lhe deu a autorização que precisava para parar de sofrer. A primeira mamadeira que Tom tomou apaziguou mães e filho. Mas, fica a pergunta que não quer calar: onde estão as mulheres que não querem amamentar? As mulheres que não gostam de amamentar? Este episódio é para elas.
Obrigada Luiza por encarar esse tabu e se tornar a referência que você procurava.