Como é a passagem de filha para mãe?E o que pode ser dolorido nesse processo de transformação física e psíquica? Como essa metamorfose se dá quando você mesma foi uma criança adotiva?
Mari é mãe do Tom e do João e filha de uma mãe adotiva que também foi adotada.
Ela fala aqui das suas gestações, da idealização do parto, da agitação do puerpério, da hiperêmese, da proximidade da morte e da dificuldade para amamentar. Ela relata o corpo em expansão e um novo modo de estar no mundo depois do nascimento. Mas, afinal, quem nasceu nesses partos?
No relato da Mari, gravidez e parto aparecem como ritos de passagem, momentos em que a mulher renasce junto com seus filhos.E isso, às vezes, dói. Por quê? O que faz sofrer?
É o corpo, a psique, o passado que retorna, as expectativas sociais e, sobretudo, a falha da linguagem para dar conta da profundidade dessa metamorfose.
Obrigada, Mari, por dar palavras ao que, por um tempo, não pôde ser dito.