Podcast de Psicologia

#39 - Como Maria Aprendeu a Acalmar a Mente e Voltou a Dormir


Listen Later

Podcast de Psicologia, o seu refúgio semanal para desvendar os segredos da mente humana. Apresentado por Renan Daniel, estudante de Psicologia, este podcast é a sua caixa de ferramentas psicológicas para uma vida mais plena, consciente e com propósito. Aqui, a psicologia não é apenas teoria; é a base para estratégias acionáveis e cientificamente comprovadas que você pode aplicar no seu dia a dia. #PodcastdePsicologia #Psicologia #Autoconhecimento #SaudeMental #DesenvolvimentoPessoal #AutoAjuda

Site | Youtube | Spotify | Apple Podcasts | Amazon Music/Audible | Deezer | Instagram | TikTok

Transcrição: São três da manhã. Maria está deitada no escuro, olhando para o teto. O marido dela roncando. Ela acordada mais uma noite. Na cabeça dela, uma reunião de trabalho que aconteceu há horas atrás está rodando como um looping na cabeça dela. Aquela frase que ela falou errado na frente do chefe. Como eu fui burra! Ela pensando sem parar. Ela pega o celular, releu o e-mail que mandou depois tentando consertar e analisa cada palavra, procurando sinais de que está tudo perdido. O coração acelera e o sono esquece. Se você já passou uma madrugada assim, repassando, analisando, se punindo por algo que provavelmente ninguém mais lembra, você não está sozinho. O que está acontecendo com a Maria? Tem nome na psicologia, tem explicação e, principalmente, tem solução. Eu sou o Renan Daniel E nos próximos minutos você vai entender por que sua mente faz isso e como desativar esse modo de pensar. Por que sua mente mente para você o tempo todo? Ela na verdade acha que está te protegendo. Mas o resultado é simples você sofre por coisas que não são reais. Então vamos lá. Voltando para Maria às três da manhã, naquele momento, o cérebro dela está operando de um modo específico de pensamento automático. Nos anos sessenta, um psiquiatra chamado Aaron Beck descobriu algo muito interessante Quando as pessoas estão deprimidas ou ansiosas, a mente delas começa a narrar, a criar histórias sobre o porquê elas estão mal. E essas histórias sempre seguem um padrão Elas são catastróficas, negativas e Definitivas. Beck percebeu que a gente não sente emoções diretamente. A gente sente emoções baseadas no que a gente pensa sobre as situações. Então olha a diferença nessa situação. Fato. Maria falou algo errado em uma reunião. Pensamento automático Eu sou uma idiota. Todo mundo percebeu. E vão me demitir. A emoção que é gerada aqui é a ansiedade, vergonha e pânico. O fato, o fato, se você perceber, é neutro. Um erro de comunicação que acontece. Mas a mente da Maria transformou esse fato numa interpretação catastrófica e o corpo dela reagiu como se a catástrofe fosse real. Por isso o coração acelerado, por isso a insônia. E aqui está o pulo do gato. Pensamentos automáticos não são verdades, são interpretações. Beck identificou vários tipos de distorção e Maria está usando pelo menos três deles. Primeiro, a catástrofes são no sentido de vão me demitir. Então ela está prevendo o pior sem uma evidência. A generalização no sentido de eu sempre estrago tudo. Então percebam que um erro virou uma regra e a rotulação Eu sou uma idiota. Então ela está transformando uma ação que ela realizou em uma identidade. Pensamentos automáticos Eles aparecem instantaneamente, sem filtro e a gente acredita. Mas e se nós pudéssemos questionar? Já pensou nisso? Bom, voltando para Maria. Duas semanas depois, Maria está num consultório com sua psicóloga. É e a psicóloga pergunta Maria, quando você pensa eu sou um idiota? Você tem evidência disso ou está interpretando? Um silêncio fica. Você é uma idiota sempre em tudo. Ou você fez algo que considera idiota desta vez? A Maria automaticamente entra na defensiva, como todos nós, e fala Mas eu vi a cara das pessoas. A psicóloga responde Você leu a mente das vinte pessoas na sala? Um silêncio novamente. Maria. Você está confundindo possibilidade? Com certeza. Medo com fato. Em linhas gerais, a psicóloga explica A gente não consegue parar de ter pensamentos negativos, mas nós podemos questioná los. E o que a gente chama de questionamento socrático. Então, fazer perguntas que testam o nosso pensamento e avaliam se ele é verdade ou apenas uma interpretação. Então, o primeiro. A primeira pergunta é isso é fato ou interpretação? Então, por exemplo, eu sou uma idiota. Vamos pegar esse pensamento e uma interpretação, porque você está generalizando, né? Eu falei algo errado. Ah, isso é um fato. Falou mesmo. Então, o segundo é eu tenho evidência ou estou assumindo? Então você tem evidência de uma demissão a partir da situação? Nenhuma. Você está assumindo por medo, né? Então, sim, você está assumindo que que existe um risco que na verdade não existe, não existe o terceiro, isso é realidade ou a catástrofe imaginada. Então, realmente a realidade é um erro numa reunião. Você é isso é real? Aconteceu. Mas a catástrofe aqui é ser demitida, ser idiota, sempre errar. E aqui não é sobre pensar positivo, é testar contra a realidade. E quando você faz isso, o pensamento vai perdendo força, porque os pensamentos automáticos, eles normalmente não sobrevivem a esses questionamentos. E isso é muito interessante. Voltando para a Maria. Três semanas depois, a Maria acorda às três da manhã. Novamente o pensamento tenta entrar Você é uma idiota. Mas dessa vez ela pausa. Ah, isso é um pensamento automático. A primeira coisa que ela aprendeu a identificar não como verdade absoluta, mas compreender que isso é um pensamento. A primeira pergunta é isso é um fato ou interpretação? Ela faz uma respiração. O fato. Falei algo confuso. A interpretação. Sou uma idiota. Segunda pergunta Tenho evidência ou estou assumindo mais uma respiração? Não tenho evidência. Tenho um bom histórico. Fui promovida. Um erro não apaga tudo. E a terceira pergunta. Realidade ou catástrofe imaginada? Mas uma respiração. Catástrofe imaginada. Ninguém me demitiu. Eu estou criando um cenário que não existe. A partir disso, ela reformula esse pensamento. Então cometi um erro. Como todo ser humano, não sou perfeita. Posso melhorar sem me destruir. E com isso ela dorme. Não porque o pensamento sumiu, mas porque ela criou o espaço. É um espaço saudável entre o pensamento e a reação. Então, o corpo dela, a partir dessa afirmação, não precisa mais ficar em estado de alerta. Isso nós chamamos de reestruturação cognitiva. E você vai ver que eu fiz uma série com oito de oito episódios. Os oito episódios passados para cada sentimento. Então tem tristeza, medo, ansiedade. É muito interessante. Vai lá ver. E isso vai criando novos caminhos para o nosso cérebro. É a neuroplasticidade. Quando você. Quanto mais você treinar, mais automático fica essa reestruturação. Agora é sua vez. A técnica tem quatro passos, então. Passo um Identifique quando você sentir ansiedade ou tristeza intensa. Pergunte se qual pensamento passou pela minha cabeça? Pode ser Eu sou um fracasso. Ninguém me ama. Vai dar errado. Só identifica, Dá um nome e não luta contra o segundo. E questione três perguntas. As perguntas socráticas que eu falei, isso é fato. Interpretação segundo tem evidência ou estou assumindo? E o terceiro é realidade ou catástrofe imaginada? Eu tenho certeza que pelo menos oitenta por cento dos pensamentos não vão sobreviver a esses questionamentos. E por fim, faça que nem a Maria. Reformule, substitua o pensamento por um pensamento mais equilibrado. Então diz Sou um fracasso para falhei nisso. Mas também já tive sucessos de Ninguém me ama para nem todos demonstram como eu gostaria, mas algumas pessoas se importam. É realista, sabe? Não é um otimismo falso. É o passo quatro e respire. Parece simples, mas cinco respirações profundas inspira contando até quatro. Segura por dois e expira contando até seis. Você vai ver que nos episódios de reestruturação cognitiva eu fiz sempre isso no início e no fim do episódio, que é para você voltar para o presente, porque a espiral te joga para o passado ou para o futuro, mas você só existe agora. Agora, antes de você voltar, eu quero te falar uma verdade Você não é os seus pensamentos. Você é um observador dos seus pensamentos. A sua mente pode dizer Você é um fracasso mil vezes, mas você pode simplesmente não acreditar, não aceitar. Isso não é arrogância, é liberdade. Liberdade de ter pensamentos negativos sem ser controlado por eles. E essa liberdade começa com quatro passos identificar, questionar, reformular e respirar. Treina isso todos os dias. No começo vai parecer um pouco artificial, mas persiste porque daqui a algumas semanas eu tenho certeza que aquela voz cruel na sua cabeça ela vai estar mais baixa e a voz da razão mais alta. Então, se esse episódio te ajudou, compartilha com alguém que também precisa. Me segue nas redes sociais como podcast de psicologia. Toda semana eu trago mais ferramentas práticas e eu sou o Renan. Daniel E eu posso te falar sua mente é poderosa, mas você é mais poderoso que ela. Até a próxima e muitíssimo obrigado por ter ficado até aqui.
...more
View all episodesView all episodes
Download on the App Store

Podcast de PsicologiaBy Podcast de Psicologia