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A JAULA QUE VOCÊ NÃO VÊ
Em 1980, Bruce Alexander publicou o Rat Park e colocou em xeque décadas de pesquisa sobre dependência química. Ratos em ambiente enriquecido consumiam muito menos morfina do que ratos em isolamento. Lee Robins confirmou o mesmo em escala humana: apenas cerca de 12% dos soldados que desenvolveram dependência de heroína no Vietnã mantiveram esse padrão após o retorno. A substância era a mesma. O contexto, não.
Atendi pacientes que saíram de internações mais destruídos do que entraram — porque o modelo trata a pessoa como se ela fosse apenas o recipiente da substância. O vício aparece junto com isolamento, perda de propósito, uma vida que encolheu ao redor de alguém sem que essa pessoa soubesse nomear quando isso aconteceu.
A jaula não precisa ser de metal. A pergunta que fica — qual é a minha gaiola? — é o que me fez continuar na psiquiatria depois de três décadas.
REFERÊNCIAS
Alexander, B.K. et al. Psychopharmacology, 1980; 58(2):175–179.
Robins, L.N. et al. Archives of General Psychiatry, 1975; 32(8):955–961.
Robins, L.N. Addiction, 1993; 88(8):1041–1051.
Hughes, C.E. & Stevens, A. British Journal of Criminology, 2010; 50(6):999–1022.
Hari, J. Chasing the Scream. Bloomsbury, 2015.
Se gostou, compartilhe.
Se não gostou, sugira melhorias e temas no @drhamerpalhares.
Dr. Hamer Palhares
PS: Conteúdo de caráter meramente informativo.
@drhamerpalhares
By Hamer PalharesA JAULA QUE VOCÊ NÃO VÊ
Em 1980, Bruce Alexander publicou o Rat Park e colocou em xeque décadas de pesquisa sobre dependência química. Ratos em ambiente enriquecido consumiam muito menos morfina do que ratos em isolamento. Lee Robins confirmou o mesmo em escala humana: apenas cerca de 12% dos soldados que desenvolveram dependência de heroína no Vietnã mantiveram esse padrão após o retorno. A substância era a mesma. O contexto, não.
Atendi pacientes que saíram de internações mais destruídos do que entraram — porque o modelo trata a pessoa como se ela fosse apenas o recipiente da substância. O vício aparece junto com isolamento, perda de propósito, uma vida que encolheu ao redor de alguém sem que essa pessoa soubesse nomear quando isso aconteceu.
A jaula não precisa ser de metal. A pergunta que fica — qual é a minha gaiola? — é o que me fez continuar na psiquiatria depois de três décadas.
REFERÊNCIAS
Alexander, B.K. et al. Psychopharmacology, 1980; 58(2):175–179.
Robins, L.N. et al. Archives of General Psychiatry, 1975; 32(8):955–961.
Robins, L.N. Addiction, 1993; 88(8):1041–1051.
Hughes, C.E. & Stevens, A. British Journal of Criminology, 2010; 50(6):999–1022.
Hari, J. Chasing the Scream. Bloomsbury, 2015.
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Dr. Hamer Palhares
PS: Conteúdo de caráter meramente informativo.
@drhamerpalhares