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Nessa aventura pela célula, ainda não encontramos um caminho para responder: ‘é possível fazer uma pesquisa feminista com células?’ Nesse momento, estamos refugiadas dentro de uma Mitocôndria, uma estrutura celular responsável pela produção de energia, potencializando o funcionamento da célula. O tempo todo eu tava procurando um caminho novo para trilhar uma ciência feminista com células. E talvez, seja sobre olhar para trás e somar no movimento que já está em curso. Como nas respostas feministas à ciência discutidas pela Sandra Harding, a figuração de Haraway que nos convida a habitar nossa pesquisa e ficar com o problema, a clonagem feminista da Deboleena Roy que nos instiga a criar conexões e comunicações horizontais entre biologia molecular e feminismos, as estratégias de neurocientistas feministas descritas por Marina Nucci…
Não existe uma única forma de se fazer uma ciência feminista, uma saída específica, mas existem muitas entradas. O importante é continuar fazendo perguntas, experimentando e acumulando direcionamentos, dúvidas e possibilidades. Como o movimento dos elétrons vai se somando, se acumulando até produzir energia. Além de produzir energia para toda a célula, a mitocôndria tem seu próprio material genético e capacidade de formar outras mitocôndrias. Ela tem uma origem independente do resto da célula. Segundo Teoria da Endossimbiose, consolidada pela cientista Lynn Margulis, a origem das nossas células, como a que estamos mergulhada agora, só foi possível ao englobar uma outra célula, que deu origem a uma mitocôndria. Uma célula envolvendo outra célula em um abraço para seu interior.
Os estudos feministas têm suas próprias produções teóricas e métodos, como o DNA circular e o maquinário mitocondrial. É preciso juntar as contribuições e conhecimentos dos estudos feministas por meio de um diálogo interdisciplinar. A gente pode construir modelos e metodologias experimentais com células na pesquisa biomédica, a partir de uma inserção séria e robusta das categorias sexo e gênero. E assim, endereçar interesses das mulheres e diminuir iniquidades na saúde entre homens e mulheres. Finalmente, eu encontro um caminho para uma ciência feminista com células.
Vem comigo escalar as cristas da Mitocôndria?
Mais Informações
Transcrição completa do episódio
Currículo Aryella Maryah Couto Correa
Currículo Daniela Tonelli Manica
Currículo Bruno Paranhos
Materiais Extras
HARDING, Sandra G. The science question in feminism. Ithaca: Cornell University Press, 1986.
HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: Fazer parentes no Chthluceno. Trad. Ana Luiza Braga. São Paulo, SP: N-1 Edições, 2023.
HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 5, p. 7–41, 2009.
BENJAMIN, Ruha. People’s science: bodies and rights on the stem cell frontier. Stanford (Calif.): Stanford university press, 2013.
MARGULIS, L. Symbiosis in Cell Evolution. New York: W. H. Freeman; 1981.
NUCCI, Marina Fischer. “Não chore, pesquise!”: reflexões sobre sexo, gênero e ciências a partir do neurofeminismo. 2015. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2015.
ROY, Deboleena. Molecular Feminisms: Biology, Becomings, and Life in the Lab. Seattle: University of Washington Press, 2018. (Feminist technosciences).
Expediente de Produção
Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica
By MundaréuNessa aventura pela célula, ainda não encontramos um caminho para responder: ‘é possível fazer uma pesquisa feminista com células?’ Nesse momento, estamos refugiadas dentro de uma Mitocôndria, uma estrutura celular responsável pela produção de energia, potencializando o funcionamento da célula. O tempo todo eu tava procurando um caminho novo para trilhar uma ciência feminista com células. E talvez, seja sobre olhar para trás e somar no movimento que já está em curso. Como nas respostas feministas à ciência discutidas pela Sandra Harding, a figuração de Haraway que nos convida a habitar nossa pesquisa e ficar com o problema, a clonagem feminista da Deboleena Roy que nos instiga a criar conexões e comunicações horizontais entre biologia molecular e feminismos, as estratégias de neurocientistas feministas descritas por Marina Nucci…
Não existe uma única forma de se fazer uma ciência feminista, uma saída específica, mas existem muitas entradas. O importante é continuar fazendo perguntas, experimentando e acumulando direcionamentos, dúvidas e possibilidades. Como o movimento dos elétrons vai se somando, se acumulando até produzir energia. Além de produzir energia para toda a célula, a mitocôndria tem seu próprio material genético e capacidade de formar outras mitocôndrias. Ela tem uma origem independente do resto da célula. Segundo Teoria da Endossimbiose, consolidada pela cientista Lynn Margulis, a origem das nossas células, como a que estamos mergulhada agora, só foi possível ao englobar uma outra célula, que deu origem a uma mitocôndria. Uma célula envolvendo outra célula em um abraço para seu interior.
Os estudos feministas têm suas próprias produções teóricas e métodos, como o DNA circular e o maquinário mitocondrial. É preciso juntar as contribuições e conhecimentos dos estudos feministas por meio de um diálogo interdisciplinar. A gente pode construir modelos e metodologias experimentais com células na pesquisa biomédica, a partir de uma inserção séria e robusta das categorias sexo e gênero. E assim, endereçar interesses das mulheres e diminuir iniquidades na saúde entre homens e mulheres. Finalmente, eu encontro um caminho para uma ciência feminista com células.
Vem comigo escalar as cristas da Mitocôndria?
Mais Informações
Transcrição completa do episódio
Currículo Aryella Maryah Couto Correa
Currículo Daniela Tonelli Manica
Currículo Bruno Paranhos
Materiais Extras
HARDING, Sandra G. The science question in feminism. Ithaca: Cornell University Press, 1986.
HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: Fazer parentes no Chthluceno. Trad. Ana Luiza Braga. São Paulo, SP: N-1 Edições, 2023.
HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 5, p. 7–41, 2009.
BENJAMIN, Ruha. People’s science: bodies and rights on the stem cell frontier. Stanford (Calif.): Stanford university press, 2013.
MARGULIS, L. Symbiosis in Cell Evolution. New York: W. H. Freeman; 1981.
NUCCI, Marina Fischer. “Não chore, pesquise!”: reflexões sobre sexo, gênero e ciências a partir do neurofeminismo. 2015. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2015.
ROY, Deboleena. Molecular Feminisms: Biology, Becomings, and Life in the Lab. Seattle: University of Washington Press, 2018. (Feminist technosciences).
Expediente de Produção
Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica

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