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2025 foi o ano em que o Brasil viveu a operação policial mais letal de toda a sua história. Este é o assunto deste episódio do podcast “A saúde é coletiva”, da Abrasco. Para conversar com a gente sobre violência e segurança pública, convidamos a pesquisadora Jacqueline Muniz, professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF) e que ocupou funções dirigentes na área Segurança Pública no governo do Estado do Rio de Janeiro e Ministério da Justiça.
Com mais de 30 anos de trajetória nessa área, Jacqueline desmonta as narrativas que alimentam o medo social, explica como a lógica da guerra orienta políticas públicas ineficazes e defende que não existe saúde coletiva sem segurança pública democrática e baseada em rotinas protegidas.
“Segurança é rotina. Quando você sabota a rotina, você inviabiliza a vida das pessoas. O nosso problema não é falta de conhecimento. O nosso problema é político, e a nossa solução é política”, acrescenta.
Vale lembrar que a Abrasco é uma das entidades ale lembrar que a Abrasco é uma das entidades que assinaram o “ “Manifesto por uma Segurança Pública cidadã!”, que repudia a operação policial realizada em 28 de outubro de 2025 no Rio de Janeiro. O documento alerta que os impactos da violência armada no estado “vão muito além das estatísticas de criminalidade” e que “desembocam em um problema de saúde pública”, pelas diversas maneiras como a violência corrói o cotidiano e a vida das pessoas.
>>> Este é o último episódio da quarta temporada do podcast “A saúde é coletiva”, uma iniciativa da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), com produção da Rádio Tertúlia. Siga nosso canal no seu tocador de podcast preferido para ser notificado quando lançarmos a quinta temporada, em 2026.
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>>> Saiba mais:
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14º Abrascão: https://saudecoletiva.org.br/
Frente pela Vida repudia a violência e cobra transparência nas investigações das ações de segurança no Rio de Janeiro: https://abrasco.org.br/frente-pela-vida-repudia-a-violencia-e-cobra-transparencia-nas-investigacoes-das-acoes-de-seguranca-no-rio-de-janeiro/
>>> Ficha técnica
Roteiro, narração, edição e sonorização (Rádio Tertúlia): Beatriz Pasqualino.
Coordenação: Ártemis Caldeira Brant e Thiago Barreto (Abrasco), e Beatriz Pasqualino.
Comunicação e pesquisa (Abrasco): Daniel Lyra-Queiroz e Letícia Maçulo.
Relacionamento e Marketing (Abrasco): Clara Alonso e Rafaela Pinheiro.
Projeto Gráfico: Estúdio Massa.
Apoio de locução (Rádio Tertúlia): Joana Côrtes.
Em 2025, a Lei nº 8.080 de 1990, que regulamentou o Sistema Único de Saúde (SUS), completou 35 anos. A partir do artigo 196 da Constituição de 1988, que prevê a saúde como direito de todos e dever do Estado, e da Lei Orgânica da Saúde (8.080/1990), o Brasil construiu o maior sistema público com acesso universal do planeta.
O SUS promoveu uma revolução na atenção, promoção e prevenção em saúde, num país historicamente desigual e onde, até 1988, o acesso aos serviços de saúde era condicionado ao trabalho formal e contribuições previdenciárias. Trinta e cinco anos depois, mesmo sendo um marco democrático, quais desafios persistem?
Fruto de lutas e movimentos, como da Reforma Sanitária, e da participação de diversos atores além da Abrasco, o SUS se mostra uma construção ainda em curso. É com uma dessas figuras que a equipe do podcast da Abrasco conversou para este episódio: o médico sanitarista e pesquisador Gastão Wagner de Sousa Campos. Além de ex-presidente da Abrasco, Gastão também é professor titular do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“Se desconstruir a democracia, o SUS fica muito exposto”, declarou.
>>> Esta é a quarta temporada do podcast “A saúde é coletiva”, uma iniciativa da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), com produção da Rádio Tertúlia.
Novos episódios às terças-feiras alternadas.
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>>> Saiba mais:
Evento ‘14º Abrascão’
Lei nº 8.080 (1990)
Lei nº 8.689 (1993)
>>> Dica cultural do entrevistado:
Livro ‘Escrever é humano - Como dar vida à sua escrita em tempos de robôs’, de Sérgio Rodrigues (2025, Ed. Companhia das Letras)
>>> Ficha técnica
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Apoio de locução (Rádio Tertúlia): Joana Côrtes.
Hoje a nossa convidada especial do podcast é a indigenista Ivaneide Bandeira Cardozo, mais conhecida como Neidinha Suruí. Há décadas, ela luta em defesa dos direitos humanos, da floresta e dos povos indígenas na Amazônia. Neidinha tem formação em História e é mestra em Geografia. É também fundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé.
“A partir do contato com essa sociedade não-indígena, ela impõe ao indígena se vestir. E acaba com seu sistema alimentar porque introduz alimentação industrializada, e aí você fica viciado em açúcar, sal… E você adquire doenças, mas não tem dinheiro para tratar. E você ainda tem um processo de discriminação de vários lados e isso te atinge mentalmente”, conta ela.
Neidinha Suruí, por conta dessa luta em defesa dos direitos humanos, é hoje uma das ativistas mais ameaçadas do país, e vive sob proteção do Estado. “O que não é muito fácil porque você não pode sair por aí com tranquilidade, porque você não sabe de onde vem o ataque”, explica.
>>> Esta é a quarta temporada do podcast “A saúde é coletiva”, uma iniciativa da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), com produção da Rádio Tertúlia.
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Há décadas, o Brasil é apontado como um dos países mais desiguais do mundo. O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025 traz um retrato atualizado dessa realidade, mostrando onde avançamos, onde paramos e onde, infelizmente, retrocedemos. Do total de 43 indicadores analisados, 25 registraram avanços.
Esse relatório é produzido anualmente pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, do qual a Abrasco faz parte. E este é o assunto central de mais um episódio do nosso o podcast “A saúde é coletiva”.
Para conversar com a gente sobre esses números e também nos ajudar a traduzir o significado desses dados, entrevistamos a coordenadora do Observatório Brasileiro das Desigualdades, Aline Rocha.
Na área da saúde, por exemplo, o levantamento mostra que a taxa de óbitos por causas evitáveis aumentou entre 2021 e 2023, com homens e pessoas negras concentrando os piores resultados. Também a mortalidade até os 44 anos é mais alta entre homens negros, enquanto mulheres não negras vivem mais.
“Nesse caso das mortes evitáveis, temos a necessidade de ações como o fortalecimento de promoção da saúde, de prevenção de doenças, de diagnóstico precoce, de tratamento oportuno e adequado justamente para dar conta dessas desigualdades no cuidado, nas barreiras de acesso, nas condições de vida. No final das contas a gente está sempre falando de garantir acesso a direitos.”
Apesar de alguns avanços, os indicadores sociais revelam que o Brasil segue marcado por desigualdades regionais, afetando diretamente saúde, educação, segurança e condições de vida.
“Nada disso está dado. Nem a democracia, nem a saúde. Então, os dois precisam ser defendidos e trabalhados diariamente nos espaços onde qualquer um esteja, por exemplo, no trabalho das organizações da sociedade civil”, conclui.
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>>> Dica cultural do entrevistado:
Música “A cara do Brasil”, interpretada por Ney Matogrosso: https://tinyurl.com/s84zu4mv
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Neste episódio do podcast “A saúde é coletiva”, da Abrasco, vamos falar sobre um dos biomas brasileiros que mais tem sido devastado pelo avanço do agronegócio e sofrido graves impactos por mudanças climáticas: o Cerrado. Não por acaso trazemos este tema agora: 11 de setembro é o Dia Nacional do Cerrado, uma data que nos convida a refletir sobre a importância desse bioma, sua biodiversidade e o seu papel fundamental na regulação climática e na produção de água para o Brasil.
E é justamente no Cerrado - mais especificamente em Brasília - que vai acontecer o nosso 14º Abrascão, de 28 de novembro a 3 de dezembro de 2025. E a justiça climática é um dos temas desta edição do nosso congresso.
Por isso, convidamos para este episódio a jornalista Maryellen Crisóstomo, da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins, afiliada à Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq). “As mudanças climáticas, no estágio em que estão são mais uma violência contra os corpos negros, os corpos não-brancos que habitam o Cerrado brasileiro”.
Ela é quilombola do território Baião, que fica no município de Almas (TO), é ativista climática na luta contra o racismo ambiental, é mestranda em Letras, além de ser graduanda em Direito. “Meu território está sendo explorado pela mineração, mas não perguntaram [para nós] em nenhum momento, não houve consulta [prévia]. Então, está em jogo a minha segurança física, minha segurança alimentar, a sobrevivência do meu território para que o mundo adote energia eólica às custas da minha família, da minha história”, conta.
O Cerrado é o segundo maior bioma do país e abrange a região conhecida como Matopiba, uma das principais fronteiras agrícolas do país. Só em 2023, foram 1 milhão de hectares de mata desmatados no Cerrado, o que equivale a 1 milhão de campos de futebol. O dado é do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
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>>> Dica cultural da entrevistada:
YouTube da banda de rap quilombola “Realidade Negra”: https://www.youtube.com/@RealidadeNegra
Livro “Mulheres quilombolas: territórios de existência negras femininas”, organizado por Selma dos Santos Dealdina (Jandaíra Editora): https://www.editorajandaira.com.br/mulheres-quilombolas
>>> Ficha técnicaRoteiro, narração, edição e sonorização (Rádio Tertúlia): Beatriz Pasqualino.
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Hoje chamamos um dos maiores pensadores do Brasil para discutir o racismo e suas consequências. Nosso entrevistado especial do Podcast “A saúde é coletiva”, da Abrasco, é o sociólogo e pesquisador Muniz Sodré, referência internacional na área da comunicação .
“Os corpos raciais foram sempre aqueles postos a trabalhar, suscetíveis à escravização. A racialização dos corpos se faz pela diferença de um padrão de branquitude universal, que a Europa instituiu. Portanto, a diferença de um corpo racial e um corpo social se mantém hoje e ultrapassa a condição dita negra”, comenta.
Sodré é professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) , imortal da Academia de Letras da Bahia desde 2019 e atualmente colunista da “Folha de S. Paulo”. Ele já escreveu dezenas de livros, entre eles as obras “Pensar Nagô” e “Fascismo da Cor: uma radiografia do racismo nacional”, ambas à venda na Livraria da Abrasco na loja online ou na física que fica no Campus Manguinhos da Fiocruz, no prédio da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), no Rio de Janeiro.
Para ele, para avançar no combate ao racismo, é preciso ter interlocução com quem está nos territórios nacionais e inovar no discurso. “A atitude progressista passa pela comunicação progressista, pela comunicação da não-violência. O discurso é chave. Por que a direita cresceu tanto no país? Porque encontrou chaves discursivas, que podem ser enganadoras, mas são chaves”, opina.
>>> Esta é a quarta temporada do podcast “A saúde é coletiva”, uma iniciativa da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), com produção da Rádio Tertúlia.
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>>> Dica cultural do entrevistado:
Documentário “3 Obás de Xangô”, dirigido por Sérgio Machado (2024; 77 minutos). Trailer oficial: https://www.youtube.com/watch?v=KgsxWarT3Ls
>>> Ficha técnicaRoteiro, narração, edição e sonorização (Rádio Tertúlia): Beatriz Pasqualino.
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Hoje o podcast “A saúde é coletiva”, da Abrasco, vai falar sobre a notícia recente da saída do Brasil do Mapa da Fome, indicador da Organização das Nações Unidas (ONU). O resultado analisa dados de 2022, 2023 e 2024. O Brasil ficou abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.
Para ajudar a entendermos melhor este assunto, a entrevistada especial do episódio é a pesquisadora Elisabetta Recine, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) - cargo que ela ocupa pela segunda vez.
“Tivemos reduções importantíssimas. É legítimo e justo nós celebrarmos essas vitórias e resultados. Mas, ao mesmo tempo em que celebramos, precisamos olhar para essa resistência da desigualdade. A gente precisa conseguir agir nas raízes das desigualdades, que estão na questão de raça, gênero, terra e território”, explica Elisabetta.
Em 2014, o Brasil já havia conseguido sair do Mapa da Fome, e sustentou essa posição até 2018. Infelizmente, em 2019 - quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência da República - o país voltou para o mapa, confirmando uma tendência de crescimento da insegurança alimentar e nutricional. Aliás, em 2019 Bolsonaro até extinguiu o Consea. “Desigualdade, pobreza e fome só vão desaparecer com a manutenção, expansão e aprofundamento da democracia. É o único caminho”, conclui Elisabetta.
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Relatório “The state of food security and nutrition in the world 2025 - Addressing high food price inflation for food security and nutrition” (FAO/ONU): https://openknowledge.fao.org/items/ec3dbd70-164c-483d-9fa2-2346284d67c8
Mapa da Fome 2025 (FAO/ONU) - versão interativa: https://www.fao.org/interactive/hunger-map/en/
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>>> Dica cultural do entrevistado:
Livro “Tudo é rio”, escrito por Carla Madeira (2021; Ed. Record): https://www.record.com.br/produto/tudo-e-rio/?srsltid=AfmBOoohxd804h-yeaXXSS8AFXgWIBzbeFKyDQvnjcYLELl-xOEroF53
Livro “Oração para desaparecer”, escrito por Socorro Acioli (2023; Ed. Companhia das Letras): https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559215706/oracao-para-desaparecer?srsltid=AfmBOoqeb0vLatnA69KfnxUxxImrQMck4dpVrFrEkCNWQ0wSZ6mpIXSn
>>> Ficha técnica
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As Unidades Básicas de Saúde do Brasil (UBS) participaram de um amplo e profundo diagnóstico liderado pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Abrasco. É o Censo Nacional das UBS, que foi realizado em 2024 e cujos resultados começaram a ser divulgados agora em 2025.
Este é o assunto central do nosso episódio de hoje, que inaugura a quarta temporada do podcast “A saúde é coletiva”, da Abrasco. Nosso entrevistado especial participou da coordenação do Censo: Luiz Augusto Facchini. Ele é professor titular do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal de Pelotas e coordenador da Rede de Pesquisa em Atenção Primária de Saúde, da Abrasco, de onde já foi presidente.
“A própria realização do Censo é algo a se destacar. Ele foi feito em tempo recorde e é bastante detalhado. Temos muitos pontos positivos a comemorar. Temos, claro, também, muitas preocupações e desafios que precisam ser enfrentados. Agora, cada município pode ter informações muito valiosas sobre a característica de cada serviço da sua rede e aí fazer os investimentos e esforços necessários”, comenta Facchini.
O Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde foi conduzido pela pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps), do Ministério da Saúde, em parceria com a Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde da Abrasco, com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da Organização Panamericana da Saúde (Opas). Você pode acessar aqui a versão preliminar do Sumário Executivo do Censo.
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>>> Dica cultural do entrevistado:
Livro “Acesso e qualidade na Rede Básica de Saúde do Brasil: Análise comparativa dos três ciclos da Avaliação Externa do PMAQ-AB 2012-2018”, organizado por Luiz Augusto Facchini, Elaine Tomasi e Elaine Thumé (Ed. Oikos) - ebook de acesso gratuito:
https://dms.ufpel.edu.br/site/wp-content/uploads/2021/11/Acesso-e-qualidade-na-atenc%CC%A7a%CC%83o-ba%CC%81sica-E-book.pdf
Documentário “Sicko”, de Michael Moore (2008): https://www.youtube.com/watch?v=YbEQ7acb0IE
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Hoje o podcast “A saúde é coletiva”, da Abrasco, vai discutir o que tem gerado intensos debates no Congresso, nas redes sociais e nas ruas: o Projeto de Lei (PL) nº 2.159/2021, que ficou conhecido como “PL da Devastação”, pois altera o marco do licenciamento ambiental no país. Quem conversa sobre isto neste episódio é a Alice Dandara de Assis Correia, advogada do Instituto Socioambiental (ISA). Ela é especialista em Direito Penal e Criminologia, com foco em direitos humanos e mestra em Planejamento Urbano pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Enquanto este episódio vai ao ar, o “PL da Devastação” - que é considerado “grave retrocesso” pela Abrasco - pode entrar em votação a qualquer momento. “Este último ano tem sido considerado como o pior momento socioambiental desde o período da Constituinte. A gente tem visto uma série de ataques direcionados à pauta indígena, quilombola e - como consequência - à pauta ambiental, como o projeto de licenciamento ambiental que está em tramitação no Congresso”, avalia Alice.
Por meio do GT Saúde e Ambiente, a Abrasco divulgou nota pública recentemente em que manifesta forte preocupação com os impactos do possível desmonte do licenciamento ambiental no Brasil, em especial diante da tramitação do PL. O documento alerta que a aprovação do PL pode fragilizar ainda mais os direitos de populações historicamente vulnerabilizadas, como comunidades indígenas e quilombolas, além de comprometer a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) na prevenção de riscos e na promoção de territórios saudáveis. Leia a íntegra da nota aqui.
Neste episódio, Alice explica que a proposta do PL pode criar situações em que “a manifestação de autoridades não será vinculada ao resultado final do licenciamento [ambiental]. Por exemplo, a Fundação Nacional de Saúde pode apontar que não dá para fazer determinado empreendimento numa área porque pode atingir uma comunidade. [Com o PL] Isso significa que esta manifestação não fica vinculada e a autoridade licenciadora pode falar ‘a gente vai fazer sim [o empreendimento]’”.
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>>> Dica cultural da entrevistada:
Documentário “Cubatão: o Vale da morte” (50 minutos; 1987): https://www.youtube.com/watch?v=6t4A3lyY4A8
Livro “A terra dos mil povos: História indígena do Brasil contada por um índio”, escrito por Kaká Werá Jecupé (Ed. Peirópolis, 2020): https://www.editorapeiropolis.com.br/produto/a-terra-dos-mil-povos/
>>> Ficha técnica
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Chegou mais um episódio do podcast “A saúde é coletiva”, da Abrasco, e hoje o tema é democracia, jornalismo e desigualdade sociais. Como o jornalismo influencia a percepção pública sobre injustiças estruturais e acesso a serviços essenciais?
Para falar sobre este assunto, convidamos a jornalista Fabiana Moraes, pesquisadora de mídia, poder, raça e hierarquização social, e professora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Se a gente está falando em democracia e quer combater a pobreza, - como os jornais falam -, que pautas a gente está fazendo?”, comenta Fabiana.
Entre os sete livros escritos por ela está “A pauta é uma arma de combate”, publicado pela Arquipélago Editorial. Aliás, este livro está à venda na Abrasco Livros e quem é associado tem desconto especial (saiba mais). Fabiana Moraes é mestra em Comunicação e doutora em Sociologia (ambos pela UFPE) e já venceu três Prêmios Esso de Jornalismo.
Neste episódio, Fabiana discute como a cobertura midiática pode reforçar estereótipos que culpabilizam populações vulneráveis e o que isso tudo tem a ver com democracia. “A gente não pode pensar num fortalecimento democrático que vai se dar especificamente através de uma melhoria da imprensa, por exemplo. A imprensa é fundamental, mas a escola, a saúde, a comunicação da saúde também são fundamentais”, comenta.
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14º Abrascão: https://saudecoletiva.org.br/
Livro “O nascimento de Joyci: transsexualidade, jornalismo e os limites entre repórter e personagem”, por Fabiana Moraes (Ed. Arquipélago): https://www.livrariaarquipelago.com.br/o-nascimento-de-joicy-fabiana-moraes
>>> Dica cultural da entrevistada:
Livro “Gente ultraprocessada: Por que comemos coisas que não são comida, e por que não conseguimos parar de comê-las”, por Chris van Tulleken (Ed. Elefante, 2024).
Livro “Funk sem cortes: um diálogo contemplativo”, por Bell Hooks e Stuart Hall (Ed. WMF Martins Fontes, 2024).
>>> Ficha técnica
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