Escriba Cafe

À tudo que passa


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Nos acostumamos a tudo. Essa antiga afirmação, mais do que empiricamente comprovada, é praticamente um complemento a “tudo passa”.

E tudo passa.

O conhecimento subjetivo de nossos antepassados parece nos trazer verdades universais, porém, muitas vezes, inconvenientes — e, ao mesmo tempo, confortantes.

Tudo passa. Mas essa é exatamente a beleza e a desgraça do tempo. Tudo passa: a dor, a decepção, a tristeza. Mas, na mesma velocidade, passam também a alegria, as boas lembranças, o bem-estar e a prosperidade. E, então, nos acostumamos a tudo.

Nos acostumamos à dor, à doença, ao sofrimento, à pobreza e ao abandono. No entanto, nos acostumamos ao amor, à bonança, à companhia, ao abraço…

Mas, tudo passa.

Essa verdade nos traz uma certeza: é preciso aproveitar tudo, antes que passe. Deixar para trás o que passou, aproveitar as boas lembranças enquanto ainda estiverem ali e pavimentar o caminho para o que está por vir e, certamente, também vai passar.

Estamos de carona nessa cósmica pedra perambulante. E ela, também, um dia vai passar. Vivemos numa longa, mas implacável, contagem regressiva. Desde que começamos a bisbilhotar o universo e entender um pouquinho seu funcionamento, começamos a modificar a história: não buscamos entender só o passado, mas também o futuro.

Desde cada uma de suas minúsculas células até todo o universo: tudo possui uma contagem regressiva. E, nessa escala, alguns itens passarão muito mais rápido que outros.

Você vai passar, eu vou passar, nós todos passaremos. Menos Mário Quintana: ele, passarinho.

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Escriba CafeBy Christian Gurtner