Em casa somos dois empreendedores, trabalhando em casa, com crianças de 4 e 7 anos, apenas com a escola como rede de apoio. Depois de superados os desafios maiores de lidar com os pequenos em aulas online e buscar produtividade em meio ao caos, muitas impressões e crenças vamos criando em suas mentes com nossa rotina e preocupação frequente com o trabalho. Por vezes estamos lidando com os finais de semana da mesma forma que nos dias da semana, sempre "no trabalho", sempre "ocupados". As crianças chamam e a gente fala "espera um minuto", "agora não posso", "assiste um desenho que daqui a pouco a gente brinca". Como eles estão elaborando o significado de "TRABALHO".
Empreender trás liberdade, mobilidade, e as vezes uma falsa impressão de que teremos mais tempo para os filhos e para o lazer. E quando nos damos conta somos cobrados pelas crianças a deixar o celular de lado e sair do escritório para dar atenção a eles. O lado bom é que quando estamos despertos, percebemos as sutilezas das mensagens que as crianças nos passam, como brincam e como nos imitam nas brincadeiras. Nessa tomada de consciência podemos tentar conciliar melhor nosso tempo, criar uma rotina com momentos de atenção integral, de brincar juntos, alimentando o vínculo e fortalecendo o pertencimento da criança no contexto familiar. O mais importante nesse contexto é não entrar na culpa, na autocobrança, nem se achar uma "péssima mãe" (ou pai). Saber ensinar aos filhos que temos hora de estudar, de brincar, de trabalhar e de descansar. Que imprevistos podem atrapalhar a rotina e tudo bem, tudo faz parte da vida. E que parar também é importante. Estar presente com as crianças, sem interferências, fortalecendo os laços de amor que nos unem, nos permitirão maior criatividade, suavidade e alegria em nossas atividades profissionais. Não podemos perder esses anos da primeira e segunda infância que passam quase como um tornado em nossas vidas. É AGORA, nessa fase, que estão sendo formados valores, crenças e sentimentos que influenciarão diretamente nas próximas fases que virão. Precisamos aprender com eles!