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ADORADORES DO DEMÔNIO?


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Como os maçons passaram a ser acusados de adorar Bafomé

O caráter secreto da Maçonaria, com práticas mantidas em sigilo e reservadas apenas para os escolhidos pela Ordem, e sua independência política e religiosa levou as forças da ordem vigente a combatê-la. Por meio de perseguições e de propaganda, as monarquias e o clero procuraram neutralizar a força maçônica em sua busca para transformar o mundo. Dessa forma, os maçons acabaram tendo a reputação de subversivos e, até mesmo, de perigosos.

As Igrejas, particularmente, procuraram instilar em seus fiéis um verdadeiro temor pela ordem maçônica. Já nos primeiros momentos da moderna Maçonaria, no século 18, as autoridades religiosas de todas as vertentes cristãs se esforçaram para detê-la através de uma intensa campanha de desinformação.

Afirmaram que a nova ordem mundial dos maçons seria o reino do demônio. Em pouco tempo, eles foram considerados “hereges” e, mais veementemente, “satanistas”. Seus ritos secretos foram estereotipados, exagerados, fantasiados.

A acusação de satanismo envolve a idéia de um pacto diabólico ou a invocação de espíritos malignos – daí o termo. De acordo com a Enciclopédia Católica, num senso restrito, o satanismo é compreendido como “uma interferência no curso natural da natureza física através de recitação de fórmulas, gestos, poções etc., cujo conhecimento é obtido através da comunicação com forças latentes do universo (Deus, o Diabo, a Alma do Mundo)”

A força dos maçons viria, segundo o clero, dos sacrifícios rituais que realizavam. A Igreja Católica já havia dedicado várias obras ao estudo do satanismo, catalogando diversas cerimônias satânicas de invocação, todas manipulando energias vitais poderosas, como sangue e sexo. Baseando-se nesses rituais e na origem templária da Maçonaria, Roma acusou os maçons de serem adoradores de um ídolo peculiar: Bafomé.

Origem do mito

Depois de pouco mais de dois séculos de existência, os precursores dos maçons, os Cavaleiros Templários, adquiriram grandes conhecimentos e riquezas materiais durante o período em que defenderam a Terra Santa. Uma das atividades adotadas e desenvolvidas pelos templários foi a bancária. Aprendendo com os judeus e muçulmanos, a Ordem do Templo de Salomão se tornou o primeiro banco europeu. Financiando as guerras dos reis do continente, logo os templários tinham a monarquia endividada em suas mãos. Acabaram se tornando mais poderosos do que o Papa. Dessa forma, atraíram sobre si a fúria de Roma e de seus devedores.

O rei da França estava extremamente endividado e se aliou ao Papa Clemente V para derrubar os templários. O golpe foi extremo. Na sexta-feira 13 de outubro de 1307, o rei Felipe, o Belo, aprisionou de uma só vez mais de 600 dos três mil templários no país

Esses prisioneiros foram interrogados sob tortura e produziram confissões que corroboraram as superstições que pairam sobre a ordem maçônica até hoje. As informações arrancadas foram resultado do uso de força, da dor e da imaginação dos inquisitores.

Os templários foram acusados de forçar seus iniciados a cuspir na cruz e a se tornarem homossexuais. Isso, porém, não corresponde à realidade. Uma antiga cópia da Regra Templária relata um caso de sodomia entre membros num castelo da Terra Santa. A punição foi dura: o grupo inteiro foi dispensado, e os acusa- dos, executados.

Trinta e seis dos templários de Paris morreram torturados poucos dias depois da sua prisão, e os que sobreviveram não resistiram às torturas e confessaram a miscelânea de fantasias diabólicas e sexuais que os inquisitores criaram. O último grão-mestre templário, Jacques de Molay, também confessou heresias e abominações sob tortura. Confirmou que os templários adoravam o diabo na forma de um gato, na presença de jovens virgens e de demônios femininos.


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Malhete PodcastBy Luiz Sérgio F. Castro