Deixei Cabo Verde, terra da ‘morabeza’, já cheio da ‘sodade’ que tão bem nos cantava Cesária Évora. Para trás, ficaram 15 intensos dias de reuniões, celebrações, visitas e encontros… razões de ser de mais esta viagem missionária a Cabo Verde, lá onde os Espiritanos chegaram há mais de 80 anos. Tive a oportunidade de dar várias voltas à Ilha, que começa na Praia e termina no Tarrafal, podendo chegar-se ali pela estrada litoral ou atravessando a serra da Malagueta.
Há marcas que me ficam impressas na alma cada vez que deixo Roma e parto ao encontro dos meus confrades espalhados pelo mundo. O país está extremamente seco, já a rezar pela chuva que não pode tardar, pois não há água, a não ser a do mar, uma vez que até os poços já só dão água salgada.
Este país está calmo, politicamente estável e em franco desenvolvimento. Os indicadores mais fiáveis são as estradas boas, o aumento de construção de qualidade, as novas Universidades, o tecido empresarial em crescimento. Mas, como preocupação, impressiona o número de jovens e menos jovens que lutam por um lugar no ‘agendamento’ das embaixadas para obter vistos e sair…
Marcaram-me muito as celebrações em que participei: multidões de fiéis, animação litúrgica cuidada e vibrante, fraternidade nas refeições partilhadas que enchiam de festa os adros das Igrejas ou os terreiros escolhidos para as missas.