Ainda-Não: Sociologia e Utopia

Ainda-Não: Sociologia e Utopia

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Ainda-Não: Sociologia e Utopia episodes

  • 17. Paula Guerra

    Paula Guerra é investigadora integrada do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto e professora do Departamento de Sociologia da FLUP. Fundadora e coordenadora da rede "Todas as Artes" e da conferência KISMIF, tem desenvolvido extensa investigação sobre culturas e subculturas, juventudes, criação artística e práticas culturais alternativas. Nesta conversa, refletimos sobre culturas musicais DIY e underground, o papel da arte e do artivismo na crítica e transformação social, e sobre práticas culturais que habitam o espaço entre a existência e a resistência, a utopia e a distopia.

    32 min
  • 16. Inês Maia

    Inês Maia é investigadora integrada do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto e atualmente integra a equipa do Observatório Social de Gaia. A sua tese de doutoramento centrou-se no fenómeno da praxe no ensino superior. Com base nessa experiência e também na sua militância na ABIC – Associação de Bolseiros de Investigação Científica –, Inês reflete sobre a precariedade, a competitividade e as relações de poder na academia, reafirmando a importância da democracia, da igualdade e da dignidade. Inspirada por Eduardo Galleano, entende a utopia como um horizonte que nos orienta e nos convida a caminhar. Idealiza, assim, uma universidade mais democrática e livre, onde o diálogo e o pensamento crítico sejam permanentemente estimulados.

    19 min
  • 15. Seth M. Holmes

    Seth M. Holmes, da Universidade de Califórnia - Berkeley, é médico e antropólogo cultural cujo trabalho se centra, em termos gerais, nas hierarquias sociais, nas desigualdades na saúde e nas formas como essas assimetrias são naturalizadas, normalizadas e combatidas. Aproveitando a sua estadia de investigação no ISUP, foi entrevistado para o 15.º episódio do podcast “Ainda-Não: Sociologia e Utopia”. Nele, fala-nos do seu extenso trabalho etnográfico junto de trabalhadores migrantes agrícolas nos EUA e também de violência, desumanização e das guerras que assolam o mundo. Considera que a esperança é o motor que o faz persistir e estar junto das pessoas e grupos mais vulneráveis, numa luta por relações sociais mais justas.  Utopia é, para ele, uma forma de democracia concreta em que as prioridades, vozes e perspetivas de todos/as são levadas em conta e ninguém é silenciado.

    30 min
  • 14. Isabel Dias

    Isabel Dias é investigadora do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto e professora catedrática na FLUP. A sua atividade de investigação tem-se centrado na problemática da violência doméstica e de género, envelhecimento, abuso de idosos, trabalho feminino e saúde ocupacional. Neste episódio do podcast Ainda-Não: Sociologia e Utopia, fala-nos da sua trajetória pessoal e de como a consciência de classe e de género, desde cedo, marcou as suas escolhas no campo da sociologia, destacando a importância da relação entre cidadania, conhecimento e emancipação. Mais do que de utopia, considera que é o conceito de “paradoxo” que tem guiado a sua pesquisa. Face aos tempos “ameaçadores” em que vivemos, defende que a promoção da igualdade, da democracia e dos direitos humanos seja um exercício diário, nunca os tomando como garantidos.

    22 min
  • 13. Peter Mayo

    Autor de 20 livros e de mais de 100 artigos ou capítulos, Peter Mayo é professor na Universidade de Malta, onde foi presidente do Departamento de Artes, Comunidades Abertas e Educação de Adultos e do Departamento de Estudos da Educação. É, também, responsável pela UNESCO Chair in Global Adult Education sediada na mesma universidade. Para si, um mundo socialmente justo tem de “transcender” o sistema capitalista, que é essencialmente um sistema de exploração. A luta contra todos os tipos de exploração começa, segundo o próprio, pela reflexão “sobre si mesmo” e o quanto explora outras pessoas “na vida quotidiana” ou “nas relações familiares”. O fim do racismo e as alterações climáticas são os outros dois pontos fundamentais, para si, na luta por um mundo mais justo, mais próximo da “utopia”. Autor de Gramsci, Freire e a Educação de Adultos, Peter Mayo defende uma utopia ecossocialista de “harmonia na biodiversidade”, prolongando a unidade na diversidade defendida por Paulo Freire, defendendo o respeito pela individualidade de cada um na vida social coletiva e pela relação entre a humanidade e a natureza.

    33 min
  • 12. Gissele Alves

    Gissele Alves é docente do Instituto Federal de Brasília/IFB, membro do Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília e dos grupos de pesquisas GECRIA - Educação crítica e autoria criativa e Linguagem e Práticas Sociais. É, também, investigadora em Estudos Críticos do Discurso, Estudos Críticos do Letramento e Sociologia da Educação e da Juventude, com foco em construções identificacionais, representações discursivas, discursos do letramento, educação superior e juventudes. A analista do discurso movimenta-se, há três décadas, num campo interseccional entre língua e sociedade, situando-se nos “estudos críticos do discurso” que a trouxe para a área dos estudos sociológicos e do conflito social. Considera-se como uma “realista esperançosa”, defendendo a posição utópica de “assumir ontologicamente que a vida social é um sistema aberto” e “passível de mudança por meio da agência” que, considera, é uma “força criativa”.

    15 min
  • 11. Maria do Mar Pereira

    Socióloga, etnógrafa, feminista, é co-diretora do Centre for the Study of Women and Gender da Universidade de Warwick, Reino Unido. Foi aí que encontrou um espaço onde consegue discutir e negociar a “suposta dicotomia entre a cientista e ativista”. Preocupada com os retrocessos em termos de género e sexualidade, pela polarização e proliferação de discursos simplistas e imediatos, centra o seu trabalho na complexidade das relações de poder (nomeadamente, no âmbito das questões de género). Sente falta de espaço para o aprofundamento de temas, para o debate. Considera que o conhecimento sobre as contradições sociais e sobre as dimensões invisíveis dos fenómenos (tudo aquilo que acontece debaixo da superfície) é fulcral para transformar a sociedade. A sua prioridade é “pensar numa forma de apaixonar as pessoas pela complexidade” e fazer perceber que não há “uma resposta que vai servir para tudo”, sendo “preciso estar sempre a aprender”.

    19 min
  • 10. Cláudia Marisa

    Cláudia Marisa é investigadora integrada do IS-UP e professora na ESMAE - Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo. Transitando entre a sociologia e a arte – que, no seu entender, partilham um olhar semelhante sobre o mundo – Cláudia fala-nos das suas inquietações: as desigualdades, a segregação, a desumanização. Ao contrário do "distanciamento brechtiano" que tinha por objetivo acordar e agitar o público, diz-nos que as novas formas de distanciamento e alienação têm servido para nos adormecer. Vê na sociologia um "ato de utopia" e aspira a uma sociedade em que o ser humano não seja somente um "número no Excel". Deseja que se possa recuperar a sensibilidade e possamos ter tempo para contemplar, brincar ou, simplesmente, existir. 

    18 min
  • 9. Manuel Sarmento

    Manuel Sarmento é professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade do Minho e uma das referências mais importantes da Sociologia da Infância, dedicando grande parte da sua pesquisa ao estudo das identidades e culturas infantis. Nesta conversa, reforça a dimensão política da participação, evocando movimentos coletivos de crianças em várias partes do globo. Salienta também as lacunas que persistem na garantia de direitos plenos às crianças, evocando a necessidade de políticas públicas integradas que contem com o seu envolvimento efetivo.

    21 min
  • 8. Lígia Ferro

    Lígia Ferro é professora auxiliar do Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto, tendo sido recentemente eleita presidente da Associação Europeia de Sociologia. Neste episódio reflete sobre algumas das suas inquietações: o impacto da pandemia no aprofundamento das desigualdades sociais; a crise de confiança na ciência e nas instituições políticas; a falta de autonomia das crianças na vivência da cidade ou o desinvestimento na educação artística nos currículos formais e informais.

    15 min

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Em tempos de crise e de perplexidade, que utopias nos podem valer? Como seria uma sociedade mais justa? Que papel tem cada um/a de nós na sua construção? Partindo do conceito de Ernst Bloch - "ainda-não" - conversamos com sociólogos e sociólogas em torno de propostas concretas para um mundo melhor.