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O que acontece quando a vida que construímos com tanto empenho deixa de fazer sentido para quem estamos nos tornando?
Aos 32 anos, Ana Lu Nahas já viveu algumas transformações profundas. Depois de construir uma carreira de sucesso no mercado de comunicação e influência digital, passando por grandes empresas e experiências internacionais, encontrou-se diante de uma escolha: continuar seguindo um caminho profissional promissor ou abrir espaço para descobrir outras possibilidades de vida.
Escolheu experimentar o desconhecido.
De volta ao Brasil, Ana Lu transformou sua própria jornada de autoconhecimento em uma nova atuação profissional, dedicada a acompanhar mulheres em seus processos de transformação pessoal e profissional. Dessa experiência nasceu o Travessia, uma imersão presencial para mulheres que desejam repensar seus caminhos e iniciar novos ciclos.
Nosso diálogo percorreu temas como identidade, carreira, ambição, protagonismo feminino, autoconhecimento e a difícil arte de conviver com a incerteza.
Conversamos também sobre os desafios das mulheres no ambiente corporativo, a necessidade de humanizar as relações de trabalho e um aparente paradoxo contemporâneo: quanto mais avançamos tecnologicamente, mais precisamos cultivar nossa capacidade de conexão humana.
Uma reflexão particularmente interessante surgiu quando falamos sobre a distância entre homens e mulheres nos movimentos de autoconhecimento e transformação pessoal. Enquanto muitas mulheres parecem estar protagonizando essas mudanças, onde estão os homens nessa travessia?
Ana Lu representa uma geração que começa a questionar modelos tradicionais de sucesso, sem necessariamente abrir mão da ambição, da realização profissional ou da vontade de transformar o mundo.
Talvez uma das ideias mais inspiradoras dessa conversa esteja numa descoberta que ela compartilhou comigo:
“Existe uma sabedoria na incerteza.”
Um diálogo sobre a coragem de mudar, a liberdade de experimentar e a possibilidade de construir uma vida em que o trabalho esteja a serviço de quem somos — e não o contrário.
— MAU & GePeTo
Há pessoas que passam pela nossa vida tentando ensinar alguma coisa. E há aquelas que, de alguma maneira, mudam nossa relação com aprender.
Joyce Menasce — a Jó — pertence ao segundo grupo.
Antes desta conversa, pedi a alguns de seus ex-alunos e familiares que me contassem um pouco sobre a experiência de terem passado por sua casa. As palavras que apareceram foram curiosamente parecidas: mágica, milagre, carinho, disciplina, cuidado, transformação.
E havia uma imagem recorrente: uma mesa cercada de crianças e jovens de diferentes idades, escolas e séries, cada um estudando uma matéria diferente, enquanto Joyce circulava entre matemática, literatura, biologia, filosofia, angústias, provas, inseguranças — e, claro, alguma coisa gostosa para comer.
“Que mágica é essa?”, perguntei.
A resposta talvez seja muito mais simples — e mais profunda — do que qualquer método pedagógico.
Para Joyce, antes do conteúdo vem a pessoa. Antes de perguntar o que o aluno não sabe, é preciso entender o que está acontecendo com ele. Escutar. Descobrir onde surgiu a dificuldade, como ele se relaciona com a escola, com os professores, com os colegas e até onde se senta na sala de aula. O conteúdo, ela diz, vem depois.
E cada pessoa tem seu próprio tempo.
“Um 7 pode valer mais do que um 10”, diz Joyce. Porque educação não deveria ser uma competição baseada em uma régua única. “O foco não sou eu. O foco é você, é o seu tempo.”
Conversamos também sobre um desafio cada vez mais presente: nossa dependência das telas, da busca instantânea, do copiar e colar e, agora, da inteligência artificial. Joyce não rejeita o mundo digital. Mas insiste que ele seja ferramenta, e não substituto da capacidade de pensar. Seus alunos podem pesquisar, mas precisam reescrever com suas próprias palavras e depois explicar o que compreenderam.
Talvez aí esteja uma das provocações mais atuais desta conversa: quanto mais máquinas capazes de pensar, escrever e responder colocamos ao nosso redor, mais importante se torna preservar nossa própria capacidade de pensar, escrever, perguntar, compreender e criar.
Mas há ainda outra característica da Joyce que sempre me chamou atenção.
Ela acolhe — e coloca bordas.
Tem carinho, comida, conversa, histórias e afeto. Mas também tem disciplina, responsabilidade e um “não” quando o não precisa existir. Joyce não vê essas coisas como contraditórias. Pelo contrário: a borda também pode ser uma demonstração de amor.
Talvez por isso tantos alunos continuem ligados a ela décadas depois.
Minhas filhas passaram pela casa da Joyce. Hoje, muitos anos depois, consigo reconhecer nelas coisas que também foram cultivadas ali. E agora, prestes a me tornar avô, percebo algo ainda mais bonito: aquilo que alguém deposita na vida de outra pessoa pode atravessar gerações.
No final da conversa, Joyce resumiu seu jeito de ver a educação — e talvez a própria vida — em três palavras:
“Colaborar, compartilha. Não competir.”
Talvez a tal “mágica da Jó” esteja justamente aí. Não em tentar ensinar alguém a tirar 10. Mas em criar um lugar no qual uma pessoa possa descobrir que é capaz.
— MAU & GePeTo
NOSSO DIÁLOGO ANTERIOR EM NOV'2012
Camila Moreira é uma dessas pessoas difíceis de colocar numa caixinha — e talvez seja justamente aí que esteja sua potência.
Fonoaudióloga de formação, com passagem pela pesquisa acadêmica, psicologia, psicanálise, abordagem integral, coaching, constelação, xamanismo e cosmologia, Camila foi reunindo ao longo de mais de 20 anos uma enorme caixa de ferramentas para compreender o ser humano. Hoje, quando perguntam o que ela faz, a resposta mais simples talvez seja mesmo: terapeuta.
Nós nos conhecemos há muitos anos. Camila acompanha os Diálogos que produzo há anos, indica algumas dessas conversas para seus alunos e clientes e, muito antes de nos aproximarmos pessoalmente, já existia um desses fios invisíveis que conectam pessoas, ideias e histórias.
Neste diálogo, finalmente sentamos para puxar esse fio.
Conversamos sobre sua trajetória entre São Paulo e Poços de Caldas, sobre a abordagem integral como uma espécie de mapa capaz de colocar diferentes conhecimentos em conversa e sobre o acolhimento — palavra que, curiosamente, aparece como uma das marcas mais fortes de seu trabalho.
Entramos também em territórios menos convencionais.
Falamos bastante sobre Constelação Familiar e sobre aquilo que ela pode revelar quando suspendemos, por alguns instantes, a necessidade de explicar tudo racionalmente. Contei minha própria experiência: cheguei à primeira constelação profundamente cético, saí dela ainda mais bravo e, alguns dias depois, fui surpreendido por um acontecimento familiar que mudou completamente minha percepção daquela experiência.
Depois chegamos à Cosmologia, conhecimento que entrou mais recentemente na minha própria jornada e no qual Camila teve um papel importante. A partir do chamado mapa gestacional, ela trabalha com a ideia de investigar não apenas o nascimento, mas também a concepção, a gestação e os ciclos de vida como fontes de informação para o autoconhecimento.
Mas talvez o ponto que mais tenha ficado comigo venha no final da conversa.
Vivemos uma época de enorme ansiedade por respostas. Queremos compreender rápido, resolver rápido, fazer cursos rápidos, encontrar uma explicação que coloque ordem na bagunça.
Camila propõe quase o movimento contrário.
Conhecer-se não significa impedir que o pneu fure. Significa conhecer melhor o carro que estamos dirigindo quando isso acontecer.
Porque a vida continua sendo crua, pulsante, imprevisível e, muitas vezes, bagunçada. E talvez autoconhecimento tenha menos a ver com encontrar respostas definitivas e mais com ampliar nossa capacidade de estar presentes no caminho.
Em determinado momento, Camila recupera uma distinção que resume lindamente nossa conversa:
Ter ciência é diferente de ter consciência.
Uma coisa é saber.
Outra é conseguir viver aquilo que sabemos.
Foi uma conversa sobre constelação, cosmologia e desenvolvimento humano. Mas, para mim, foi principalmente uma conversa sobre essa passagem: do conhecimento para a experiência. Da cabeça para a vida.
— MAU & GePeTo
Vídeos que referenciamos nesta conversa:
321 LUZ & SOMBRA (em 8 mar 2013)
MASCULINO & FEMININO (em 25 out 2012)
Conheço a Bianca Mosquera há cerca de dez anos. Quando nos encontramos, ela estava na casa dos vinte e poucos anos, construindo uma carreira em Recursos Humanos e começando a se perguntar sobre o lugar que queria ocupar no mundo.
A vida andou bastante desde então.
Depois de 18 anos de carreira corporativa — oito na Mondelez e dez na Danone —, passando por diferentes funções, países e experiências, Bianca vive hoje em Amsterdã, é mãe da pequena Olivia e está justamente no meio de uma nova pergunta:
“Quem sou eu quando tiro o crachá?”
Essa talvez seja a questão que atravessa todo este diálogo.
A maternidade mexeu profundamente com suas prioridades, sua identidade e sua relação com o trabalho. Ao mesmo tempo, depois de tantos anos associada a grandes organizações e ao RH, Bianca começa a experimentar outros lugares: constrói sua marca pessoal, cria um podcast, estuda Inteligência Artificial, conversa sobre dinheiro com mulheres, interessa-se por processos de mudança e transformação nas organizações e, principalmente, permite-se ainda não saber exatamente onde tudo isso vai dar.
Vivemos uma época em que parece obrigatório ter respostas, posicionamento, especialidade e uma bio capaz de explicar em uma frase quem somos. Bianca está fazendo quase o movimento contrário: depois de uma longa trajetória profissional, começa a abrir espaço para descobrir o que existe para além da identidade construída pelo trabalho.
Falamos também sobre morar fora do Brasil, criar uma filha entre diferentes culturas e línguas, a falta de uma rede familiar por perto, dinheiro e autonomia, a relação dos europeus com o trabalho e o desafio de construir uma vida em que a carreira seja parte de quem somos — e não tudo o que somos.
Em determinado momento da conversa, voltamos à velha garagem da Vila Madalena, onde nos conhecemos. Bianca lembrou daquele espaço como um lugar onde pessoas de mundos diferentes se encontravam simplesmente para conversar, refletir e provocar umas às outras. Curiosamente, é algo parecido com o que ela própria começa a criar hoje em Amsterdã.
Talvez seja isso que mais interessa nesta conversa: acompanhar alguém durante a travessia, e não depois que tudo já virou uma história bem organizada.
Porque Bianca ainda está experimentando.
E talvez algumas das coisas mais interessantes que temos para oferecer aos outros não sejam nossas certezas, mas as perguntas que conquistamos o direito de fazer depois de realmente viver.
No final, chegamos a algo muito próximo daquilo em que acredito: escutamos a experiência dos outros não para copiá-la, mas para voltar à nossa própria vida com novas perguntas. Escutar, experimentar, perceber o que serve, abandonar o que não serve — e experimentar novamente.
Uma conversa sobre carreira, maternidade, identidade, dinheiro, inteligência artificial e mudança.
Mas, além disso, sobre a coragem de tirar o crachá e pergunta-se sobre si mesma.
— MAU & GePeTo
Instagram e LinkedIn da Bianca.
Conheci o Gui Casagrande há cerca de oito anos, durante um projeto bastante especial que ajudei a construir para a Serasa: o Emprego dos Sonhos.
Mais de 100 mil pessoas se candidataram para uma vaga que levaria o escolhido a viajar pelo Brasil falando sobre educação financeira. Gui foi o escolhido. Mas, olhando hoje para aquela história, talvez mais importante do que conseguir o emprego tenha sido tudo o que aquela experiência colocou em movimento dentro dele.
Neste diálogo, revisitamos essa trajetória.
Gui conta como saiu de uma vida de professor universitário, ainda tentando encontrar seu lugar no mundo, para percorrer o Brasil e descobrir que falar de dinheiro quase nunca é apenas falar de dinheiro.
Por trás de uma dívida existe uma história. Por trás de uma compulsão existe uma história. Por trás da dificuldade de poupar, investir ou até gastar também existe uma história.
Foi ouvindo centenas dessas histórias que Gui percebeu que educação financeira não começa numa planilha. Começa na capacidade de acolher alguém sem julgamento e ajudá-lo a compreender a relação que construiu com o dinheiro ao longo da vida.
Hoje, essa experiência desemboca na GuiaGrana, empresa criada por ele para levar saúde financeira às pessoas, principalmente por meio das organizações. Seu trabalho combina diagnóstico, educação, conversas individuais e tecnologia — incluindo inteligência artificial — sem abandonar aquilo que talvez seja sua característica mais importante: a gentileza.
Conversamos também sobre endividamento, ansiedade financeira, o crescimento assustador das bets no Brasil e a relação cada vez mais evidente entre dinheiro, saúde mental e ambiente de trabalho.
E há uma escolha interessante atravessando tudo isso: enquanto grande parte do mundo empreendedor pergunta como ganhar escala, Gui está interessado em ganhar profundidade.
Não quer necessariamente impactar milhões de pessoas. Quer transformar a vida da “Dona Maria” que está diante dele.
Talvez por isso nossa conversa termine justamente onde começou: na razão social.
Na razão pela qual uma empresa existe, mas também na razão pela qual escolhemos colocar aquilo que temos de melhor a serviço dos outros.
No caso do Gui, a educação financeira parece ser o caminho.
Mas, depois dessa conversa, fiquei com a sensação de que dinheiro é apenas a porta de entrada.
No fundo, seu trabalho é gente cuidando de gente.
— MAU & GePeTo
Neste diálogo com Daniel Lindenberg, conversamos sobre inteligência artificial a partir de uma pergunta que me interessa cada vez mais:
O que significa ser humano em um mundo intensamente povoado por inteligências artificiais?
Esta conversa com Patrick Santos começou pelo futuro — pelo InSearch Talks, encontro que ele está criando para reunir pessoas, conhecimentos e experiências em torno de novas formas de pensar saúde, consciência, economia, tecnologia, natureza e o próprio humano.
Mas rapidamente fomos parar na história.
Neste diálogo com Renata Garcia, fundadora da Go2Grow, falamos de viagens. Não exatamente sobre viagens convencionais de férias ou trabalho. Mais do que isso, conversamos sobre como estamos atravessando a vida, essa viagem misteriosa e enriquecedora.
Carolina e Fernando saíram do Brasil para viver um ano sabático no Canadá. Ficaram treze.
Nesse período, reinventaram o trabalho, acompanharam mais de perto a educação dos filhos, aprenderam a viver em outro ritmo e transformaram a facilitação virtual em seu campo de atuação profissional.
Agora, quando a vida parecia finalmente estável, decidiram mudar outra vez.
O convidado desse episódio é RAFAEL GUIMARÃES, que conheci em 2009 quando ele se candidatou para participar do PRÓXIMOS LÍDERES, projeto que desenvolvi para a Natura. Nessa época, em composição com outros 3 colegas, cocriou o INQUIETHOS, grupo que se eternizou na minha memória pela audácia em encarar o mundo em constante ampliação de consciência e que foram “frequent flyers” do meu estúdio na Vila Madalena desde então.Essa conversa acontece como sequência do diálogo que gravei com os INQUIETHOS no final de 2025, a mais recente com todos juntos.
Para quem usa o GPT_do_MAU na (Re)escrita da própria história, tem bons subsídios nessa conversa para dialogar sobre a sua própria vida.
Aproveite!
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