Amor de virgem

Amor de virgem

By Felipe SimãoArtsBooksPerforming Arts
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Amor de virgem episodes

  • 27 - Lua de carnaval

    A lua antecipou a noite,

    foi de afoite,

    brincar carnaval à luz do dia,

    repentina,

    toda vadia,

    entregue como serpentina

    no meio da multidão,

    perdeu-se entre todas as gentes,

    todas as cores,

    toda emoção,

    foi mulher vivida, de muitos carnavais,

    foi moça atrevida de prazeres carnais,

    foi pé de folia que não descansa jamais,

    foi confete, espuma, suor, fumaça, desejo, fantasia e mais puro tesão,

    foi corpo de maresia a que nenhum homem diz não,

    purpurina de alegria que gruda em qualquer coração,

    foi beijo de menina

    que ensina

    o virgem folião,

    foi saber de folia,

    foi mais que um dia,

    foi minha primeira paixão

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    1 min
  • 26 - Eu ainda te amo

    É meia-noite e eu sei que você não me ama,

    eu me despedaço,

    afundo na lama,

    eu me afogo nos lençóis,

    eu que tanto pensava em nós,

    não passamos dum fiasco

     

    É meia-noite, acusam os ponteiros

    como acusam os meus pensamentos,

    as memórias dos fatos,

    que você não me ama

     

    É meia-noite, quantos não estão amando seus amores verdadeiros?

    construindo célebres momentos

    histórias sem substratos

    de mentiras,

    é meia-noite e eu choro na cama

     

    É meia-noite e eu pensando em você,

    com medo de desligar o som da TV

    e ouvir a sua voz,

    é meia-noite e eu tento esquecer,

    mas o seu desejo é algoz

    do meu sono,

    é querer o beijo dum coração sem dono

    é meia-noite, é fim de mês, é o último dia do ano

    e eu ainda te amo

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    1 min
  • 25 - Cobertor de lã

    Hoje não estou bom com as palavras,

    me nego a conversar,

    perdido nos meus próprios assuntos

    que não interessam a ninguém;

    só quero alguém

    para dividir o silêncio,

    um abraço quente,

    um cobertor de lã

    e não ter que pensar no amanhã

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    1 min
  • 24 - Caso de maldade

    Eu perdi a minha virgindade

    e você perdeu a sua fidelidade,

    não sei se foi um caso de amor ou de maldade,

    foi um prazer de momento

    do qual agora só nos resta o constrangimento

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    1 min
  • 23 - Diapasão

    Quando contigo me deito,

    faço do nosso leito

    ninho de amor vadio,

    de ti jamais me sacio,

    pelas tuas linhas me enfio,

    sinto em nós forte vibração,

    perco-me nesse diapasão,

    e não consigo distinguir a emoção,

    se louco prazer ou pura paixão,

    só me deixo levar pela eloquente sensação

    de estar nos teus braços,

    dos gemidos,

    das tremedeiras,

    dos meus descompassos;

    nossos corpos só se deixam esparsos,

    no instante que já não resta no fôlego sopro,

    em que a fadiga é um secante escopro,

    contigo tudo é tão bonito,

    só ela interrompe o nosso amor infinito;

    fico prostrado,

    mas não aflito,

    junto a ti, o destino nem fito,

    não temo o futuro,

    pois no nosso quarto escuro,

    o tempo não importa,

    por detrás daquela porta,

    a gente se comporta

    como dois imortais,

    refugiados nos prazeres carnais,

    e os delírios mais sublimes nos parecem normais

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    2 min
  • 22 - Síndrome de Estocolmo

    É uma pena que uma mulher tão linda, tão inteligente,

    que gosta de ser livre,

    que gosta de sexo,

    e encara o preciosismo machista que habita em todas as mulheres,

    uma pena

    que seja tão fútil,

    que viva a mercê de homens mais velhos

     

    Você deixa que eles suguem toda a sua juventude,

    eles nunca vão se saciar,

    você só vai perceber quando sugarem até a tua inocência,

    tarde demais,

    você agora é um pulmão sem ar,

    seios sem sustentação,

    aos quarenta anos,

    sem amor, sem emprego, sem rumo,

    esse é o preço duma vida de ilusão,

    de tudo isso que você considera o suprassumo,

    você abraça todas as frivolidades,

    abraça esses tórax peludos,

    fazendo deles uma couraça para se proteger,

    mal nota que se encerra na própria prisão;

    numa síndrome de Estocolmo

    você se tranca no castelo com seu “príncipe encantado”,

    se encanta ao ver da janela o mar

    e não vê o príncipe virando sapo,

    a desventura do fim da sua vida

    vai sendo costurada sorrateiramente transparente

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    2 min
  • 21 - Excesso de amor

    Essa noite você vem?

    Não se preocupe meu bem,

    não é errado ter excesso de amor e querer mais alguém

    eu sei que você ficou louca depois de ouvir o meu áudio,

    quer ser promíscua como uma imperatriz romana,

    venha comigo trair o seu Cláudio,

    encontrar no prazer proibido o seu nirvana,

    drogada pela insanidade profana;

    de que vale um marido

    quando não satisfaz a libido?

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    1 min
  • 20 - Nada sério

    É na escuridão

    que brilha nossa paixão;

    um dedo no interruptor,

    vários pelo corpo,

    perambulando sem escopo,

    prazer disruptor;

    de fundo música a meio-tom,

    sintonia em império,

    o nosso caso não é sério,

    é um gostoso talvez

    que se desenrola no looping da nossa esteira,

    a decisão fica na prateleira

    perpetuamente esperando a sua vez;

    a incerteza é uma delícia,

    nossos comentários de privada malícia,

    que fazem desconfiar os amigos,

    interrogados,

    a gente nunca confessa,

    seja na fusão de dois corpos suados

    ou na partilha de sentimentos mais polidos,

    da pressa somos inimigos,

    vivendo um eterno deixa-estar,

    o moderno “deixar-rolar”,

    melhor que imaginar

    é de fantasias brincar

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    1 min
  • 19 - Sopro das minhas cinzas

    Neste quarto

    quero ser contigo mais que duas mulheres de mãos dadas,

    duas amigas disfarçadas,

    quero ser uma só nudez

    entrelaçada,

    beijar a tua tez

    e descer com calma por todo o teu corpo,

    nós duas perdidas de prazer,

    nas regiões encontradas;

    o quanto eu te amo,

    minha namorada,

    minha deusa vadia,

    não podem explicar os especialistas;

    o nosso amor desafia:

    a inteligência dos cientistas,

    a experiência dos sábios,

    a cura do messias,

    todas essas filosofias

    na porta deste cômodo são matérias extintas,

    da tua beleza nunca me distraio,

    eu me colo nos teus lábios

    de onde só saio

    no sopro das minhas cinzas

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    1 min
  • 18 - Sou poeta, não sou Romeu

    Malditos versos,

    nunca acabam,

    sempre mais uma linha a digitar,

    sempre mais um motivo a fazer reclamar os meus dedos cansados,

    mas que malcriação minha,

    chamá-los desgraçados,

    são uma benção,

    que não acabem nunca,

    que passem por cima de mim

    e durem muito mais que eu,

    quero ser velado coberto de poesias,

    morrer pela literatura e não por amor,

    como fez Romeu

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    1 min

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"Amor de virgem" traz poesias dos tempos em que o autor, Felipe Simão, eram virgem e idealizava as suas paixões.

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