Na Natureza (ou melhor, na Anestesiologia), nada se cria, nada se perde... Tudo sofre rebranding! ♻️💸
Se Lavoisier fosse anestesiologista hoje, provavelmente choraria de rir. O progresso na nossa área muitas vezes não é uma linha reta rumo ao desconhecido, mas um verdadeiro carrossel corporativo: nós constantemente revisitamos o mesmo ponto, apenas com uma embalagem gourmet, um nome em inglês e um código de barras assustadoramente mais caro.
A indústria aprendeu que requentar a ciência é altamente lucrativo. Pegam um anestésico da década de 1950, enfiam em bolhas de gordura de liberação lenta e cobram o equivalente a ouro líquido para entregar praticamente o mesmo resultado do bloqueio bem feito de sempre. Ou então pegam a velha, esquecida e baratíssima Clonidina, dão um "tapa no visual" para aumentar a seletividade e a vendem como a patricinha Dexmedetomidina.
E a academia não fica para trás na gourmetização! 🔠 Nada consagra mais uma técnica jurássica do que dar a ela uma sigla chique. OFA (Opioid-Free Anesthesia)? É a boa e empoeirada anestesia multimodal com drogas da época da Guerra do Vietnã, só que com marketing de startup. LIA nos protocolos de ortopedia? É literalmente o cirurgião jogando anestésico na ferida, um conceito absolutamente revolucionário... do ano de 1905.
O pêndulo do pragmatismo é irônico. Abandonamos drogas excelentes por histeria coletiva (alô, Droperidol banido por anos devido a arritmias raras) e abraçamos tecnologias caríssimas para encurtar despertares em 10 minutos, apenas para descobrir que a intervenção médica mais impactante do século continua sendo a mesma: simplesmente ler o rótulo da seringa antes de injetar.
Mas, no fim do dia, os receptores do corpo humano ignoram solenemente o nosso marketing. Rir disso não é desmerecer a especialidade, mas aplaudir sua resiliência. A roda da anestesia pode até ser requentada várias vezes, pintada de neon e superfaturada, mas, inquestionavelmente, ela gira de forma muito mais suave e absurdamente mais segura para os nossos pacientes hoje. 🎡💉