O Banco Central enfrenta um dilema. O Comitê de Política Monetária (Copom), que decide a taxa básica de juros (Selic), tem, de um lado, uma inflação alta, que está perto do teto da meta. Do outro, uma atividade econômica em compasso de espera pelos efeitos da pandemia. No acumulado dos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) alcançou 5,2%, sendo que o limite, estabelecido pelo governo, é de 5,25%. Já a previsão de crescimento econômico para 2021 é de 3,2%, que nem mesmo recupera o tombo de 4,1% do PIB em 2020. Mesmo assim, na reunião do Copom, que termina nesta quarta-feira, a Taxa Selic deve subir pela primeira vez desde 2015, passando de 2% para 2,5%. É como um remédio amargo para frear a alta dos preços. Esse é um cenário que estimula um fenômeno preocupante, que tem um nome estranho: estagflação, processo que pode se agravar com a alta dos juros, que tem como efeito colateral o desestímulo à atividade econômica. Por ora, os economistas ainda se dividem entre aqueles que acreditam numa inflação douradora e os mais otimistas, como o ministro da economia Paulo Guedes, que entende existir uma pressão "transitória e setorial" de preços. No Ao Ponto desta quarta-feira, a jornalista Cássia Almeida e o economista chefe da MB associados, Sérgio Vale, explicam por que os juros devem subir, apesar da estagnação da economia, e analisam os riscos de longo prazo associados a esse cenário.