Arquivos Contos de Horror - RPG Next

Arquivos Contos de Horror - RPG Next

Download on the App Store

Arquivos Contos de Horror - RPG Next episodes

  • Bem-vindo à selva | Conto de Horror
    Conto baseado em uma lenda do folclore brasileiro: Em uma incursão para retirada ilegal de madeira um grupo de amigos pode ter encontrado algo mais que árvores.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Vinicius Mendes Souza Carneiro.
    ▬ Narração:
    Wévison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, "Bem-vindo à selva", um conto de Horror.
    A chapada diamantina é linda. Quando subimos o Morro do Pai Inácio fiquei sem fôlego, a paisagem exuberante era fantástica! Passamos o dia visitando pontos turísticos, e à noite resolvemos cumprir com nossos objetivos, indo pra Lençóis há uma mata. Muito bonita e de árvores altas, seria como um cerradão, mas bem úmido, algo interessante de se ver. Afonso, Sérgio, Fabrício e eu (Saulo), estávamos lá para explorar, nossa missão era conhecer a mata local e marcar algumas árvores para o abate.
    Eu sou negro, tenho cabelos curtos, estatura mediana, e um corpo musculoso, não vou à academia, meu trabalho é pesado, sabe? Afonso é branco, tem cabelos ruivos e nariz aquilino, é seco feito um galho, mas pode apostar que não iria querer brigar com ele. Sérgio é baixinho, barriga de cerveja no estágio 2, igual o tiozão do churrasco, pele morena e careca, tem pavio curto. Fabrício é moreno, tem cabelos curtos e corpo mediano, não é musculoso nem gordo e nem magro, brinca com tudo e pode ser verdadeiramente irritante.
    Era coisa fácil, entraríamos dali a uma semana na mesma mata, derrubaríamos as árvores marcadas durante a noite e faríamos alguns milhares de reais. Mamata! Para que preservar aquilo tudo? Íamos retirar grandes árvores e depois o governo que recuperasse a área. Sou cidadão! Tenho direito a uma fatia daquilo. Assim eu pensava. Acreditava que essa conversa de conservação era coisa de ecoxiita.
    — Todo mundo pronto? — Perguntou Sérgio.
    — Nasci pronto — respondi animado— tô vendo esse verde todo aí virar verdinhas.
    — Verdinha o caralho — respondeu Fabrício — meu negócio é tabaca.
    — E mulher gosta de quê mesmo? Seu frouxo! — respondi rindo.
    — Frouxo é seu passado, caia dentro se não gostou — respondeu ele bem-humorado e dando soquinhos em meu ombro.
    — Parem com essa putaria vocês dois. — Afonso falou — Temos um objetivo aqui. Não descanso enquanto não cumprirmos.
    — Você é um velho impotente, sabia? — respondi rindo.
    — Vai se foder!
    A mata era composta por árvores espaçadas e em alguns momentos ficava mais densa. O chão era completamente coberto por folhas secas, ouvíamos cada passo que dávamos ali. As copas  chacoalhavam-se com o vento, tornando a noite ainda mais lúgubre para aquele local. Era possível ouvir alguns animais, corujas ululavam e nos longos momentos de silêncio ouvíamos os insetos se movimentarem sobre e sob a folhagem. Era nesse cenário que precisaríamos andar durante horas, e ao longo de quilômetros. Fizemos isso das 19h até aproximadamente às 2h da manhã.
    A noite estava escura, pois não havia lua, isso nos obrigava a usar as lanternas o tempo todo. As árvores se assomavam à nossa frente, marcamos cada uma cujo tronco oferecia a possibilidade de corte, por mínima que fosse. Queríamos dinheiro, e a mata ali proliferava a anos. O tempo passou e não percebemos, até que em um certo momento sentamos para descansar e ouvimos algo. O estalar do galho foi alto e claro, era inconfundível, alguém estava ali. Sacamos rapidamente nossas armas e Sérgio gritou:
    — Apareça filho da puta! Se acha que vai nos seguir está fodido. — Outro estalar a frente e ele disparou 3 tiros consecutivos com sua semiautomática .44. Tudo o que obtivemos em resposta foram passos rápidos e constantes correndo à nossa direita.
    Todos seguimos atrás dos sons, as lanternas varriam o espaço à procura do culpado, nossas mochilas ficaram para trás, com mantimentos e os sacos de dormir. Precisávamos pegar quem nos havia seguido, qualquer denúncia iria atrapalhar nossos planos, e Deus sabe lá quando conseguiríamos outra brecha.
    — Sabe o animal que mais odeio? — gritou ele novamente. — Peru! – seguiram-se mais tiros.
    O fato é que corríamos no meio da mata, com a luz das lanternas como nossas guias, e convenhamos que isto é mísero se considerada a imensidão do local e a escuridão que nos circundava. Ignoramos todos os nossos instintos. Nos sentíamos os predadores ali: os únicos que representavam algum risco a alguém. Se bem soubéssemos o que nos aguardava teríamos dado meia volta do acampamento e ido embora para nunca mais retornar.
    Como que surgido de lugar algum uma criatura passou em nossa frente. Era completamente peluda e pequena como uma criança de 7 anos. Passou tão rápido, que não conseguimos ver mais detalhes. Percebemos, no entanto, que aquilo não era humano: parecia um macaco sem rabo, correndo de pé, com uma grande cabeleira vermelha.  Em seguida ouvimos um grito de gelar a espinha, e todas as árvores balançaram ao nosso redor. Estávamos apavorados agora e atiramos a esmo, buscando acertar alguma coisa, porém nada vimos.
    — Cara, precisamos voltar, isso aqui vai dar uma merda muito grande! — falou Fabrício.
    — Sim, vamos para o acampamento, e amanhã decidimos o que fazer — respondeu Afonso.
    Andamos até o acampamento, quase nos perdendo no caminho, a nossa sorte foram os rastros que deixamos ao nos movimentar pela mata. Na chegada avistamos primeiro os sacos de dormir, em seguida as coisas que trouxemos com eles, que estavam todas espalhadas. Não havia mais comida nem água ali, as mochilas foram reviradas, cada saco plástico rasgado, e o chão estava coberto de pequenas pegadas, muitas delas. Pareciam pegadas de macacos. Algumas vezes eram tantas que dava a impressão de que eles andavam ao contrário.
    — Mas que porra! Reviraram todas as nossas coisas! — Gritei frustrado.
    — Parece que um time de futebol infantil andou aqui. — Respondeu Sérgio evidenciando as pegadas.
    — Vamos sair dessa floresta cara, se ficarmos morreremos aqui. — Fabrício estava pálido feito papel.
    — Está com medo desses macacos Fabrício? — perguntou Afonso.
    — Macacos? Vocês não viram?
    — Vimos o quê? — Perguntei.
    — Os cabelos vermelhos, cara!
    — E que porra tem isso? — perguntou Sérgio.
    — É o curupira porra! Um monte deles! Estão atrás de nós porque viemos derrubar a mata!
    — Você fumou uma antes de vir? São animais! Malditos animais! — Gritou Sérgio visivelmente perturbado.
    — Não adianta ficarmos aqui discutindo, ficaremos ou vamos voltar? — perguntei.
    — Dois de nós dormimos e os outros dois vão ficar de vigia. Voltar agora seria arriscado, a visibilidade está horrível — falou Afonso.
    — Eu fico com o primeiro turno! — falei.
    — Eu também! — falou Fabrício.
    Sérgio se colocou em frente ao Fabrício e falou:
    — Se algo acontecer, vê se não foge feito uma menina, “tá” ouvindo? Se “tu” fugir, eu te acho depois! “Tô” vendo sua cara de quem quer correr.
    Fabrício suava, e a noite estava fria. Eu sentia a mesma sensação ao ver ele, parecia que ia correr a qualquer momento, seu corpo tremia.  Sentamos próximos e de forma que víssemos a nossa retaguarda e de nossos companheiros. Estávamos ambos com as armas em punho, prontos para agir a qualquer momento. Passamos por alguns minutos em silêncio, ouvindo apenas o farfalhar das folhas, imaginando vultos entre os inúmeros troncos. Ao menos sabíamos que se algo caminhasse ali faria barulho nas folhas secas. Então ele olhou pra mim e falou:
    — Velho, eu nunca fugiria. Agora escute, eu sei que vou morrer aqui.
    — Como assim cara? Vamos todos sair daqui bem amanhã! — respondi.
    — Meu avô, sabe? O velho Bernardino? — assenti. — Ele me contou, quando era novo morava em uma fazenda, tinha uma grande mata lá, foi quando mandaram uma equipe “pra” desmatar. Algo de muito ruim aconteceu, apenas um escapou e não parava de repetir: “curupira, curupira”. Todos achavam que era louco e que deveriam prendê-lo, então assim o fizeram. Durante a noite algo saiu da mata, e tentou invadir a casa onde o rapaz estava cativo. Meu avô levantou achando que aquilo era uma tentativa de fuga. Foi então que ele viu, pequeno e com a cabeleira vermelha, o curupira tentava derrubar a porta. Ele disparou sua arma e o feriu, a criatura fugiu “pra” a mata, e ele libertou o cara, juntos atearam fogo na mata. De lá ele nada mais soube, porém eu sei que o curupira veio cobrar a dívida dele, e em alguém que merece...
    — Isso é só uma história Fabrício, não caia na superstição de seu avô. — Interrompi.
    Ouvimos um som estridente, como quando algo corta o ar rapidamente, em seguida um tombo e um gorgolejar! Olhamos para nossos amigos e um deles agora segurava a garganta com algo enfiado nela. Corri para ajudar, era Sérgio o atingido. Um objeto semelhante a uma ponta de flecha estava fixo em sua jugular. Seu formato, no entanto, lembrava uma folha com um sulco lateral que estava fixa em um instrumento de madeira reto culminando em uma pequena área rombuda, aparentemente servindo de contrapeso ao ser arremessado. O sangue brotava em profusão, ele olhou pra mim, nunca esquecerei o desespero e o apelo por ajuda naquele olhar, mas ali nada mais restava a ser feito. Retirei o objeto e tentei estancar o sangue, senti a vida de Sérgio escorrer entre meus dedos, quente e pegajosa, o tempo parou a minha volta, até que ele finalmente morreu.
    Quando dei por mim estava sozinho. Ouvia os gritos de meus companheiros pelo bosque. Catei minha arma, acendi a lanterna e me preparei para correr também. Foi aí que me virei e lancei o facho da lanterna em direção ao caminho que fizemos na vinda. Lá estava ele, seus olhos grandes e negros me olhando. Apesar da cor, exibiam um brilho claro de inteligência, seu rosto parecia-se com o de um macaco, porém sem pêlos, tinha braços curtos e pernas curtas, seu tamanho não passava de 1,10m. Quando me viu hesitou, me encarou por alguns minutos e em seguida pegou o corpo de Sérgio, o erguendo sozinho e dando uma última olhada para trás saiu anda
    21 min
  • CNa#064: A casa no fim da rua | Conto de Horror
    Josep é um garoto de seis anos, sua mãe sempre muito cuidadosa nunca o deixava brincar com as outras crianças. Ele não podia correr, andar de bicicleta, comer besteira, brincar de pique ou fazer qualquer coisa que sua mãe achasse perigoso. O garoto sempre ficava da janela do seu quarto olhando todo mundo se divertir, mas nunca de fato havia brincado com elas. Por ser cuidadosa demais, Martha, mãe do garoto, preferia que suas aulas fossem particulares e em casa. Até que um dia Josep resolveu se aventurar.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Herica Freitas
    ▬ Narração:
    Vinicius Watzl.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, "A casa do fim da rua", um conto de terror.
    Martha era uma mulher jovem, teve seu primeiro filho aos 22 anos. Seu parto fora complicado, deixando o jovem Josep por meses no hospital. O pai do menino quase nunca estava presente, sempre viajando a trabalho, não estava perto para ajudar a mulher nos dias de crise. O homem costumava vir em casa uma vez a cada seis meses, o que dificultava a comunicação com sua esposa. Alguns anos se passaram e o casamento acabou. Martha agora vivia sozinha com o filho e sua eterna crise de pânico.
    — Bom dia meu príncipe! — disse a mulher de longos cabelos loiros.
    — Bom dia mamãe. — respondeu o pequeno garotinho.
    — Feliz aniversário! — Martha disse colocando um bolo sobre o colo do filho.
    — Já é hoje, mami? — ele perguntou olhando a vela acesa sobre o bolo roxo.
    — Sim, hoje você está fazendo seis anos. Resolvi fazer um bolo de beterraba para comemorar.
    — Queria que fosse chocolate. — o garoto disse emburrado. — Adoro comer coisas gostosas.
    — Mas isso é muito gostoso. Fiz com tanto carinho. — respondeu a mulher. — Já sei, que tal eu ir até a venda e te trazer um caramelo?
    — JURA? — deu um salto da cama que quase derrubou o bolo.
    — Sim, posso te dar um caramelo de aniversário. — respondeu a mulher afetiva.
    — OBA!
    Josep era um garoto de seis anos, pele negra, cabelo escuro e olhos verdes que se destacavam em tons de folha seca e caramelo. Sua fisionomia, entretanto, era de um garoto de quatro anos, devido às complicações que tivera nos primeiros meses de vida. Depois de muitas cirurgias e correções, o garoto ficou debilitado, mas ao longo dos anos foi se recuperando com o tratamento e com o cuidado de sua mãe. Ele se sentia forte e saudável, mas mesmo assim Martha não o deixava fazer nada que julgasse perigoso.
    Diziam que ela era louca, outros falavam que foi a depressão pós-parto que a fez ficar assim. Alguns vizinhos fofocavam que a separação causou todo esse estresse, mas nada era de fato comprovado. Martha era uma mulher saudável mentalmente, se dizia cuidadosa com seu filho, apenas.
    Nesse dia em especial, Martha precisou sair para comprar o presente que o filho tanto queria, o caramelo. A mulher nunca o deixava comer comidas processadas, doces ou frituras, tudo era saudável e nutritivo. Para o incômodo da jovem mãe, a babá de Josep não havia chegado, forçando-a a deixar o garoto sozinho por algum tempo. Depois de pensar bastante sobre o que faria, decidiu dar um voto de confiança ao filho. Martha decidiu ir até o mercado, deixando o garoto avisado sobre os perigos de ficar sozinho.
    — Eu já sei, mamãe: não ligar o gás, não ligar o fogão, não ir ao portão, não falar com ninguém…
    A lista de coisas que o garoto não podia fazer, se impressa, com certeza seria maior do que sua própria altura.
    — Te vejo em em breve. — A mulher disse para si mesma apreensiva trancando o portão enquanto olhava para seu filho da janela da sala.
    Da janela, o jovem Josep dava tchauzinhos para sua mãe, sorrindo.
    — O que eu vou fazer agora? — Dizia o garoto a si mesmo enquanto andava pela casa. — O que será que tem na geladeira? De repente a mami comprou alguma coisa para o meu aniversário e não me contou.
    Enquanto corria para a cozinha, Josep foi surpreendido ao olhar para a janela que ficava ao lado da porta dos fundos e ver um garotinho branco feito leite, cabelos cacheados loiros e olhos negros.
    — Olá, como você entrou aqui? — Josep perguntou olhando fixamente para o garotinho.
    A figura sumiu da janela, deixando Josep muito intrigado, que correu até a porta, tentando abri-la, mas sem sucesso, estava trancada.
    — Alô? Não vá embora, por favor, eu não conto para a mami. — Ele insistia.
    — Você promete? — Uma voz soou de fora da casa.
    — Sim, você vai ser meu amigo? — Josep perguntou animado.
    — Só se você for meu. — A voz respondeu contente.
    — Eu vou, prometo.
    — Amigos para sempre? — A voz perguntou.
    — SIM! — Josep respondeu mais contente ainda.
    — Você não pode sair para brincar?
    — A porta está trancada, eu não consigo abrir. — Josep respondeu tristonho.
    — Ora, isso é fácil. — A fechadura virou-se sozinha.
    — Como você fez isso? Você é mágico? — Josep perguntou, encantado.
    — Vai ser o nosso segredo. — A voz disse ainda de fora da casa — Qual seu nome?
    — Josep, e o seu?
    — Não me lembro. — A voz respondeu.
    — Eu vou te chamar de Mágico.
    — Eu gosto de Mágico. Você quer vir à minha casa, Josep? — Ele disse enquanto aparecia à porta.
    — Minha mãe vai brigar se eu sair de casa. — Respondeu triste.
    — Ela não vai saber. Vem, vamos correr até a minha casa — Mágico respondeu.
    — E onde você mora?
    — Na casa do fim da rua.
    Josep e Mágico saíram correndo pelo quintal, deixando para trás a porta dos fundos, aberta. Eles pularam as cercas e correram de quintal em quintal até chegarem em um totalmente tomado por grama alta, ervas daninhas e muitos escombros.
    — Chegamos! — Mágico disse abrindo os braços.
    — É…
    Mágico olhou apreensivo.
    — É perfeito! — Josep disse animado. — E onde estão seus pais?
    — Eles não estão aqui, podemos brincar para sempre se quisermos. — ele respondeu.
    — Vamos começar com esconde esconde, você sabe brincar disso, Mágico? — Josep perguntou.
    — Eu sou o melhor nesse jogo.
    — Então eu conto e você se esconde, eu vou contar naquela árvore ali — apontou para uma grande árvore velha. — Legal, tem um balanço, mas por que tão alto?
    Josep se aproximou da árvore que era muito alta, quase maior do que a casa. Havia uma corda amarrada a um dos galhos, com o formato de um laço na ponta, que era alto demais para ser um balanço.
    — Minha mãe quem fez, ela nem sabe fazer balanços. Meu pai achou ela dormindo aí outro dia— Mágico respondeu, inocente.
    — Quando eu encontrar ela, vou ensinar como se faz um balanço de verdade. — Josep respondeu — Agora se esconde, vai. Um, dois, três… nove, dez! Pronto ou não, aí vou eu!
    Josep olhou ao redor do quintal, o mato alto dificultava que ele enxergasse além da árvore. Em suas costas, tinha a grande casa, que parecia velha demais. Correu em volta da casa, observando as janelas trancadas com madeiras e pregos, as portas estavam trancadas também, ainda assim tentou abri-las na esperança de achar o garoto. Correu de volta para o quintal, mas não viu sinal algum de onde Mágico poderia ter ido. Correu mais rápido para além da árvore, adentrando a grama alta que cobria com facilidade todo seu corpo, acabou se cortando em uma das folhas, mas continuou correndo até o limite.
    Assim que conseguiu sair do meio do mato, Josep foi surpreendido por um pequeno parquinho. Tinha um escorregador enferrujado, um balanço, uma caixa de areia cheia de pequenas árvores que cresceram ali, um gira-gira e uma casinha de madeira com a estabilidade duvidosa.
    — Mágico? Mágico, você está aí? Mágico?
    — Bú! — Mágico disse, segurando os ombros de Josep.
    — AAAAAAAAA! Não faça isso! — disse com o coração disparado — Assim você me mata de susto.
    — Você achou meu parquinho.
    — É seu? — Josep perguntou admirado.
    — Sim, meu pai construiu para mim depois que a mamãe foi embora. Ele disse que era para eu não ficar triste, que ela volta logo. Ela ainda não voltou, mas eu sei que vai. Papai foi trabalhar e eu fiquei aqui brincando. Daí eu dormi na casinha, e quando acordei fui procurar alguém para brincar comigo. Ai eu achei você, sozinho e triste, assim como eu.
    — É que hoje é o meu aniversário. — Josep se sentou no balanço fazendo com que o barulho estridente de metal enferrujado ecoasse pelo quintal. — Minha mãe sempre está querendo me proteger de tudo. Ela não me deixa sair, comer chocolate ou brincar com outras crianças ou na rua. Ela me falou que é porque eu fui um bebê muito doente, quase morri. E agora ela cuida de mim para que nada de ruim aconteça. Sua mãe é assim, Mágico?
    — A mamãe é triste. Papai me disse que ela ficou assim depois que eu nasci. Mas ela vinha no meu quarto todos os dias para me dar um beijo de boa noite. Eu sinto saudade dela — Mágico disse, com os olhos marejados. — Queria que a mamãe estivesse aqui.
    — Mágico, por que seus pés não estão tocando no chão? Você está flutuando! — Josep apontou para os pés do garoto loiro.
    — Você não disse que eu sou mágico? Deve ser por isso!
    — Você falou que dormiu na casinha, não foi? — Josep disse.
    — Sim. Eu estava brincando e o papai me trouxe um copo de leite com biscoitos. Eu comi e dormi logo depois.
    — Será que sobraram alguns biscoitos? Estou com fome. — Josep disse.
    — Vamos lá ver.
    Ambos os garotos andaram até a escada da casinha de madeira. Subiram, degrau por degrau, até a portinha que estava entreaberta. A luz iluminava vagamente seu interior, e Josep foi a frente empurrando a porta até que ela se encontrasse com a parede à direita. Dentro da casinha de madeira havia um copo de vidro velho, cheio de poeira e lodo. Além de um prato com muita sujeira e nenhum biscoito. Deitado no chão, sobre um travesseiro velho e surrado, ao lado de alguns exemplares de quadrinhos de super-heróis, estava um pequeno esqueleto, do tamanho de uma criança.
    — Mágico! — Josep olhou para trás à procura de seu amigo. — Mágico, cadê você? Mágico!
    Uma tristeza imensa invadiu o coração de Josep, seus olhos marejaram involuntariamente. Suas pernas trêmulas e seu coração acelerado foram o suficiente para que ele caísse de joelhos em frent
    22 min
  • CNa#060: Carnificina | Conto de Horror
    Carnificina conta a história da vida de Rose, uma menina marcada por tragédias. Ao longo dos anos em seus aniversários a garota sempre está envolvida em situações que envolvessem a morte…
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Herica Freitas.
    ▬ Narração:
    Wévison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, "Carnificina", um conto de horror.
    12 de Janeiro de 1996:
    — Parabéns papai, é uma menina! — o médico diz sorrindo.
    — Eu posso vê-las, doutor? — o homem ruivo pergunta com os olhos marejados.
    — Claro, venha comigo.
    O homem ruivo então acompanha o médico por um corredor iluminado, as paredes brancas e portas fechadas contribuem para que a iluminação seja ainda mais intensa. Diversas crianças choram por trás de cada uma das portas que eles deixam para trás, ao final do corredor uma enfermeira espera de frente para uma porta aberta.
    — É aqui, o senhor pode entrar. Vamos deixar vocês três sozinhos por um momento, foi um parto difícil, mas elas já estão fora de perigo — o médico diz dando passagem ao homem.
    — Obrigado, doutor, você salvou minha mulher e filha!
    — Daniel? — Uma voz cansada e baixa o chama.
    — Rose, vocês estão bem?
    — Venha aqui conhecer nossa menina, ela é linda. — Rose diz emocionada.
    — Ela se parece com você. — Daniel afirma olhando para a mulher deitada amamentando uma recém nascida.
    — Nossa menina.
    O silêncio da sala de repente se quebra, os aparelhos ligados à Rose começam a apitar e piscar rapidamente, os olhos dela reviram deixando apenas órbitas brancas enquanto seu tronco se contorce. Daniel toma a criança em seus braços em choque enquanto observa Rose convulsionar. Os médicos entram pela sala conduzindo Daniel e a menina para a porta de saída, enquanto Daniel se retira consegue ver os batimentos de Rose caindo a zero no monitor nada sofisticado e velho.
    12 de Janeiro de 2002:
    — Papai, papai! — uma garotinha ruiva corre ao encontro de um homem descendo do carro.
    — Oi, minha pequena, como foi com a vovó? — Daniel toma a garota nos braços.
    — Ela me mostrou as fotos do senhor quando era do meu tamanho. Vovó me disse que eu pareço com o senhor, mas que meus olhos são da mamãe.
    O homem engole seco.
    — Sim pequena Rose, você tem os olhos da sua mãe. Não há um só dia que eu não te olhe e me lembre dela — ele sorri.
    — Papai, o senhor sente falta da mamãe?
    — Todos os dias, sinto falta dela todos os dias, Rose.
    — Sinto muito.
    — Pelo que pequena?
    — O primo Charlie disse que a mamãe morreu por minha culpa — a garota chora.
    — Ei, não é verdade, pequena Rose. Não chore — ele falha ao acalmar a garota.
    — Ele disse que em todos os meus aniversários o senhor fica triste, porque foi o dia em que eu matei a mamãe — ela soluça.
    — Ei, olha o que eu tenho para você. Venha ver, seu presente de aniversário — Daniel tenta acalmar sua filha mais uma vez.
    Ele a leva para perto do porta-malas e retira uma pequena bicicleta rosa cheia de adesivos e brilhos. A garota olha para o presente, enxuga as lágrimas e abraça Daniel.
    — Você acha que se estivesse triste eu iria te dar um presente como esse? — ele pergunta.
    — Não.
    — Então não chore, pequena, Charlie não sabe o que diz.
    Daniel solta a garota no chão, retira a bicicleta do carro e a coloca sobre o jardim para que ela ande. Rose senta-se e começa a pedalar a pequena bicicleta com rodinhas. Daniel volta-se para sua mãe, caminhando em sua direção com uma aparência abatida.
    — Mãe.
    — Filho, o que houve? — ela olha a menina brincar.
    — Por favor, preciso conversar com o Charlie, ele disse a Rose que ela é culpada pela morte da mãe dela. Rose me disse que sente-se triste por ter matado a mãe.
    — Você sabe, querido, que isso é uma dura verdade — sua mãe diz severa. — A gestação matou Rose aos poucos, mês após mês a criança sugava sua vida, e mesmo que a culpa não fosse da menina, o que Charlie diz é verdade.
    — Mamãe, até a senhora? — ele questiona, bravo, mal podendo acreditar no que escutava.
    — Não estou dizendo que Rose tenha matado a mãe, este tipo de gravidez ocorre muito — ela diz.
    — Eu vou levar Rose para casa, vocês estão loucos. Não quero que minha filha conviva com esse tipo de preconceito por ter sido um feto difícil para a mãe! — Daniel se vira rumo à garota que anda pela calçada com a bicicleta.
    — Filho…
    Daniel a passos rápidos começa a descer pelo jardim, a distância entre a rua e a porta da casa girava em torno de 2 metros. Poucos segundos e Daniel já estava a um metro de Rose. A garota desce até a rua com a bicicleta, distraída olha feliz para seu pai, sem perceber o caminhão vindo em sua direção. Daniel corre o mais rápido que pode, em um segundo ele se joga contra Rose, empurrando a menina da bicicleta para longe do caminhão.
    Tudo acontece muito rápido, Rose cai de costas no chão, de frente para seu pai e para sua bicicleta, a pequena garota consegue ver em câmera lenta o caminhão ir contra seu pai. O corpo de Daniel e a bicicleta foram prensados contra o caminhão e o carro. O sangue de Daniel escorre pelo chão como água que derrama de um copo, e, em meio às ferragens, ele solta seu último suspiro enquanto olha para a pequena garota em choque, sã e salva.
    12 de Janeiro de 2008:
    — Parabéns para você, nesta data querida…
    — Vocês sabem que eu odeio aniversários! — uma garota ruiva e carrancuda diz ao escutar a música.
    — Mas, Rose, não é todo dia que se faz doze anos — uma mulher mais velha diz sorrindo.
    — Não me importo.
    — Deve ser porque a cada seis anos alguém morre por causa dela — um garoto cheio de espinhas diz rindo.
    Charlie! — a mulher adverte.
    Rose corre pela cozinha, pula a mesa e segura o garoto pela gola da camisa.
    — Fala isso de novo e mais alguém vai morrer por minha causa! — ela diz com a mão fechada na altura do rosto de Charlie.
    — Rose, solta seu primo — a mulher diz.
    — Seu bastardo de merda, sua mãe deveria ter deixado você no orfanato. — Ela o solta.
    — Minha o que? — o garoto arregala os olhos.
    — Rose! — uma mulher ruiva diz.
    — Que saco vocês! — Rose pega o bolo e o joga no chão. — Eu tô saindo.
    — Rose! — sua avó grita.
    — Que se fodam todos! — Rose bate a porta da saída.
    12 de Janeiro de 2012:
    — Você trouxe?
    — Claro Rose, vamos? — o rapaz diz de trás do volante.
    — Ei Rose, não vá chegar tarde, hein! — sua avó diz da porta.
    — Me erra, vovó, hoje eu faço dezesseis! — Rose entra no carro.
    — Então, vamos buscar os outros?
    — Pé na tábua, Carl! — Rose diz acendendo um cigarro.
    Depois de passarem pela casa de mais duas jovens, eles seguem por uma estrada de chão até uma casa de madeira. O local se encontra aparentemente abandonado, janelas trancadas com tábuas pregadas e placas escrito “Saiam!”.
    — Ei, vocês querem mesmo fazer isso? — uma garota morena pergunta.
    — Não me diga que está com medo, Raissa? — Carl ri.
    — Só acho que não deveríamos invadir propriedade privada.
    — Deixa de ser medrosa, Raissa!
    — Cala a boca, Lari — ela faz um gesto obsceno.
    — Calem a boca vocês todos, eu ouvi alguma coisa vindo lá de dentro. — Rose avisa.
    — Deve ser algum espírito, buh! — Carl diz.
    — Que programa a Rose foi arrumar pra gente — Lari fala.
    — Você veio porque quis, Lari, é meu aniversário e eu decido o que vamos fazer. Vocês estão comigo ou não?
    — Estamos. Não estamos meninas? — Carl diz.
    — Você está fazendo isso só porque a Rose se sente culpada pela morte dos pais dela no aniversário, você nem gosta disso, Carl — Raíssa fala.
    Rose avança para cima de Raíssa, ela segura em seu pescoço e olha profundamente para os olhos da garota morena.
    — O que você disse, sua maldita?
    — Que você tem complexo de inferioridade pela morte dos seus pais, ninguém da sua família te ama e todo mundo te culpa pela morte deles — Raissa diz com dificuldade.
    A mão de Rose aperta cada vez mais a traqueia da garota morena enquanto Carl e Lari ficam sem reação.
    — Continua falando merda, sua maldita, e eu vou fazer você se arrepender.
    — E o que você vai fazer — ela diz com dificuldade. — Me matar?
    Rose aperta com toda sua força a garganta de Raíssa, a garota tosse enquanto lágrimas saem de seus olhos. Ela tenta soltar-se de Rose, mas sem sucesso, já não existia oxigênio o suficiente para promover tal força. Rose empurra Raíssa para trás, soltando-a, com as pernas bambas e sem ar ela se desequilibra caindo no chão de terra.
    Ao cair, Raíssa bate com sua cabeça contra uma grande pedra.
    — Rose… O que você fez? — Lari pergunta espantada.
    — A Raíssa provocou! Ela só está fazendo drama — Carl diz.
    — Não, ela não está! Raíssa! Ela não está respirando — Lari diz enquanto toma a morena em seu colo.
    — Para com isso! — Rose diz.
    — Gente, é sério, chamem por ajuda! — Lari Grita.
    — Calma Lari, deixa que eu tento acordar ela, vai com a Rose ali na casa e veja se encontra algo pra eu colocar sob a cabeça dela. Rápido! — Carl diz.
    — O que está esperando, Rose? — Lari pergunta. — Vem logo!
    Lari puxa Rose pela manga da camisa, elas correm até o assoalho e abrem a porta. Agora encontram-se dentro da casa abandonada. Rose acende uma lanterna e varre o cômodo.
    — Eu não queria — Rose diz.
    — Eu sei que não, ela te provocou. Não foi sua culpa — Lari diz segurando o ombro da garota ruiva.
    — Vamos lá em cima, deve ter algo — Rose aponta com a lanterna para a escada.
    Ambas sobem os degraus da escada chegando a um corredor cheio de portas fechadas, Rose segue na frente enquanto Lari fica de costas para a escada.
    — Lari, você sabe que se a Raíssa morrer eles vão me culpar, não sabe?
    — A gente vai dar um jeito, Carl e eu vimos que ela começou.
    — Eu não posso deixar ninguém descobrir isso, me perdoe.
    — Perdoar? Pelo que? — Lari pergunta.
    — Por isso.
    Rose empurra Lari da escada, a garota loira despenca dos quatorze degraus batendo com sua nuca e rolando várias vezes. O corpo da garota estaciona logo no início da escada, imóvel e sem vida. Rose segue para um dos quartos,...
    29 min
  • CNa#048: Bilhetes | Conto de Horror
    Gilca encontra um bilhete preto em cima de sua cama ao sair do banho, o significado disso pode mudar sua vida de formas inimagináveis… Classificação indicativa 14 anos.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Vinicius Mendes Souza Carneiro.
    ▬ Narração:
    Shelly.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “Bilhetes", um Conto de Horror.
    Começou em um dia normal, ensolarado, dia lindo, pra ser sincera. Acordei pela manhã, fui até o banheiro e tomei um baita banho quente, daqueles nos quais o box fica todo embaçado, sabe? Devo ter passado ao menos meia hora curtindo o momento, saí do banheiro e me enxuguei. Havia depilado as pernas no dia anterior e, apesar de não recomendado, o banho quente estava satisfatório. 
    Meu nome é Gilca, tenho trinta e dois anos, cabelos escuros e encaracolados, cachinhos de mola, segundo mainha. Meus olhos são castanho-escuros como os cabelos, minha pele é branca, tenho lábios nem finos e nem grossos, e o nariz é um pouquinho redondo, sabe? Um dia faço plástica! Mesmo sob protestos de meu companheiro Valter. Não sou gorda nem magra e meço 1,68m. 
    Ao vestir minhas roupas de trabalho notei algo diferente. Sempre que entro no banheiro deixo tudo já separado antes, dessa forma não perco tempo, sendo assim, sabia que era algo novo, deixado lá durante meu banho. Ao lado do vestido jazia um envelope preto, e em seu centro havia um olho aberto desenhado em tinta branca. Curiosa, abri rapidamente o item, será que era coisa de Valter? Com seu trabalho noturno mal nos víamos, e àquele horário da manhã ele ainda não deveria ter chegado. Puxei o bilhete que vinha dentro:
    “Nas gordinhas de ondina.”
    Nada mais estava escrito. Moro na Pituba, um bairro de Salvador na Bahia, meu pai deixou esse apartamento de herança pra mim, caso contrário não teria dinheiro para uma casa aqui. Trabalho na Barra. Costumo passar pela avenida oceânica todos os dias, então as Gordinhas de Ondina, monumento referência composto por três estátuas de mulheres gordas em um canteiro próximo à orla do local, era paisagem trivial.
    Humm, curiosa com isso, viu...
    Terminei meus preparativos e peguei o elevador, meu carro aguardava no primeiro estacionamento. O trânsito estava como sempre, insuportável, fiz o trajeto em pelo menos meia hora, pois a curiosidade era grande, queria ver o que o monumento tinha a ver com minha vida hoje. Há um cruzamento em “T” com sinaleira em frente às estátuas, curiosamente o sinal fechou na minha vez de passar e tive visão plena do que acontecia ali. 
    No primeiro momento julguei que não veria algo diferente, havia uma senhorinha caminhando em direção à UFBA (Universidade Federal da Bahia), um garoto de skate, um mendigo sentado aos pés de uma estátua. Não havia nada fora do normal... até que vi.
    Foi repentino, um pedestre andava ao lado de uma das gordinhas, por algum momento não consegui desviar mais a atenção dele, foi quando um buraco na calçada o fez desequilibrar, ao tentar ficar em pé torceu o tornozelo e tombou para o lado da pista, o ônibus que vinha por ali não teve como desviar e suas rodas estouraram o crânio dele como uma fruta madura. A cena foi horrível, em choque não consegui me mover dali até o buzinaço começar atrás de mim. Parcialmente catatônica fiz o trajeto até o trabalho, tanto que ao parar o carro quase não percebi um segundo bilhete que descansava no banco do passageiro.
    Trêmula, peguei o segundo envelope e o coloquei na bolsa, não iria abrir aquele mau agouro de maneira nenhuma. Fui até minha sala no escritório de contabilidade no qual trabalho e fiquei ali amuada por alguns momentos. Então Rita entrou:
    - Tu tá com cara de fantasma menina, o que aconteceu?
    Rita era minha amiga ali, conversávamos sobre tudo, parceiros, desejos, fofocas e qualquer assunto que fosse colocado. Uma morena de cabelos crespos e curtos, tinha olhos fortes e um sorriso largo, era magra e como eu dizia pra ela todos os dias: “Magra de ruim”. Olhava pra mim curiosa naquele momento.
    - Eu nem sei ainda se tem algo a ser dito... aconteceu algo muito estranho comigo essa manhã.
    - Me conte logo, minha filha, tenho paciência pra suspense não.
    - Veja bem, achei esse bilhete em cima de minha cama pela manhã...
    Mostrei pra ela o bilhete e narrei o que havia acontecido, enquanto isso ela escutava compenetrada.
    - ...Entendeu? – Concluí.
    - Você não bebeu, né?
    - Não, criatura, tô te mostrando o bilhete, ora essa.
    - Abre o outro.
    - O quê?
    - Abre o outro! Tu vai ficar sem saber o que é?
    - Ai minha santa! Tu não tem medo de acontecer algo, não?
    - Pior do que ficar sem saber, não acha?
    - Ai... que medo!!! Não quero ver isso.
    - Abre logo! Ou você acha que ler isso vai fazer qualquer diferença? Até pra quebrar essa ideia, né?
    - Tá bem, vou abrir.
    “14 horas”
    Mais nada havia ali, apenas isso, um recorte no tempo, um horário, o que iria acontecer?
    - Só isso?
    - Oxe! Tu acha pouco? Que desgraça será que vai rolar esse horário?
    - Se acontecer algo você vai saber, afinal, né, não há como descobrir se esses bilhetes são verídicos ou apenas uma pegadinha.
    - Será, amiga? Tomara...
    Trabalhei compenetrada, passei a manhã inteira ocupada e quase me esqueci do bilhete, só não o fiz devido ao acidente que presenciei mais cedo naquele dia. Fora horrível, nunca mais minha vida seria a mesma após aquilo. Dez novas empresas haviam contratado o escritório, o que era muito bom, porém o trabalho aumentou vertiginosamente no último mês. Rita ficara a manhã toda resolvendo o quinhão dela e ao fim de tudo resolvemos sair para almoçar.
    Em um fast-food  próximo, sentamos para comer um sanduíche. àÀs segundas-feiras era nosso dia de sair do regime, sabe? Fizemos isso para o dia ser mais interessante.
    - Como foi sua manhã, Rita?
    - Você acredita que a Carnes S. A. quer que eu maquie suas contas?
    - Sério?
    - Sim, minha filha, ainda bati a maior boca com o dono hoje pela manhã, deixei o pepino pra Dário resolver, o escritório é dele e se quiser ele que se responsabilize.
    - Pois é, menina, concordo demais com você, não suje seu nome. Caso fizesse e fosse descoberto, o escritório diria que você agiu sozinha, pule fora disso.
    - Já pulei... mas falando sério, queria pular em outro lugar... aquele Dário é um gostoso!
    Uma sequência de risos se seguiu e nossa conversa perdurou por mais alguns momentos, comemos o sanduba e, após isso, resolvemos descansar um pouco ali mesmo. Essa é a maior vantagem e a pior desvantagem de andar com Rita, o tempo passa rápido, sabe? Quase não percebemos e por mera sorte vimos que era uma e meia da tarde. 
    Corremos como loucas para chegar, entramos no escritório e quem encontramos? Hilton Barbosa, dono da Carnes S. A. Adequadamente à função, o homem se assemelhava a um suíno, nariz achatado com dois grandes vincos nas narinas, gordo e vestido de terno e gravata, seu rosto era cheio de espinhas e escorria suor, este também fazia duas grandes manchas embaixo de suas axilas, uma gravata desarrumada pendia em meio a toda essa carne.
    - Aí está a menina que debateu ética comigo pela manhã! Ética, Dário! Pode acreditar nisso? – a voz parecia tão rechonchuda quanto sua forma.
    - Senhor Hilton, podemos conversar em particular? Aqui no meio do escritório me deixa, de certa forma, desconfortável. – Dário estava sério, não parecia apreciar a presença dele ali.
    - Claro, que é isso!? Vamos lá.
    - Vocês duas, venham comigo também!
    - Eu também? – perguntei.
    - Claro, já viu tudo, então presencie o resto.
    Andamos a passos largos até a sala de Dário. Ai, que bunda que ele tem! Sinto calor até agora só de pensar e, naquela calça social, definitivamente Rita estava certa. Entramos na sala e o ar condicionado me fez sentir frio imediatamente, não entendo até hoje como ele mantém aquilo tão frio.
    - Pode se sentar, senhor Hilton.
    - Obrigado, mas prefiro ficar de pé.
    - Sentem-se. – Falou-nos, dando um olhar forte, e sentamos, claro.
    - Essa sua funcionária não sabe ganhar dinheiro!
    - Realmente, senhor Hilton. Ela foi treinada para administrá-lo.
    - Não é disso que falo, Dário, qual é o problema de dar um jeitinho em minhas contas?
    - Rita, o que o senhor Hilton pediu que fizesse?
    - Veja bem... ele tem passado notas frias, sabe? Pediu que eu adequasse as contas dele para maquiar esses valores por fora.
    - Senhor Hilton, acredito que o senhor tem razão, minha funcionária não sabe ganhar dinheiro... – um sorriso se fez aparecer no rosto do empresário – …sujo. – O sorriso desapareceu imediatamente. – Aqui na Contabilionaria Salvador LTDA trabalhamos honestamente e, se o senhor não se enquadra em nosso modo de trabalho, procure outra empresa. Não sujaremos nosso nome com esse tipo de serviço.
    - Isso é um ultraje! Você sabe com que está falando?
    - Sei, com alguém que está perdendo a linha. Se o senhor não se acalmar, terei que chamar a segurança.
    - Você! Você!!! – Hilton colocou uma mão no peito, seu rosto era vermelho como um tomate, olhou para mim e estendeu sua mão, então caiu no chão, e ali ficou, imóvel, o relógio então bateu quatorze horas. Quando a ambulância chegou, confirmou a morte e convocou o IML para levar o corpo.
    Ainda, após uma hora de intercorrências, fiquei catatônica em minha mesa. Aconteceu realmente, aquele envelope preto era um augúrio de morte, eu sabia que algo poderia acontecer, mas nada fiz. Era responsabilidade minha? Senti uma mão em meu ombro direito.
    - Oi amiga...
    - Oi Rita. – Meus olhos marejaram.
    - Não é sua culpa, o homem era um tonel de banha, estava na cara que ia enfartar a qualquer momento.
    - E o bilhete? Ele avisou... eu sabia, apenas não sabia o que era especificamente.
    - Você não tinha como evitar e nem prever aquilo, pare de se culpar.
    Dário veio em nossa direção.
    ...
    27 min
  • CNa#045: A Mansão Assombrada | Conto de Horror
    Crianças são seres muito curiosos, e por vezes costumam ir além de sua capacidade para sanar suas dúvidas. Todavia, existem alguns casos em que elas passam dos limites, colocando em risco suas vidas e a vida de outras pessoas. Por isso, mantenha sempre um adulto responsável por perto quando o assunto for investigar uma mansão hipoteticamente mal assombrada. Indicado para 16 anos ou mais.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Herica Freitas.
    ▬ Narração:
    Brendo Santos.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “A Mansão Assombrada”, um Conto de Horror.
    Que as crianças são muito curiosas, todo mundo sabe. Entretanto, existem certas ocasiões em que sua curiosidade excede os limites de saúde e segurança delas ou de terceiros. O caso que vou relatar ocorreu em 1990, numa cidade portuária, uma ilhazinha na verdade, chamada Atlas. A cidade era bem movimentada, pelo seu porto e comércio de pescados. Quem não era pescador, era cozinheiro de frutos do mar ou capitão de navios, operador de guindastes, ou melhor, qualquer profissão voltada para a pesca, armazenagem e comercialização dos produtos pesqueiros.
    Todos os Atlasianos eram corados de sol, vestiam-se em sua grande maioria com roupas casuais, pelo calor da região, e praticavam atividades físicas relacionadas ao mar, como natação e surf. As crianças eram muito animadas, e por ser uma ilha bem pequena e com poucos moradores, elas quase sempre estavam sem a companhia de um adulto ou responsável. Brincavam pelos portos, andavam de bicicleta, frequentavam o único fliperama da ilha e entravam às escondidas nos cinemas.
    Arthur, ou simplesmente Art, estava na flor de seus 11 anos, e era o campeão de Pacman do arcade “Hora do Jogo”. Ele andava sempre na companhia de seus três fiéis amigos, Ana (10), Clóvis (9) e Miguel (12). Juntos eles percorriam toda Atlas, com exceção, de um único lugar. Na pequena ilha, havia uma mansão localizada no alto do maior pico, jamais habitada por alguém, é o que todos os adultos contavam. Conhecida como a mansão mal assombrada, estava lá havia gerações, e ninguém nunca soube explicar quem a havia construído.
    Há quem diga que a mansão seja um portal para outra dimensão, outro mundo, cheio de criaturas horrendas. Muitos acreditam ser o portão do inferno, que lá residem demônios prontos para levar suas almas. Outros, dizem que um vampiro morou ali, mas que morreu com uma estaca em seu peito, fincada por um herói que de lá jamais saiu. No entanto, ninguém sabe qual dessas histórias é de fato a verdadeira, fato é que ninguém, seja adulto ou criança, tem coragem de ir até aquela mansão.
    No dia 31 de outubro, de 1990, data comemorativa do Halloween, Arthur e sua trupe andavam vestidos de caça-fantasmas pela vizinhança, pediam doces ou travessuras. O combinado era que as crianças estivessem de volta em casa às 10 da noite, ou seus pais ficariam muito nervosos. Mas o inesperado ainda estaria por vir. Art, que era um garoto muito competitivo, cheio de postura de líder e decidido, fora desafiado por seu rival, Jhony. Ele, chamando Art de covarde e medroso, o incentivou a subir a colina para a mansão assombrada.
    Art, que não gostava de perder, nem mesmo ser chamado de fraco, convenceu seus companheiros a irem consigo, porém disse a eles:
    -E faremos mais do que isso! Entraremos naquela casa.
    Era uma ideia louca, mas que enchia o corpo do garoto de adrenalina. Suas mãos suavam, seu coração batia rápido e sua respiração estava descontrolada, não sabia se era nervosismo ou o cansaço de subir aquela colina alta.
    Chegaram ao topo, e lá estava ela. A mansão com seus três andares, visivelmente abandonados. O primeiro composto de uma porta alta, janelas totalmente cobertas por cortinas brancas que não balançavam com os ventos da alta colina, pois os vidros estavam abaixados. O segundo andar, também repleto de janelas, com as mesmas características, Art e seus amigos podiam jurar que as do segundo andar eram mais assustadoras. No terceiro havia janelas como as demais, com a diferença estrutural da presença de uma torre, parecia como um pequeno castelo que exibia longa janela curvada. Esta, porém, pregada com tábuas pelo lado de dentro.
    Ana reparou a madeira parcialmente deteriorada pela umidade proveniente do mar e, principalmente, devido aos séculos de exposição a tal ambiente. “Precisamos mesmo entrar?” perguntou Clóvis que estava com as pernas tremendo, claramente amedrontado. “Não existe essa coisa de fantasma, isso é lenda pra gente não vir aqui”, Art respondeu com um ar destemido, e complementou com um “Vamos!”. Art, como esperado, partiu primeiro, liderando o grupo como sempre fizera, caminhou em direção à cerca viva que os separava da grande porta de entrada da casa, ela possuía cerca de um metro de altura e meio de largura, com galhos emaranhados entre si, alguns secos, outros com espinhos e uma ou outra folha verde. Olhou para ambos os lados antes de pular a cerca e, quando o fez, ao tocar o solo do interior do terreno sentiu um frio tomar conta de seu corpo.
    Depois de Art foi a vez dos companheiros, primeiro Miguel, que por ser o mais alto não teve muita dificuldade em pular sem tocar a cerca, depois Ana, que acabou cortando sua mão em alguns espinhos, por fim Clóvis, que olhou para a cerca, olhou para os amigos e depois para a janela da torre de castelo no terceiro andar. Nesse momento, o garoto viu uma silhueta observar as crianças pela fresta de uma tábua, o que o deixou amedrontado demais para pular, ele apenas gritou e correu colina abaixo, deixando os três amigos para trás.
    Sem entender, e sem enxergar o que Clóvis havia visto, Art, Ana e Miguel partiram rodeando a casa, tentando ver seu interior pela fresta das janelas, mas sem sucesso. Deram a volta pelo lado esquerdo, até atingirem o quintal traseiro do local. Observaram então que a cerca viva acabava à beira de um precipício muito alto, que ia de encontro ao mar e a muitas rochas pontudas. Voltaram seus olhares novamente para a casa, perceberam que um alçapão estava de portas escancaradas, como se os convidasse para entrar.
    Art pegou sua lanterna do bolso e indicou o alçapão com a cabeça para Ana e Miguel, partiu à frente caminhando devagar até a entrada. Ele iluminou com sua lanterna, mas conseguiu enxergar apenas degraus de uma escada que não parecia ter fim devido à escuridão. “Temos que entrar, a lanterna não está ajudando”, Art disse colocando o primeiro pé no degrau mal iluminado, o segundo pé veio em seguida, mas sem esperar, Art foi jogado ao chão escada abaixo, em função do degrau apodrecido que cedeu sob seu peso.
    “ART!” gritaram os dois amigos ao verem o garoto sumir para a escuridão. Art sentiu dor enquanto caía e rebatia pelas quinas dos degraus, e depois de muito rolar, sentiu seu peito bater sobre um chão frio. Sentia dor, estava zonzo, seu ouvido zumbia, sequer ouviu seus amigos gritarem seu nome, não enxergava nada pois a lanterna havia caído de sua mão com a queda da escada. Segundos após o acidente, retomou a consciência, conseguiu identificar um facho de luz vindo de sua direita, sua lanterna provavelmente havia rolado para longe. Se levantou com dificuldade, suas pernas ardiam, seus cotovelos também e suas costelas doíam ao respirar.
    Lá fora, Miguel e Ana estavam desesperados, tentando ver algo dentro da casa, mas sem sucesso. Ana já estava com seus olhos cheios de lágrimas, porém Miguel ainda se mantinha firme. Depois de algum tempo respiraram aliviados ao ouvir a voz de Art advinda do final da escada:
    -Eu me machuquei, me ajudem…
    Ana ainda chorosa perguntou:
    -Mas a gente vai cair também?
    -Não se a gente der a volta – Miguel completou -“Art, você consegue abrir uma porta ou janela?
    -Sozinho? – ele respondeu.
    -Está com medinho? – Miguel caçoou.
    -Não, cla…claro que não.
    -Então abre a porta aqui dos fundos.
    -Tá…tá bom.
    -A gente vai esperar lá na outra porta, tá bom? Vem, Ana.
    Art virou-se de costas para a escada, tentando iluminar o máximo que podia. Estava em uma espécie de porão, mas não via nada além de silhuetas cobertas de lençóis brancos, como se a mudança de alguém nunca tivesse sido buscada. Não conseguia distinguir as formas, ao menos não ousou descobrí-las para saber. Poderia jurar ter visto algo se mexer por entre elas, mas tentou ignorar este fato, pois já estava amedrontado demais, “Tá tudo bem”, repetia baixinho diversas vezes. Caminhou por entre a mobília, sentiu uma respiração em seu pescoço, gritou, deixou a lanterna cair no chão, agachou-se tapando os ouvidos com os braços.
    Algum tempo depois, a agonia deu lugar à coragem para esticar a mão e pegar a lanterna, então olhou ao redor e não viu ninguém. Ouviu da extremidade de uma segunda escada um rangido de porta se abrindo, sozinha em meio à inquietante ausência de outros sons. Ficou imaginando que alguém poderia ter aberto para ele, talvez um fantasma? Um demônio? Um ladrão? O vampiro das velhas estórias? Seja lá o que fosse, Art não conseguia imaginar nada de bom vindo dalí. Pensou em retornar, e tentar subir a escada podre para voltar para fora. Correu até o primeiro degrau, mas ao olhar para cima, para fora, viu a entrada se fechando com rapidez.
    Sem ter para onde ir, voltou para a porta que havia se aberto, engolindo em seco, estava tremendo, suando, não sabia se de dor ou de medo, mas estava. Começou a subir lentamente os degraus, que rangiam mais que a porta que se abriu, estava tremendo tanto que a luz de sua lanterna se projetava trêmula pelos degraus empoeirados. Chegou à porta, estava olhando para o assoalho de madeira, com medo de projetar a luz para frente e encontrar quem a havia aberto. Percebeu então que no chão haviam marcas de arranhões, como se algum bicho, ou pessoa, tivesse sido arrastado naquela direção.
    Colocou o primeiro pé para dentro do cômodo à sua frente,...
    20 min
  • CNa#039: A Câmara do Terror | Conto de Horror
    A câmara do terror lhe mostra seus maiores medos. Do que você tem medo? Um conto para maiores de 16 anos.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
    Wevison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “A Câmara do Terror”, um conto de horror.
    Ricardo não via a hora de chegar à câmara do medo, ele já estava fazendo o tour do parque do terror de North Ville há duas horas ou talvez fossem duas horas e meia, ele não sabia ao certo. Contudo, sabia que nada ali lhe assustara até então.
    Ele ouvira falar a respeito da câmara do terror, diziam que ela lhe mostrava o seu maior medo e, não só isso, tornava-o real. E ele, como muitos adolescentes da sua idade, adorava se colocar à prova e desafiar seus limites. Ricardo gabava-se para os amigos de ser completamente destemido e desejava que eles estivessem ali para que pudesse provar.
    Finalmente chegara a hora, ele entrou na fila do brinquedo, após montanhas russas com robôs realistas sem graça, casa fantasma com atores mal maquiados e labirintos de espelhos que mostravam reflexos tão distorcidos que mais pareciam massas disformes nada assustadoras.
    Assim que chegou, ele pôde ver uma pessoa sendo carregada em uma maca, chegou até a se animar com aquela cena, será que finalmente sentiria medo? Tinham oito pessoas em sua frente, ficou observando o funcionário do parque entregar um pequeno bastão com um botão na ponta para a pessoa que adentraria à câmara, pois, se o medo fosse demais, ela poderia apertar o botão, que acenderia uma luz vermelha do lado de fora e o funcionário abriria a porta, dando fim à experiência.
    O primeiro entrou e Ricardo contou, 1… 2… a luz acendeu, o homem barbado que entrou chorava como um bebê. Foi a vez do segundo, aparentava ter sua idade, 1… 2… 3… acendeu a luz, o garoto não chorava, mas estava pálido como neve fresca. E então, a terceira pessoa, a quarta, a quinta, ninguém aguentava mais que três segundos lá dentro.
    Agora, ele era o terceiro da fila, se desafiou a ficar pelo menos cinco segundos dentro da câmara, deveria ser o recorde do parque e ele, dentre todos, era a pessoa certa para batê-lo. Logo chegou sua vez, e o funcionário lhe explicou as instruções que ele já ouvira diversas vezes enquanto estava na fila. Ao mesmo tempo ansioso e confiante, pegou o pequeno bastão em sua mão direita e adentrou a câmara.
    Enquanto a porta se fechava, ele percebeu dois jatos de gelo seco, dando à sala um clima misterioso. Começou a contar:
    1… nada aparecera até então, o jovem indagou mentalmente se ele realmente não tinha medo algum.
    2… sentiu seu estômago revirando, o coração acelerou.
    3… estava arrepiado dos pés à cabeça e sentia calafrios pelo corpo todo.
    4… finalmente ele entendera, aquele era então o seu único medo, caiu de joelhos, não podia respirar, seu coração já não batia mais e sua visão rodopiava como um peão.
    5… sorriu fracamente, ele bateu o recorde e finalmente sentiu medo de verdade, caiu no chão, com os lábios roxos e inchados, os olhos arregalados, com as pupilas dilatadas e com uma coloração esbranquiçada como leite, a pele fria e pálida.
    Quando abriu a porta e viu aquele corpo estirado no chão, o funcionário reclamou:
    – Puts… Mais um. Jonas! Marcão!
    Dois homens fortes colocaram o corpo de Ricardo numa maca e levaram-no dali. O funcionário exclamou:
    – Próximo!!
    O fim!
    APOIE NOSSA CAUSA!
    Nosso Plano de Assinaturas do APOIA.SE! Acesse e veja nossas recompensas para os apoiadores.
     
    COMPARTILHE!
    Se você gostou desse Podcast de RPG, então não se esqueça de compartilhar!
    Facebook RpgNextPage,
    Grupo do Facebook RPGNext Group,
    Twitter @RPG_Next, 
    Canal do YouTube, 
    Instagram @rpgnext,
    Vote no iTunes do Tarrasque na Bota e no iTunes do RPG Next Podcast com 5 estrelas para também ajudar na divulgação!
    DEIXE SEU FEEDBACK!
    Se quiser deixar seu feedback, nos envie um e-mail em [email protected] ou faça um comentário nesse post logo abaixo.
    Seu comentário é muito importante para a melhoria dos próximos episódios. Beleza? Muito obrigado pelo suporte, pessoal!
    Links para MÚSICAS e SFX
    Tabletop Audio – https://tabletopaudio.com/ 
    Contato
    Facebook / Twitter / Google+ / YouTube
    8 min
  • CNa#038: Chanda Suria, A dançarina | Conto de Horror
    Chanda Suria era uma garota nascida em uma abastada família indiana, educada e criada para ter um bom casamento. O casamento arranjado parecia perfeito, até que a jovem começa a ter sonhos estranhos e seu primeiro contato com o Mundo das Trevas acontece. Esse conto serviu de background para uma caçadora de vampiros utilizada narrações de “Vampiro A Máscara” e se conecta com um conto de seu parceiro, Yamato, O Guerreiro. Indicado para 16 anos ou mais.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Luis Couzenn - Orik.
    ▬ Narração:
    Wevison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “Chanda Suria, A dançarina”, um conto de “Horror”.
    Chanda Suria, menina obediente, menina saudável, criada para ser uma boa esposa. Seu marido herdaria a grande fortuna de sua família, por isso foi criada e educada para ser simplesmente a melhor de todas e, assim, conseguir um bom herdeiro para tudo.
    Dançava como uma deusa, mas nunca sentia que seu lugar era na dança, sempre houve aquele sentimento de que não havia nascido para isso. Mas, mesmo com toda estranheza que seu preparo para ser uma boa esposa lhe causasse, não queria magoar sua família, pois eles eram os únicos amigos verdadeiros que tinha, jamais poderia decepcioná-los. Entre a alta sociedade, ganhou o apelido de Nartakee (dançarina em Hindi). Em todos os eventos, comandava uma apresentação de dança que encantava a todos, sua beleza, sua graça e sua, tardiamente descoberta, voz eram hipnotizantes para todos.
    Seu casamento se aproximava e quanto mais perto chegava do grande dia, mais sua inquietação aumentava. Iria casar tarde, seu pai quis ter certeza de que tinha escolhido o melhor marido de todos. E depois de saber que o marido havia sido escolhido, os sonhos começaram. Todas as noites, se deitava cedo para preservar sua beleza, e, então, via lugares que nunca havia visitado antes. Prostitutas por todos os lados, tantos perfumes fortes misturados que suas narinas mal aguentavam. Nartakee demorou para entender que olhava através dos olhos de alguém em seu suposto sonho, até que ouviu um nome, um homem alto, muito pálido, se dirigiu diretamente a pessoa cujos sentidos ela utilizava. O homem convocou a pessoa para um aposento privativo, serviu de seu próprio sangue e Nartakee sentiu tudo através do corpo daquela pessoa, seus sentidos aumentaram, seu corpo parecia mais forte, a sensação era de êxtase e, com algumas ordens sendo balbuciadas, a moça despertou ofegante.
    Nartakee com sua voz encantadora conseguiu convencer sua mãe de dizer o nome de seu marido e tudo que ela temia se concretizou. Ela sabia que seus sonhos eram reais, que de alguma forma ela podia ver e sentir o que outra pessoa muito longe estava vendo e sentindo, e ao ouvir de sua mãe aquele nome, tudo fez sentido. Seu futuro marido era a pessoa cujo corpo ela visitava todas as noites e frequentava aqueles lugares imundos e bebia do sangue gélido de outro homem que parecia um fantasma. E foi então que ela decidiu que teria que decepcionar sua família para salvar tudo aquilo que seu avô e seu pai construíram ao longo de anos, não poderia deixar que tudo caísse nas mãos de um depravado, que ainda por cima seria seu marido.
    Chanda contratou um grande detetive, que, em poucos dias, obteve provas suficientes para desfazer seu casamento. Mas, mesmo que o preço pelos serviços do detetive não fosse nada para sua fortuna, o preço que seria cobrado por sua iniciativa de salvar o patrimônio de sua família seria muito mais alto do que ela poderia imaginar.
    Os sonhos se foram. Durante três noites Nartakee dormiu em paz, mas na quarta noite voltou a ver pelos olhos de alguém. Esse alguém estava irado e corria pela rua a uma velocidade desumana, até que ela viu suas mãos e estava novamente no corpo de seu ex-futuro marido, mas ele estava diferente, parecido com aquele homem pálido que ela havia visto. Ao final da corrida, ela viu o portão da propriedade de sua família, e ela sabe o que ele veio fazer, ele estava diferente, mais forte, e iria usar isso contra ela e sua família.
    Nartakee se esforçou para despertar, mas não conseguiu e viu aquele homem massacrar a todos, matar seus pais, tios, todos os empregados que sempre cuidaram dela e então ele parou, em frente à porta de seu quarto.
    Então Nartakee despertou, ela sabia que estavam todos mortos e que não lhe restava mais ninguém. Nos poucos instantes que tinha, antes daquele homem entrar em seu quarto, ela se agarrou a última coisa que possuía, o pingente de Om que sua mãe havia lhe dado quando era criança e começou a recitar seu mantra de proteção (Narasimha Ta va da so hum). E então, ele entrou e ela viu o rosto daquele homem com seus próprios olhos pela primeira vez.
    Tomado pela cólera, o homem avançou alguns passos e, de repente, parou diante da cama dela, parecendo fazer muita força para continuar se movendo. Ele esbraveja alguns xingamentos, sem entender o que estava acontecendo. Mas Nartakee sabia, os deuses a estavam protegendo, ela podia sentir. Nartakee sentiu que tinha poder, sentiu que podia fazer algo que nenhum de seus familiares pôde, ela se levantou com coragem e, junto dela, dezenas de objetos em seu quarto flutuavam, como que incentivando-a a continuar.
    Om Apa-sarpantu Tae bhuta Yei bhuta
    Bhuvi Sam-stitaha
    Yei Bhuta Vigna Kartara
    Stei Gachantu Shiva Ajnaya
    ( Que os espíritos que estão assombrando essa área desapareçam e jamais retornem, por Ordem de Shiva)
    Nartakee mudou seu mantra, sabia que os Deuses têm poder para destruir essa monstruosidade que matou sua família, sabia que os deuses compreendiam sua vontade de se vingar e aceitou ser a espada dos deuses. Ela se aproximou daquilo que já fora um homem, ele ainda esbraveja e cuspia ofensas sem poder se mover, Nartakee empunhou seu pingente de Om na direção dele e de repente pareceu ver dentro da mente daquela criatura. Ela sentiu o medo que ele sentia dela, ouviu seus pensamentos em um turbilhão veloz e indistinguível. Agora, ela estava diante dele, ele era alto, e ainda assim ela se sentia como uma gigante. Nartakee encostou o pingente no peito do não-homem, recitando seu mantra a plenos pulmões. A carne da criatura queimou e se desfez ao contato, ele gritou, seus caninos pontiagudos destacando-se dos outros.
    Nartakee não sorriu, aquilo morreu diante dela, se dobrando ao poder dos Deuses, mas ela não sorriu. Não existia satisfação, este era apenas um pequeno passo, existiam mais monstros como este e agora entendia sua função no mundo, exterminar aquilo que os Deuses não criaram. Ela faria isso, pelos deuses e por sua família assassinada. O monstro morto caiu no chão e começou a se desfazer em cinzas. Nartakee foi invadida por uma sensação de paz e adormeceu em sua cama, exausta.
    Na manhã seguinte ela e alguns conhecidos deram funerais dignos a todos aqueles que morreram na propriedade de sua família. Nartakee entregou o controle da empresa de seu pai a seu amigo de confiança e lhe disse apenas para lhe enviar os lucros que lhe couberem como, agora, dona da empresa. Se isolou e começou a caçada. Para as monstruosidades e todos aqueles que fossem indignos ela seria conhecida apenas como “A Dançarina Nartakee”, seu nome seria restrito.
    Os anos passaram, ela tornou sua dança mortal, confiou seu caminho aos deuses, até que eles colocaram a Sociedade de São Leopoldo em seu caminho. Mesmo acreditando em outro Deus, eles a acolheram, ajudaram-na a controlar seus poderes, que, até então, ela acreditava estarem apenas sob controle dos deuses. Ela encontrou companheiros e percebeu que o mundo era muito mais vasto do que ela imaginava, outros Deuses também tinham poder e demandavam a destruição dos monstros. E, em uma viagem ao Japão, encontrou aquele que seria seu maior parceiro, aquele errante que ela chamou de Yamato.
    APOIE NOSSA CAUSA!
    Nosso Plano de Assinaturas do APOIA.SE! Acesse e veja nossas recompensas para os apoiadores.
     
    COMPARTILHE!
    Se você gostou desse Podcast de RPG, então não se esqueça de compartilhar!
    Facebook RpgNextPage,
    Grupo do Facebook RPGNext Group,
    Twitter @RPG_Next, 
    Canal do YouTube, 
    Instagram @rpgnext,
    Vote no iTunes do Tarrasque na Bota e no iTunes do RPG Next Podcast com 5 estrelas para também ajudar na divulgação!
    DEIXE SEU FEEDBACK!
    Se quiser deixar seu feedback, nos envie um e-mail em [email protected] ou faça um comentário nesse post logo abaixo.
    Seu comentário é muito importante para a melhoria dos próximos episódios. Beleza? Muito obrigado pelo suporte, pessoal!
    Links para MÚSICAS e SFX
    Tabletop Audio – https://tabletopaudio.com/ 
    Contato
    Facebook / Twitter / Google+ / YouTube
    15 min
  • CNa#036: Yamato, O Guerreiro | Conto de Horror
    Um guerreiro que viveu para a espada e por aqueles que amava. Porém, nem sempre é possível protegê-los. Um evento envolvendo o Mundo das Trevas tirou tudo dele e o levou para um caminho onde a honra não mais importa. Yamato, O Guerreiro é um conto que serviu de background para um caçador de vampiros utilizado em Vampiro A Máscara e se conecta com o conto “Chanda Suria, A Dançarina”. Indicado para 16 anos ou mais.
    Acesse o conto escrito na íntegra aqui: https://www.rpgnext.com.br/contos/yamato-guerreiro-vampiro-horror/
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Luis Couzenn.
    ▬ Narração:
    Wevison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    APOIE NOSSA CAUSA!
    Nosso Plano de Assinaturas do APOIA.SE! Acesse e veja nossas recompensas para os apoiadores.
     
    COMPARTILHE!
    Se você gostou desse Podcast de RPG, então não se esqueça de compartilhar!
    Facebook RpgNextPage,
    Grupo do Facebook RPGNext Group,
    Twitter @RPG_Next, 
    Canal do YouTube, 
    Instagram @rpgnext,
    Vote no iTunes do Tarrasque na Bota e no iTunes do RPG Next Podcast com 5 estrelas para também ajudar na divulgação!
    DEIXE SEU FEEDBACK!
    Se quiser deixar seu feedback, nos envie um e-mail em [email protected] ou faça um comentário nesse post logo abaixo.
    Seu comentário é muito importante para a melhoria dos próximos episódios. Beleza? Muito obrigado pelo suporte, pessoal!
    Links para MÚSICAS e SFX
    Tabletop Audio – https://tabletopaudio.com/ 
    Contato
    Facebook / Twitter / Google+ / YouTube
    13 min

About Arquivos Contos de Horror - RPG Next

From the publisher's feed

Produção de podcasts e conteúdo envolvendo o RPG.