Nesse episódio do Papo Lendário, especial da campanha #OPodcastÉDelas2020, Leonardo Mitocôndria e Nilda Alcarinquë entrevistam a arqueóloga e divulgadora cientifica Márcia Jamille.
Ouça nossa convidada falar de como é lidar com informações falsas sobre arqueologia e o Antigo Egito.
Produções de entretenimento sobre múmias e Egito prejudicam o trabalho de um arqueólogo e divulgador?
Conheça a "voz" da múmia
- Esse episódio possui transcrição, veja mais abaixo.
-- LINKS --
Canal da Convidada: Arqueologia pelo Mundo (mudou de nome recentemente)
Site: Arqueologia Egípcia
Compre o Livro: Uma Viagem pelo Nilo
Curso: Animais Sagrados do Egito
Site da campanha #OPodcastÉDElas
Vote no Prêmio LeBlanc. É só preencher com "Antologia Mitografias Volume 3 - Mitos de Trindade"
-- EQUIPE --
Pauta, edição: Leonardo Mitôcondria
Locução da abertura: Ira Croft
Host: Leonardo Mitôcondria
Participante: Nilda Alcarinquë
Convidada: Márcia Jamille
-- APOIE o Mitografias --
-- Agradecimentos aos Apoiadores --
Antunes Thiago
Paulo Diovani Gonçalves
Patricia Ussyk
Edmilson Zeferino da Silva
Rafa Mello
Jonathan Souza de Oliveira
Pedro Zavitoski
Clecius Alexandre Duran
Gabriele Tschá
Felipe Cavalcante da Rocha
Everson
Mateus Seenem Tavares
Domenica Mendes
Ana Lúcia Merege Correia
Yasmin patricia de oliveira
Mayra
Bruno Gouvea Santos
Aline Aparecida Matias
Alexandre Iombriller Chagas
Leonardo Rocha da Silva
Lindonil Rodrigues dos Reis
José Eduardo de Oliveira Silva
Alan Franco
Eder Cardoso Santana
Rosenilda Azevedo
Adriano Gomes Carreira
Talita Kelly Martinez
Ricardo Silva
Leila Pereira Minetto
-- Transcrição realizada por Amanda Barreiro (@manda_barreiro) --
[00:00:00]
[Vinheta de abertura]: Você está ouvindo Papo Lendário, o podcast de mitologias do projeto Mitografias. Quer conhecer sobre mitos, lendas, folclore e muito mais? Acesse: mitografias.com.br.
[Trilha sonora]
[Bloco de recados] Leonardo: Olá, ouvinte. Antes de começar o episódio, alguns recados rápidos. Primeiro, saibam que esse episódio faz parte da campanha O Podcast É Delas de 2020, uma campanha feita para incentivar a participação feminina em podcasts. Para participar dela, a gente aproveitou e convidou e entrevistou a arqueóloga Márcia Jamille, que tem um canal no Youtube e um site. A gente vai deixar aí os links. Outro recado é para lembrar de você apoiar o Mitografias. Inicialmente, você pode contribuir com o valor que achar melhor, seja pelo Padrim: padrim.com.br/mitografias, ou pelo Catarse, que a gente começou recentemente: catarse.me/mitografias. Quem apoia, além de receber os episódios com antecedência, possui outras recompensas. E, por fim, se você está ouvindo esse episódio até o dia três de abril, saiba que estamos participando do prêmio LeBlanc com a nossa antologia Mitografias, volume três: Mitos de Trindade. Nós fomos os vencedores quando publicamos o volume um, e agora você pode votar novamente na gente na categoria Literatura Fantástica e Ficção Especulativa. No post deste episódio terá todos os links da campanha para você conhecer outros podcasts que estão participando, de como nos apoiar e dessa premiação. E agora vamos ao episódio.
[Trilha sonora]
Leonardo: Muito bem, ouvintes. No episódio de hoje, voltamos com uma convidada que muitos mesmo de vocês pediram, e hoje o foco do episódio é a própria convidada.
Márcia Jamille: Ah, quer dizer que muitos pediram?
Leonardo: Sim, pior que teve, por causa do episódio do Aquenáton, aí muita gente curtiu e estava pedindo.
Márcia Jamille: Gente, então está bom. Olha, eu estou me sentindo uma miss agora. Ah, eu estou feliz. Eu fiquei agora totalmente sem graça. Vocês deviam ter dito isso antes de a gente começar a gravar, porque o show aqui ia ser menor. Gente, coração, que isso?
Leonardo: Já viram que a Márcia voltou aí para participar de mais um episódio e, como disse, hoje vai ser o foco nela, para ela falar aí como é ser arqueóloga, como é ser divulgadora, porque anteriormente a gente falou aí de um faraó, mas o que seriam os faraós se não fossem os arqueólogos para a gente ter conhecimento deles?
Márcia Jamille: Nossa, que pressão.
Leonardo: Fica tranquila e aproveita e pode aí já se apresentar com os ouvintes, para quem não ouviu o outro episódio. Pode se apresentar.
Márcia Jamille: Que foi o quê? Há dois anos, inclusive. Enfim, gente, olá, tudo bom? Meu nome é Márcia Jamille. Como já foi bem dito, eu sou arqueóloga e sou divulgadora de ciência. Eu tenho um canal no Youtube chamado Arqueologia Egípcia e tenho um blog chamado Arqueologia Egípcia, no caso arqueologiaegipcia.com.br. Escrevi um livro em 2014 chamado Uma Viagem pelo Nilo, ele já esgotou, o livro físico, mas vocês podem encontrar o ebook na Amazon. Planejo ser, um dia, coordenadora de escavação no Egito - por favor, ajudem em doações. Nem tem campanha para isso, mas vai que tem no futuro, não é?
Leonardo: É, atualmente o pessoal sempre faz campanha para ajudar e tudo, já começa aí.
Márcia Jamille: É, ultimamente a gente anda precisando fazer campanha.
Leonardo: E até foi interessante que você falou aí que é divulgadora científica. Isso seria uma das coisas que eu ia puxar também, você se põe realmente como divulgadora, você tem o canal do Youtube, mas se pôr como divulgadora científica, porque fica aquela coisa: se não é física, ou química, ou matemática, a pessoa fala: "É ciência mesmo?", sempre tem aquela…
Márcia Jamille: É, normalmente, quando eu falo: "Ah, eu sou divulgadora, eu trabalho com ciência", o pessoal normalmente fala: "Ué, mas você não usa jaleco", tipo, como assim? É porque tem esse lance popular de achar que ciência é aquela pessoa - o cientista -, o indivíduo cientista é aquele que fica no laboratório mexendo em tubinho de ensaio e não consegue enxergar que ciências humanas são ciências, e, a propósito, arqueologia faz parte das ciências humanas - só jogando no ar.
Leonardo: Por isso que é bom deixar isso claro, então, mostrar que você faz um trabalho de divulgação científica no Youtube porque realmente precisa disso. A gente tem outros divulgadores científicos, mas a grande maioria de coisas no Youtube, que encontra, como internet em geral, tem que tomar muito cuidado.
Márcia Jamille: Nossa, tem muita pseudagem. Eu mesma fui olhar ontem o meu canal, que eu fui pegar um vídeo meu - sim, gente, eu assisto aos meus próprios vídeos, enfim, porque às vezes tem alguma coisa que eu esqueci, "Ah, eu citei naquele vídeo", eu vou dar uma olhadinha -, aí eu estava lá assistindo a alguns vídeos meus e, quando eu olho na aba do lado, meu deus... inclusive estava rolando uma live sobre um assunto pseudocientífico, o qual não vou citar aqui. Estava rolando uma live na hora e eu olhando assim... cara, eu acho que há uns três anos o Youtube fica falando para a gente: "Nós vamos tentar diminuir o alcance desses canais de pseudociência", mas eu abro o meu canal e é justamente isso que eu vejo no recomendados, e muito raramente eu vejo algum colega do Science Vlogs, por exemplo. Então é complicado. E isso é complicado também no sentido de que, por exemplo, muitas pessoas acham que arqueólogos buscam relíquias ou então saqueiam tumbas, o que não é verdade. Essa é uma visão que foi extremamente perpetuada por conta de filmes como Indiana Jones e A Múmia - embora, A Múmia, eu ame muito esse filme, ele tem esse grande problema. E essa visão foi perpetuada por esses filmes e, quando a gente chega no Youtube, você vê esses canais perpetuando a mesma história. Está complicado, a nossa vida está bem complicada.
Nilda: Realmente está muito difícil, não só para divulgador científico. Às vezes eu vou ver outras coisas, sabe? Eu sei o que eu estou procurando, porque já faz muito tempo que eu tenho problema de saúde, eu sei as coisas que eu posso procurar, mas, sabe? Você olha, o que é isso? Aí de repente a coisa volta, coisa que eu ouvi há 15 anos, hoje está voltando. Que isso, gente?
Márcia Jamille: É como o lance do coronavírus agora. O que tem de gente ensinando chazinho não é brincadeira. Agora, lavar a mão ninguém quer.
Leonardo: E eu vejo, acabo passando por isso aí, principalmente porque eu vou pesquisar, vou atrás dos canais científicos e tudo, isso a gente estava usando o Youtube, mostrando assim, mas isso na internet em geral, até no Google. Você vai pesquisar, em geral você vai encontrar essas outras coisas de pseudociência. O problema é que aí eu fico naquele dilema assim: às vezes eu até quero ver um vídeo assim para entender o que a pessoa está falando ali para ver o que essas pessoas falam, como elas se portam ali, só que eu fico pensando: "Mas aí eu vou dar audiência para ela", então, tipo, eu quero entender como ela fala, mas não quero dar audiência. E você, como você lida com isso? Porque você já tem a questão também de ter que passar um conhecimento, você tem que estar passando realmente, divulgando, e é uma área que tem muita coisa falsa também, informações meio duvidosas, que o pessoal fica aumentando aí.
Márcia Jamille: É bem complicado. Eu estou trabalhando com isso há dez anos, cerca de dez anos, e parece que não muda, simplesmente não muda. Parece que cada vez mais vai crescendo, com a grande diferença de que sempre tem algum assunto que está em voga naquele momento, ele some e volta, porque o pessoal vai ressuscitando essas pseudagens. É muito complicado, porque até mesmo o próprio público não só quer acreditar naquilo, às vezes ele nem acredita, mas ele quer consumir muito mais aquilo, porque para ele é muito mais interessante chegar alguém e falar, dar uma resposta esdrúxula sobre algo do que esperar três anos de uma pesquisa científica. Aí eu sei que tem essa questão de que as pessoas na Era da Internet querem saber as respostas agora, e não esperar três ou cinco anos, então é complicado.