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Estará a mulher condenada a ser condição do homem? Ou seja, será a mulher nada mais do que um respaldo masculino, numa história contada por homens e para homens.
A história apresenta-nos a mulher, como uma muleta da masculinidade, poucas são as rainhas sem rei, ou as damas sem cavalheiros… mas será isto verdade? Será que realmente as mulheres sempre foram secundárias na história da humanidade? Talvez na oficial, mas não, na verdadeira.
A verdade é que as mulheres estão presentes em todos os recantos da história, inclusive na guerra.
Um antigo rei persa, de nome Shariar, havia sido atraiçoado por sua esposa, que num ato de loucura, para esposa de um rei persa, se havia enamorado de um escravo. O rei Persa, como não poderia deixar de ser, decapitou os amantes.
O sangue do amor proibido não conteve a cólera do Rei, ficou irado, afinal, ele era rei, e a sua primeira esposa trocara-o por um escravo… na tentativa de sarar o coração e de dar o exemplo a todas as mulheres do reino, Shariar exigia mais do que a vida do casal, decretou e espalhou a mensagem pelo seu povo: todas as noites haveria de se deitar com uma mulher diferente, e na manhã seguinte, matá-la-ia.
Não só decretou, como durante três anos o cumpriu: todas as noites uma pobre mulher, todas as amanhã uma cabeça nova, que rolava, e o corpo abandonado da miserável. Dormir e matar, assim era a vida amorosa do Rei.
Ao fim de três anos, uma das mais belas raparigas do reino ofereceu-se para dormir com o rei, o seu nome, Xerazade… o rei estranhou tal oferta, pois toda a mulher sabia o que essa noite significava.
Xerazade tinha um plano para acabar com a barbárie. Havia de contar todas as noites uma história ao Rei, e o Rei nunca havia de se aborrecer. Assim foi, Xerazade começava a contar, o rei perdia-se nas suas histórias, às vezes olhava-a no pescoço com a sua ânsia de estrangular, e Xerazade seduzia-o com a palavra… por mil e uma noites.
Xerazade da antiga pérsia, não foi a única mulher a ter que lidar com homens para sobreviver. Também Joana.
Não havia homem que pudesse com Joana. Durante a noite falava com anjos e com santos que lhe segredavam ao ouvido: não há ninguém para libertar França, a não seres tu. Falar com Deus sempre foi um privilégio de homens, a mulher foi sempre culpada pelo pecado primitivo… e com as matérias de reino, igual. Joana era assim detestada tanto pela Igreja como pela monarquia.
No entanto Joana não se cansava de repetir e repetir a missão que Deus lhe tinha dado. Ao ritmo das suas palavras, foi se acercando gente, disposta a lutar por Deus e por França.
Joana Darque, essa camponesa analfabeta, donzela guerreira, virgem, por mandato divino ou pânico masculino, encabeçou um grande exército, que invencivelmente, tombava inglês atrás de inglês.
Acabou Joana por ser capturada, e os ingleses, por não saberem o que fazer com esta louca, a enviaram de volta, para as cortes do Rei de França.
Por França e por Deus se havia batido, mas os funcionários do rei e os funcionários de Deus, não hesitaram em condená-la. Os bispos, priores, cónegos, fiscais, inquisidores e os notáveis, coincidiram todos com a mesma opinião: Joana era cismática, apóstata, mentirosa, adivinhadora, suspeitosa de heregia, errante da fé e blasfemadora de Deus e dos santos.
Joana de Arque tinha 19 anos quando a ataram a um poste e a incendiaram viva, na praça do Velho Mercado. Os tempos passaram e a mesma pátria e igreja que assaram viva Joana, santificaram-na, heroína de França, símbolo da Cristandade.
By Momento LiterárioEstará a mulher condenada a ser condição do homem? Ou seja, será a mulher nada mais do que um respaldo masculino, numa história contada por homens e para homens.
A história apresenta-nos a mulher, como uma muleta da masculinidade, poucas são as rainhas sem rei, ou as damas sem cavalheiros… mas será isto verdade? Será que realmente as mulheres sempre foram secundárias na história da humanidade? Talvez na oficial, mas não, na verdadeira.
A verdade é que as mulheres estão presentes em todos os recantos da história, inclusive na guerra.
Um antigo rei persa, de nome Shariar, havia sido atraiçoado por sua esposa, que num ato de loucura, para esposa de um rei persa, se havia enamorado de um escravo. O rei Persa, como não poderia deixar de ser, decapitou os amantes.
O sangue do amor proibido não conteve a cólera do Rei, ficou irado, afinal, ele era rei, e a sua primeira esposa trocara-o por um escravo… na tentativa de sarar o coração e de dar o exemplo a todas as mulheres do reino, Shariar exigia mais do que a vida do casal, decretou e espalhou a mensagem pelo seu povo: todas as noites haveria de se deitar com uma mulher diferente, e na manhã seguinte, matá-la-ia.
Não só decretou, como durante três anos o cumpriu: todas as noites uma pobre mulher, todas as amanhã uma cabeça nova, que rolava, e o corpo abandonado da miserável. Dormir e matar, assim era a vida amorosa do Rei.
Ao fim de três anos, uma das mais belas raparigas do reino ofereceu-se para dormir com o rei, o seu nome, Xerazade… o rei estranhou tal oferta, pois toda a mulher sabia o que essa noite significava.
Xerazade tinha um plano para acabar com a barbárie. Havia de contar todas as noites uma história ao Rei, e o Rei nunca havia de se aborrecer. Assim foi, Xerazade começava a contar, o rei perdia-se nas suas histórias, às vezes olhava-a no pescoço com a sua ânsia de estrangular, e Xerazade seduzia-o com a palavra… por mil e uma noites.
Xerazade da antiga pérsia, não foi a única mulher a ter que lidar com homens para sobreviver. Também Joana.
Não havia homem que pudesse com Joana. Durante a noite falava com anjos e com santos que lhe segredavam ao ouvido: não há ninguém para libertar França, a não seres tu. Falar com Deus sempre foi um privilégio de homens, a mulher foi sempre culpada pelo pecado primitivo… e com as matérias de reino, igual. Joana era assim detestada tanto pela Igreja como pela monarquia.
No entanto Joana não se cansava de repetir e repetir a missão que Deus lhe tinha dado. Ao ritmo das suas palavras, foi se acercando gente, disposta a lutar por Deus e por França.
Joana Darque, essa camponesa analfabeta, donzela guerreira, virgem, por mandato divino ou pânico masculino, encabeçou um grande exército, que invencivelmente, tombava inglês atrás de inglês.
Acabou Joana por ser capturada, e os ingleses, por não saberem o que fazer com esta louca, a enviaram de volta, para as cortes do Rei de França.
Por França e por Deus se havia batido, mas os funcionários do rei e os funcionários de Deus, não hesitaram em condená-la. Os bispos, priores, cónegos, fiscais, inquisidores e os notáveis, coincidiram todos com a mesma opinião: Joana era cismática, apóstata, mentirosa, adivinhadora, suspeitosa de heregia, errante da fé e blasfemadora de Deus e dos santos.
Joana de Arque tinha 19 anos quando a ataram a um poste e a incendiaram viva, na praça do Velho Mercado. Os tempos passaram e a mesma pátria e igreja que assaram viva Joana, santificaram-na, heroína de França, símbolo da Cristandade.