Nota do Editor — Jorge Guerra Pires
O diálogo proposto evoca a tradição de obras que transitam entre ficção e reconstrução histórica especulativa, como Senhora Einstein e O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Em ambos os casos, elementos factuais são utilizados como base para a construção de realidades possíveis, nas quais personagens históricos são reposicionados em narrativas que exploram tensões filosóficas, culturais e existenciais.
Nesse sentido, o texto não pretende reconstituir eventos históricos de forma estrita, mas sim investigar, por meio da imaginação filosófica, cenários plausíveis que ampliam o debate sobre ideias, crenças e conflitos intelectuais.
Nota do Autor Eduardo Banks
O texto apresentado insere-se no gênero da ficção filosófica, aproximando-se de tradições como os diálogos socráticos modernos, a exemplo das obras de Peter Kreeft, como Sócrates encontra Descartes.
Durante a Idade Média, circularam cartas apócrifas atribuídas a Sêneca e ao apóstolo Paulo, sugerindo um possível interesse do filósofo pelo cristianismo, e até uma eventual conversão. Sem conhecimento prévio dessa tradição, concebi, aos 19 anos, em 1998, o diálogo intitulado Apóstolo. O título remete diretamente à tradição platônica, evocando obras como Político e Sofista.
A proposta central era semelhante à medieval: imaginar um encontro entre Sêneca e Paulo — porém situado em Roma, durante o processo do recurso de Paulo a Nero. Nesse cenário, Sêneca confrontaria Paulo a partir da filosofia estoica, em um embate intelectual direto.
Esse material não integra a obra Ouroboros, publicada em 2011, quando eu já tinha 32 anos. Trata-se de um trabalho de maturidade que, embora reúna e desenvolva ideias de escritos juvenis, não inclui especificamente o diálogo Apóstolo.
Atualmente, estou dedicado à transcrição de manuscritos juvenis, com o objetivo de organizá-los no projeto intitulado Corpus Banksianum. A iniciativa visa oferecer material para estudo da evolução do meu pensamento ao longo do tempo.
Autorizo a publicação deste conteúdo, desde que sejam atribuídos os devidos créditos. Ressalto que, por limitações técnicas, tenho priorizado a publicação de apresentações em vídeo — geralmente mais curtas — em vez de versões completas em formato de podcast, embora ainda disponha de outros conteúdos a serem compartilhados.
Lançamento de livro: O Paradoxo de Einstein