Listar as virtudes era algo comum entre os filósofos da Antiguidade. Essas listas
eram, muitas vezes, chamadas de “catálogo de virtudes”, e há vários exemplos
delas no Novo Testamento (Rm 5:3-5; Tg 1:3, 4; Gl 5:22, 23). É bem provável que os
leitores de Pedro estivessem familiarizados com tais listas, embora houvesse diferenças
interessantes entre as listas dos filósofos e a do apóstolo. Intencionalmente,
Pedro organizou sua lista em uma sequência, de maneira que cada virtude serve
de base para a posterior, até que a lista culmina no amor.
Cada virtude mencionada por ele tem um significado importante:
Fé: Nesse contexto, a fé era a crença salvífica em Jesus Cristo (veja Gl 3:11; Hb 10:38).
Virtude: No grego arête, virtude é qualquer boa qualidade, anunciada mesmo
entre os filósofos pagãos. A fé é fundamental, mas deve levar a uma transformação
de vida, na qual a virtude é expressa.
Conhecimento: Com certeza, Pedro não estava se referindo ao conhecimento
em geral, mas àquele que vem de um relacionamento salvífico com Cristo Jesus.
Temperança/Domínio próprio: Cristãos maduros são capazes de controlar seus
impulsos, especialmente aqueles que levam a excessos.
Paciência/Perseverança: É resistir, especialmente diante das provações e perseguições.
Piedade: No mundo pagão, a palavra traduzida nessa passagem como “piedade”
referia-se ao comportamento ético que resultava da crença em um deus. No
Novo Testamento, ela carregava também esse mesmo conceito, porém, como resultado
da crença no único e verdadeiro Deus (1Tm 2:2, 3).
Fraternidade: Os cristãos são como uma família, e a piedade os levará a ser fraternos
uns com os outros.
Amor: Pedro coroou sua lista com o amor. Suas palavras se assemelham às de
Paulo: “Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior
deles, porém, é o amor” (1Co 13:13, NVI).