Em grande parte, Pedro escreveu com base na perspectiva do Antigo Testamento,
em que a ideia de aliança era algo central, um tema fundamental para a teologia
judaica e cristã.
O que é aliança?
“Aliança” (em hebraico, berit) é uma palavra que descreve um tratado ou acordo
formal entre duas partes. Ela podia ser feita entre dois indivíduos, por exemplo,
Labão e Jacó em Gênesis 31:44, ou entre dois reis, como no caso de Salomão
e Hirão em 1 Reis 5:12 (onde berit é traduzida como “acordo” na NTLH e “tratado”
na NVI). Podia ser feita também entre um rei e seu povo, como, por exemplo,
Davi e os anciãos de Israel (2Sm 5:3).
Entre essas relações se destaca o relacionamento especial de aliança que existe
entre Deus e Seu povo escolhido, os descendentes de Abraão.
4. Leia Gênesis 17:1-4 e Êxodo 2:24; 24:3-8. O que esses textos revelam sobre a
aliança que Deus fez com Israel?
O primeiro livro da Bíblia, Gênesis, traz o relato da aliança de Deus com Abraão
(Gn 15:9-21; 17:1-26). O Senhor “lembrou-Se” dessa aliança quando resgatou Seu
povo da opressão egípcia (Êx 2:24). Ele a renovou nos dias de Moisés quando deu
aos filhos de Israel os Dez Mandamentos e outras leis (veja Êx 19:1–24:8, especialmente
Êx 24:3-8).
Todavia, as promessas da aliança eram condicionais. “O Senhor determinou
que, se eles fossem fiéis na observância de Seus preceitos, Ele os abençoaria em
toda a sua colheita e em toda a obra de suas mãos” (Ellen G. White, Testemunhos
Para a Igreja, v. 2, p. 574). Os profetas do Antigo Testamento alertaram repetidamente
Israel quanto aos perigos da desobediência à lei de Deus, muitas vezes usando
uma linguagem que fazia o povo se lembrar da aliança. Alguns estudiosos
sustentam que, com exceção das profecias de Daniel e Apocalipse, muitas profecias
bíblicas são condicionais. Isso mostra quanto a obediência é fundamental no
tocante às promessas da aliança. As bênçãos estavam condicionadas à obediência
à lei de Deus, e a destruição se aplicava somente aos rebeldes.