“O perdão cai como uma chuva suave do céu na terra. É duas vezes bendito: bendito ao que dá e bendito ao que recebe”. (William Shakespeare) A menina da foto A foto de uma menina que, durante a guerra do Vietnam, correu com o corpo em chamas provocadas por uma bomba de napalm, tornou-se um grito pela paz. Kim Phuc tinha nove anos. Ela perdeu uma tia e dois primos, mas nunca mais passou um dia sequer sem sentir dor, física e emocional. Em meio à guerra, começou a ler livros religiosos em busca de sentido para a sua vida. Deparando-se com o Novo Testamento, descobriu os ensinos de Jesus Cristo. No Natal de 1982, ela se converteu ao Cristianismo, estudou, casou-se e se tornou embaixadora da boa-vontade da Unesco para a cultura da paz. Sempre que pode, Kim repete: — Eu sofri muito, mas não só com as queimaduras. Passei por traumas, tinha pesadelos, baixa auto-estima, muito ódio e amargura. Quando aprendi a amar e perdoar meus inimigos, meu coração se libertou de todo o ódio. Eu ainda sofro com dores todos os dias. Não me foco no sofrimento, distraio a minha mente conversando, cantando e orando. Em 1996, Kim participava de uma cerimônia pelo Dia dos Veteranos, em Washington, capital dos Estados Unidos. E ali estava o veterano John Plummer, piloto que participara do ataque ao vilarejo de Kim. Aquela foto da menina correndo do fogo o atormentava. Ele precisava do perdão que só Kim podia lhe dar. Por isto, abriu caminho por entre a multidão e gritou: — Kim, veja minha aflição, minha dor, minha tristeza! Ela abraçou o militar, que repetia seu lamento, e declarou: — Eu perdôo você. Com isto, o tormento de Plummer terminou. Perdoar é um grande projeto de vida, para os feridos e para os que feriram. “Não digo a você que perdoe até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. (Mateus 18.22) Bom dia! Israel Belo de Azevedo