Calango Sagrado

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Calango Sagrado episodes

  • Live 4: Ghostwriters de Deus - Cristãos Escravizados e a formação da Bíblia

    Quarta Live da Série: Ghostwriters de Deus- Cristãos Escravizados e a formação da Bíblia, livro escrito por Candida Moss, numa pesquisa histórica sobre as mãos invisíveis que compuseram os textos que hoje lemos ao acessar o conjunto de escritos que compõem o Novo Testamento. Uma pesquisa historiográfica de primeira qualidade, numa tradução acessível do ainda inédito livro em português.Tradução e explanação feitas por Wellington Barbosa. Cobriremos os capítulos 7 e 8 e a conclusão do livro.Acesse os conteúdos dos capítulos em: https://linktr.ee/calangosagrado

    2 hr 50 min
  • Live 3: Ghostwriters de Deus

    Terceira Live da Série: Ghostwriters de Deus- Cristãos Escravizados e a formação da Bíblia, livro escrito por Candida Moss, numa pesquisa histórica sobre as mãos invisíveis que compuseram os textos que hoje lemos ao acessar o conjunto de escritos que compõem o Novo Testamento. Uma pesquisa historiográfica de primeira qualidade, numa tradução acessível do ainda inédito livro em português, tradução e explanação feitas por Wellington Barbosa. Cobrimos os capítulos 5 e 6 do livroPara acessar os capítulos entre em: www.linktr.ee/calangosagrado

    2 hr 28 min
  • Live 2: Ghostwriters de Deus

    Segunda Live da Série: Ghostwriters de Deus- Cristãos Escravizados e a formação da Bíblia, livro escrito por Candida Moss, numa pesquisa histórica sobre as mãos invisíveis que compuseram os textos que hoje lemos ao acessar o conjunto de escritos que compõem o Novo Testamento. Uma pesquisa historiográfica de primeira qualidade, numa tradução acessível do ainda inédito livro em português, tradução e explanação feitas por Wellington Barbosa. Essa live cobre os capítulos 3 e 4 do livro Ghostwriters de Deus.

    2 hr 42 min
  • Live 1: Ghostwriters de Deus

    Série de lives sobre o livro (ainda inédito em português) God´s Ghostwriters - Enslaved Christians and the Making of the Bible (Ghostwriters de Deus - Cristãos Escravizados e a Formação da Bíblia) da Professora Candida Moss. O livro é uma pesquisa historiográfica baseada no mundo do primeiro século da Era Comum, na arqueologia, na linguística de corpus e no contexto histórico-cultural em como era a vida dos primeiros cristãos e como a literatura cristã foi composta, difundida e carregada por mãos de trabalhadores invisíveis. Linhas e parágrafos do Novo Testamento carregam sangue, suor e lágrimas de homens e mulheres escravizados do império romano.Esses ajudantes receberam várias nomenclaturas: secretários, discípulos, servo, "escravo", apóstolo, mensageiro entre outros. Suas pistas estão no corpo dos textos que hoje chamamos de Novo Testamento. A tradução e explanação em português é feita por Wellington Barbosa do Calango Sagrado. Acesse aos capítulos traduzidos no linktree.com/calangosagrado

    3 hr 9 min
  • Live 4 - A Maria Esquecida

    Na quarta live da Série do livro A Maria Esquecida - The Lost May de James Tabor. Cobriremos os capítulos 7 e 8 e trataremos do pedigree de Maria, sua ascendência real e sacerdotal e o que implicava carregar essa linhagem em suas veias e na sua biografia. Também falaremos sobre a estadia de Maria na capital da Judeia, Jerusalém, juntamente com sua família e o seu segundo filho que assume a liderança do movimento de Jesus. Por fim começaremos a cobrir seu apagamento sistemático pelos primeiros autores dos textos cristãos. Um processo que começou enquanto ela ainda estava viva e se intensificou após sua morte.

    3 hr 2 min
  • Live 3 The Lost Mary - A Maria Esquecida

    3ª live da série com a tradução e explanação do livro The Lost Mary - A Maria Esquecida de James Tabor. Na live repassamos as teses dos primeiros quatro capítulos e cobrimos os capítulos 5 e 6.

    3 hr 16 min
  • Terrorismo Evangélico: a literatura de guerra espiritual e formação do pensamento religioso brasileiro

    Uma conversa honesta, com toques biográficos e análise historiográfica da formação do pensamento evangélico brasileiro herança do trabalho missionário evangélico estrangeiro, sobretudo dos Estados Unidos e suas teorias que por quase dois séculos semeiam o imaginário religioso em solo brasileiro e ao redor do mundo.

    Falamos como a tradução da Bíblia, movimentos políticos e missionários se encontram num fio condutor que envolve colonialismo, capitalismo e extrema-direita e a linguagem nas redes.

    3 hr 4 min
  • Hillazon-Tekhelet: Azul da cor do mar


     

    Entre essas culturas do Mediterrâneo e do Levante houve um momento em que era difícil a

    separação das cores púrpura e o tekhelet. Sendo que a primeira cor ficou com o
    uso restrito a quem pudesse pagar e durante os vários impérios da antiguidade,
    apenas a alta nobreza e posteriormente o uso fica exclusivo à realeza e ao
    palácio.

     

    Na cultura dos hebreus essa cor sofreria algum tipo de especificidade para diferenciar-se dos

    demais tons de lilás dos cananeus da famosa cidade de Tiro que aprenderam dos outros
    povos do Mediterrâneo a extração de um pigmento de um caracol, o conhecido Murex
    Trunculus que estava presente por toda a costa mediterrânea. Deste caramujo era
    extraída a cor púrpura que logo ficou restrita e relacionada à realeza e à
    nobreza.

     

    O processo de separação cultural, linguística, dietética e de elementos políticos dos povos

    cananeus e dos antigos hebreus envolveu um período de rejeição da cultura
    original do Levante, adaptação e apropriação com fatores diferenciados da
    cultura de origem. Nesse processo de apropriação houve a criação de histórias e
    mitologias que justificassem essa separação e distinção dos hebreus de seus
    vizinhos. Esse processo também envolveu historiografia e historiosofia que
    pudesse explicar tal distinção. Essa diferença não podia meramente acontecer
    por razões humanas, era preciso haver algo divino, fora do comum para que as
    gerações futuras não se aproximassem dos cananeus.

     

    No períodopós-exílio quando o texto do Pentateuco foi compilado e organizado, uma das

    ordenanças da classe sacerdotal, os prováveis redatores da Torá. Os textos da
    Torá, marcam especificamente várias dessas diferenças dos hebreus com os outros
    povos cananeus, e relatam o possível porquê, como ordem divina para estas
    distinções. Voltando ao tema de nobreza e elite que nesse tempo eram compostos
    necessariamente pela classe sacerdotal e uma elite que coordenava e financiava
    a redação dos texto era que os sacerdotes usassem um tecido com uma que
    representasse o azul messiânico.

     

    Criaram-se várias histórias sobre a origem desse azul messiânico,

    como a cor preferida do rei Davi, além de ser também a cor do trono do “Din”
    (julgamento) e simboliza o Shamayim (céus) pois, seria dessa mesma cor o trono
    de Javé. Os diversos tons de azul, mudam de acordo com cada escola de
    pensamento judaico. Em suma, esse azul messiânico e exclusivo dos hebreus, o
    tekhelet estava associado à realeza e à classe sacerdotal, que no pós-exílio
    também ocupou a função real/política nesse “novo Israel.” Até que chegassem os
    romanos, e instituíssem que esse azul, agora conhecido como púrpura seria
    exclusividade da nobreza romana. Os judeus, agora colonizados, não condiziam
    com o status de exclusividade para usar a tal cor. Por volta do século 5 E.C.
    Apenas o imperador podia usar a cor púrpura, no que ficou conhecido como a lei
    suntuária, o Sumptuariae leges.

     

    Textos extra bíblicos como a mishnah, o talmude e reflexões de Maimônides trataram de

    explicar alguns dos mandamentos da Torá que apresentam esse azul messiânico.
    Bem como a sua origem, o mítico  animal Hillazon. Como um segredo que perde pela história o Hillazon desapareceu e com
    ele a esperança do cumprimento do estabelecimento do reino sacerdotal com o azul
    messiânico e o trono de Javé.

     

    No final do século 19 um rabino polonês seguiu em sua busca pelo Hillazon e pelo azul

    messiânico. Esse rabino chegou a dizer que sem que houvesse as roupas
    sacerdotais com o azul messiânico, tekhelet, o Messias não podia chegar. E ele
    como Elias, em sua busca estava preparando o caminho para a construção do
    terceiro templo e o estabelecimento do reino sacerdotal comandado pelo Messias
    e seu trono azul, tekhelet.

     

    Mas o que era o Hillazon? Como todo o segredo antigo a ser decifrado, a busca pelo animal que

    supostamente traria o Messias, teve suas controvérsias e milhares de páginas
    escritas, em livros, dissertações e incansáveis debates entre vários segmentos
    judaicos.


     

    21 min
  • Nephilim - Gigantes pela própria natureza

     

    הָאֱלֹהִים אֶל-בְּנוֹת הָאָדָם, וְיָלְדוּ לָהֶם:  הֵמָּה

    הַגִּבֹּרִים אֲשֶׁר מֵעוֹלָם, אַנְשֵׁי הַשֵּׁם.  {פ}

    (Bíblia Hebraica – Texto Massorético)

     

    “Os Nephilim estavam sobre a terra e aconteceu que os

    filhos de Deus [Elohim] deitaram-se com as filhas do homem e geraram filhos:
    eles são os herois, homens de renome.”

    tradução de Gênesis 6:4 de Robert Alter. (versão em português, tradução livre)

     

    Estamos no episódio 4 de nossa série Monstros Bíblicos. No episódio de hoje falaremos sobre os Nephilim.  No mundo antigo em diversas culturas havia

    uma história sobre um dilúvio que inundou o mundo conhecido. A criação de
    histórias e mitos, na maioria das vezes serve como um recurso linguístico para explicar
    uma narrativa, e lidar com o imaginário de povos e culturas distintas.

    A construção de histórias precisa de sustentação narrativa e também de justificavas para entrar no mundo

    da oralidade, onde verossimilidade poderia ser apenas um simples detalhe. No
    mundo do folclore/mitologia dos antigos hebreus também era assim. A história do
    dilúvio precisa encontrar um mote que fizesse sentido à audiência hebreia,
    permeada naquele momento pela idealização moral de uma desordem cósmica que
    apenas Javé, e Javé somente, era capaz de reordenar.

    Não entraremos nos motivos teológicos do dilúvio (campo dogmático), mas apenas no recurso narrativo,

    folclórico onde uma das justificativas para tal evento cataclísmico seria a
    união sexual entre um grupo de seres celestes e mulheres. Os B’nei Elohim, traduzido
    como “anjos” em algumas versões, são seres que podem habitar o mundo dos
    deuses, não necessariamente anjos, no sentido em que entendemos hoje em dia.

    A história dos Nephilim é contada

    e recontada com mais propriedade na literatura apócrifa do período que
    conhecemos como judaísmo do segundo templo. Essa religião do segundo templo
    absorveu com mais ênfase aspectos do pensamento persa, egípcio e o próprio
    folclore hebreu/cananeu antigo é retomado e revisto. A relação causa e efeito
    agora torna-se uma constante na explicação de fenômenos históricos, onde o
    metafisico entra no mundo físico. Numa área conhecida, como historiosofia,
    aquilo que está por trás das histórias contadas.

    Os livros de Enoque (1Enoque)  e o Livro do Jubileu são

    literaturas que mencionam a possível origem dos Nephilim. Na literatura
    enoquita está escrito que 200 seres celestes, chamados de sentinelas coabitaram
    com mulheres e geraram os Nephilim. Esses seres, sentinelas, também ensinaram
    às mulheres a mística, encantamentos e como usar plantas e raízes para a cura,
    além da arte das pinturas, adereços e cosmética. O livro canônico de Daniel também
    apresenta a palavra sentinela para referir-se a uma classificação de ser
    angelical. O livro de Enoque relata ainda que os sentinelas foram punidos,
    aprisionados em correntes num abismo e no Dia do Messias, serão julgados e
    condenados.

    No Livro dos jubileus é relatada a suposta origem, caráter e julgamento dos nephilim. No dia do juízo final.

     O desenvolvimento da história narrada no livro diz que os espíritos deles transformaram-se em demônios. O Livro do
    jubileu também confirma a tese que a presença da maldade dos nephilim causou um
    desiquilíbrio cósmico na criação e Javé não teve uma alternativa a não ser o
    dilúvio que destruiria o avanço dessas criaturas. A presença dos Nephilim no
    mundo traria a maldade e segredos que os humanos não poderiam saber.


    Na narrativa bíblica parece existir descendentes dos nefilim ainda em terras cananeias a serem conquistadas,

    na contação de história do êxodo e os habitantes de Canaã e até no mítico embate
    do jovem Davi e o famoso gigante Golias. Seriam os nefilim, gigantes ou apenas
    homens sanguinários? De todos os modos, estamos vendo nessa série que alguns
    dos monstros relatados nas histórias do imaginário hebreu são mais humanos que bestiais.

     

     

     

    22 min

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Um podcast para falar sobre estudos da religião, história, mitologia antiga, livros, séries, filmes e temas ligados à linguagem religiosa e seus efeitos na cultura, política e sociedades.