Na entrevista desta terça-feira (5) no podcast Os Novos Cientistas, a pesquisadora Lara Solange Bastos de Almeida contou como vem testando a possibilidade de as cascas de café serem utilizadas no desenvolvimento de filmes biodegradáveis à base de amido de mandioca. Como explicou a pesquisadora, “um filme biodegradável é uma película plástica derivada do amido de mandioca que, com o tempo, sofre degradação biológica, e por isso é biodegradável”. Segundo Lara, o produto vem sendo estudado como uma alternativa na substituição de plásticos convencionais.
As cascas de café descartadas na indústria de processamento do grão possuem em sua composição fibras, polissacarídeos e compostos bioativos. Lara destacou que o objetivo do estudo foi explorar o reaproveitamento das cascas de café por meio de sua incorporação em filmes biodegradáveis à base de amido de mandioca, aprimorando as propriedades mecânicas, de barreira ao vapor de água e à radiação UV.
Os estudos foram realizados no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP, em Piracicaba, sob a orientação da professora Wanessa Melchert Mattos. Como informou Lara, o Brasil é grande produtor e exportador mundial de café. “Toneladas de resíduos são geradas e as cascas de café representam cerca de 50% desse material”, avaliou a pesquisadora. Além disso, esses suprodutos, como lembrou Lara, são descartados de forma inadequada. “A proposta é incorporar em uma matriz que possa substituir o plástico daqui há alguns anos e melhorar os aspectos desse bioplástico”, disse.
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