CAT_ Câncer de Pulmão: há avanços, no diagnóstico e no tratamento? (Programa Viva Voz Saúde)
Pelo Centro de Apoio ao Tabagista - CAT, ONG que tem como propósito principal a redução dos impactos ambientais, econômicos, sanitários e sociais da dependência química em nicotina, entrevistamos a médica oncologista Juliana Ferrari, especializada pelo Instituto Nacional do Câncer - INCA, e que atualmente faz parte do Grupo OncoClínicas (Rio de Janeiro), onde atua com foco nos tumores torácicos.
Programa Viva Voz Saúde, 29/04/2023, Rádio NSC.
Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, o câncer de pulmão é diagnosticado globalmente em 1,2 milhão de casos novos anualmente, sendo secundado pelo de mama, com aproximadamente 1 milhão de casos. Ainda de acordo com a OMS, a neoplasia pulmonar lidera o ranking global de mortalidade por câncer, com algo em torno de 18% das fatalidades, no que é seguido pelo Ca de estômago (10,4%) e pelo Ca de fígado (8,8%). Os dados nacionais, registrados pelo Instituto Nacional do Câncer - INCA, também de 2020 e publicados em 2022, colocam o câncer de pulmão no Brasil como o primeiro em mortalidade entre os homens e o segundo entre as mulheres. Ao todo, o Ca pulmonar foi responsável por 28.620 mortes em 2020 no país.
O tabagismo é apontado como corresponsável por mais de 30% dos cânceres e o de pulmão é o que gera os piores desfechos relacionados à mortalidade provocada por todas as doenças neoplásicas malignas mundo afora. Nos últimos levantamentos realizados pelo INCA, mais de 90% dos casos de câncer de pulmão estavam relacionados ao tabagismo e nas análises mais antigas da American Cancer Society, esta neoplasia maligna está preponderantemente associada aos cigarros, mais do que às formas outras de consumir nicotina. No Século XIX, malgrado consumir-se produtos de tabaco havia séculos, não eram detectados cânceres pulmonares.
No programa, comentamos os avanços atuais no enfrentamento das doenças neoplásicas malignas, mas também ressaltamos a importância do estilo de vida como prevenção deste tipo de mal, com ênfase na educação de crianças e adolescentes para que evitem, desde cedo, os desencadeadores de câncer, como a nicotina, as bebidas adocicadas e alcoólicas e a alimentação não saudável.
A nossa convidada marcou o fato de que está havendo um abismo entre a medicina pública e a suplementar/privada, no que tange à oferta de tratamentos mais modernos comprovadamente eficazes, assim como, está havendo falta de retenção de profissionais de saúde especializados, por parte do serviço público.
No decurso do programa, apresentamos um áudio de 2013, portanto, de 10 anos atrás, com referência à demora do início de tratamento, em fala do então deputado federal Darcísio Perondi, que à época era o presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Também colocamos no ar o depoimento de uma liderança comunitária, Sonia Gonçalves, a Soninha do Morro do Urubu, que atualmente vive os percalços de um tratamento para um câncer de mama, há mais de 1 ano, sem sucesso até o momento, com sucessivas perdas de tempo entre diagnóstico e início de tratamento.