Morte em vida
Morrer enquanto se está vivo é o caos do ser vivente que perdeu sua razão de existir. E isso acontece a todas as classes, cores e sabores, do mais velho ao mais feio. Por vezes sem mesmo perceber, e não é por merecer, em momentos, quase que aos ventos, a vida, simplesmente deixa de existir, o ser continua a caminhar, estudar, trabalhar, transar, mas... Bom, a vida já não é mais vivida, a morte se instaurou como praga em plantação de outono, no ser que exala carbono, abandono. Desta forma, assim, do nada, morte bem subita, por vezes acontece no onibus, no almoço de domingo, ou no termino repentino, tragico, vem e ceifa a vida que sorria, e agora, bom, agora sem sentidos, sentimentos.
O ser continua a movimentar-se sem existencia, sem sonhos e momentos, as lembranças que lhe restam são como cenas de um filme um dia visto, e que hoje não mais faz sentido.
Os acontecimentos do momento presente não são mais inerentes, são totalmente ausentes e este vive morto. E como defunto que fala, sorri e chora, segue, segue os seus dias, até o momento que a cova o toma para si, e o corpo mortal volta ao pó. Sua lápide diz dizeres que falam sobre algumas falácias, que viveu, fez e aconteceu, mas a verdade é que nunca viveu um dia após sua morte em vida, simplesmente deixou sua vida seguir um caminho, diretamente para a terra dos mortos, sem ter vivido um dia sequer, deixando apenas os dias escorrem pelos ponteiros do relógio.
Que vida maldita, por duas vezes morreu, no dia que viveu, e no que faleceu.