Asessão extraordinária da Câmara de Sorocaba dessa quinta-feira deixa umapergunta incômoda no ar: afinal, para quem trabalha o Legislativo?
Enquantoa população enfrenta filas na saúde, reclama da demora por exames, cirurgias eatendimento digno, os vereadores decidiram dar prioridade à criação de 25 novoscargos comissionados.
Vintevotos a favor. Cinco contra. Mais de um milhão de reais por ano a mais na folhade pagamento.
E a CPIda Saúde? Ficou para o fim da pauta.
Áudiosvazados envolvendo o presidente da Casa e o presidente da própria CPI revelamque a estratégia política parecia clara: primeiro resolver o que interessainternamente. Depois, se houver tempo, discutir o que interessa à sociedade.
Tambémfoi rejeitada a comissão processante que poderia analisar a cassação doprefeito afastado Rodrigo Manga. Um tema sensível. Um tema que exigeresponsabilidade. Um tema que diz respeito diretamente à confiança da populaçãonas instituições.
Mas nãofoi prioridade.
Élegítimo perguntar: qual a urgência na criação de mais um assessor porgabinete? Há justificativa técnica? Há estudo de impacto que convença ocontribuinte de que este é o melhor uso do dinheiro público neste momento?
Ouestamos diante de mais um episódio em que a política olha primeiro para simesma?
Overeador é eleito para fiscalizar, propor soluções e defender o interessecoletivo. Seu papel não é ampliar estruturas administrativas quando serviços essenciaisenfrentam questionamentos e dificuldades.
Quandoa Câmara sinaliza que cargos vêm antes da investigação sobre a saúde pública, orecado é claro — e preocupante.
Em umcenário de crise de confiança, a prioridade deveria ser transparência. Deveriaser apuração rigorosa. Deveria ser compromisso com quem depende do SUSmunicipal.
OParlamento existe para representar o povo. E representar significa ouvir oclamor das ruas, sentir a dor de quem espera atendimento, compreender aindignação de quem paga impostos e exige retorno.
Omomento exige grandeza institucional. Exige coerência. Exige senso deprioridade.
Porque,no fim das contas, o que está em jogo não são apenas 25 cargos. É acredibilidade da Câmara. É a confiança do cidadão. É o respeito ao mandato.
O papeldo vereador, em tempos adversos, é simples e inegociável: colocar o interessepúblico acima de qualquer conveniência política.
Se issonão for prioridade, algo está profundamente errado.
CruzeiroFM, com você o tempo todo!!!