Depois de ser campeã em 1958 e 1962, a nossa seleção foi muito mal na Copa de 1966, na Inglaterra. Os jogadores levaram muita pancada, principalmente o Pelé, que chegou a dizer que nunca mais iria jogar uma Copa do Mundo. O futebol brasileiro ficou meio perdido, sem rumo, e ninguém sabia direito o que esperar daqui para frente.
Nas eliminatórias para chegar ao México, quem comandava o time era João Saldanha, um jornalista muito esperto e teimoso. Ele conseguiu a classificação, mas acabou brigando com todo mundo — até com o presidente da República — e foi demitido poucos meses antes do torneio. No lugar dele, assumiu Mário Zagallo, que já havia sido campeão como jogador nas duas primeiras conquistas. A missão dele era difícil: montar um time bom o suficiente para poder ficar com a taça Jules Rimet para sempre, coisa que só aconteceria se ganhássemos pela terceira vez.
E Zagallo fez um trabalho incrível. Conseguiu organizar um time cheio de estrelas, com craques como Pelé, Gérson, Rivellino, Tostão e Jairzinho, todos jogando juntos e em sintonia. A formação que entrou em campo na maioria dos jogos era essa: o goleiro Félix; na defesa, Carlos Alberto Torres, o capitão, ao lado de Brito, Piazza e Everaldo; no meio de campo, Clodoaldo, Gérson e Rivellino; e na frente, Jairzinho, Pelé e Tostão.
Começamos vencendo a Tchecoslováquia por 4 a 1, depois batemos a Inglaterra por 1 a 0 — numa partida que ficou famosa por uma defesa quase impossível do goleiro Banks num chute do Pelé — e passamos também pela Romênia por 3 a 2. Depois, nas fases seguintes, ganhamos do Peru por 4 a 2, do Uruguai por 3 a 1 e chegamos à final contra a Itália.
Na grande decisão, no dia 21 de junho de 1970, fizemos 4 a 1: gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e aquele chute histórico do Carlos Alberto, de fora da área, para fechar a conta. Foram seis jogos, seis vitórias, dezessete gols marcados e apenas sete sofridos — aproveitamento total. Jairzinho ainda fez história ao marcar pelo menos um gol em todas as partidas