Desvendando o Oceano - USP

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Desvendando o Oceano - USP episodes

  • Desvendando o Oceano #9: Biotecnologia marinha
    No episódio de hoje (14) do Boletim Desvendando o Oceano, a professora Letícia Costa Lotufo, especialista em Biologia Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, explica o que é a biotecnologia marinha e quais são os seus principais impactos. Saiba mais sobre este e outros assuntos do Boletim Desvendando o Oceano em https://jornal.usp.br/sinopses-boletins/desvendando-o-oceano/ 
     
    6 min
  • Desvendando o Oceano #8: Microfósseis
    No episódio de hoje (16), a professora Silvia Helena de Mello e Sousa, especialista em Oceanografia Geológica do Instituto Oceanográfico da USP, comenta a formação dos microfósseis e sua importância para os oceanos — na qualidade ambiental e no registro fóssil. Saiba mais sobre esse e outros assuntos do Boletim Desvendando o Oceano em https://jornal.usp.br/sinopses-boletins/desvendando-o-oceano/
    6 min
  • Desvendando o Oceano #7: Combate ao lixo no mar
    Neste episódio, a professora Sylmara Dias, especialista em Gestão de Resíduos Sólidos da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) da USP, fala sobre o lixo no mar e formas de combatê-lo.
    Achou interessante? Então, acesse https://jornal.usp.br/sinopses-boletins/desvendando-o-oceano/ para saber mais sobre esse e outros assuntos do Boletim Desvendando o Oceano.
    6 min
  • Desvendando o Oceano #6: Tubarões e a ameaça para os humanos
    No episódio de hoje (14), Alexander Turra, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano da USP, conversa com Pollyana Roque, pesquisadora do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, sobre incidentes com tubarões. Apesar do medo que causam a muitas pessoas, a realidade é que esses predadores marinhos são mais ameaçados pelos seres humanos que o contrário, muitas de suas espécies estando severamente ameaçadas. Encontre esse e outros assuntos do Boletim Desvendando o Oceano em www.jornal.usp.br/atualidades
    5 min
  • Desvendando o Oceano #5: Maré vermelha?
    No episódio de hoje (17) , Alexander Turra, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano da USP, conversou com Aurea Ciotti,  professora e especialista em Ecologia Marinha do Centro de Biologia Marinha da USP, sobre as marés vermelhas. Não sabe o que é e ficou curioso? Então encontre esse e outros assuntos do Boletim Desvendando o Oceano em www.jornal.usp.br/atualidades
    5 min
  • Desvendando o Oceano #4: Impactos do turismo
    A maioria dos principais canais de notícias internacionais acompanharam o caso do submarino que implodiu enquanto tentava explorar os destroços do Titanic, em maio de 2023. No entanto, poucas pessoas estão cientes de que o turismo marítimo é uma indústria em expansão que tem sérios impactos ambientais. Desde o século 20 até a virada do milênio, essa atividade cresceu descontroladamente, sem levar em conta os limites impostos pela natureza, começando antes mesmo do naufrágio do que era o maior navio do mundo, em 1912.
    De acordo com Sidnei Raimundo, especialista em Geografia e Gestão de Recursos Naturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, “ o interesse estava pautado pela rentabilidade de hotéis e loteamentos de segunda residência e pela satisfação do turista”. As preocupações relacionadas ao impacto ambiental e aos benefícios para as populações locais surgiram apenas recentemente. Nesse contexto, a concentração de renda gerada por essa atividade econômica contribuiu significativamente para a marginalização da população mais vulnerável, que foi forçada a se deslocar para áreas de risco. Esse cenário resultou em um aumento dos impactos ambientais e a vulnerabilidade dessas comunidades.
    Para Sidnei, “embora haja mudanças nos projetos turísticos, esse modelo ainda permanece”. A saúde do oceano continua sendo agravada pelo turismo desordenado. Construções de infraestruturas sem planejamento, aumento da produção de lixo e esgoto, alteração dos ecossistemas, consumo de souvenirs produzidos a partir de elementos naturais escassos e perda de valores tradicionais, todos contribuem para esse cenário.
    Novas formas de fazer turismo surgiram apenas em 1990, o que hoje é chamado de turismo sustentável. Esse modo de turismo leva em conta fatores como a distribuição menos desigual entre investidores externos e as comunidades receptoras. Segundo o professor, “ a equidade entre gerações e o respeito aos modos de vida e costumes locais, um apelo estético, destacando a importância da diversidade de paisagens, inclusive as já urbanizadas na faixa litorânea, uma intrusão mínima em ambientes sensíveis; a avaliação da capacidade da natureza local em suportar interferências humanas e a modificação das atitudes e práticas dos turistas quando visitam ambientes frágeis”, também fazem parte dessa prática. 
    A partir do século 21, o Turismo de Base Comunitária avança com essas premissas, junto à participação efetiva da população anfitriã no planejamento e gestão das atividades. Alguns exemplos de turismo costeiro sustentável foram listados por Sidnei Raimundo: Praia do Canto Verde, no Ceará; Rede Nhandereko, no Rio de Janeiro; Praia de Castelhanos, em Ilhabela, São Paulo: e a Vila do Marujá, na Ilha do Cardoso, também em São Paulo.
    Guilherme Castro Sousa *(estagiário) sob orientação de Márcia Avanza
    5 min
  • Desvendando o Oceano #3: Contaminação do oceano por metais pesados
    Desde indústrias mineradoras até o lixo doméstico, diariamente, diversas atividades humanas liberam metais pesados na natureza. São raras as localidades livres dessa contaminação, e o oceano acaba absorvendo uma grande parcela desses poluentes. Sua toxicidade representa um perigo não apenas para a vida marinha, mas também para os seres humanos.
    O professor Rubens Figueira, especialista em Oceanografia Química do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, explica que o termo "metais pesados" não se refere necessariamente a metais, mas sim a "elementos químicos potencialmente tóxicos, entre os quais se destacam o arsênio, cádmio, cromo, cobre, mercúrio, níquel, chumbo e zinco". Embora sejam encontrados naturalmente no meio ambiente, em grandes quantidades esses elementos tornam a água e os alimentos impróprios para o consumo, podendo causar disfunções no sistema nervoso e aumentar a incidência de câncer.
    Quando ingeridos, os metais pesados tendem a se acumular nos tecidos, como no fígado, nos rins e nos músculos. Dessa forma, quando um ser vivo na base da cadeia alimentar serve de alimento para outro animal, esse predador também fica contaminado. Como os predadores precisam se alimentar de várias presas, acabam desenvolvendo níveis mais elevados de contaminação. "O mercúrio, por exemplo, destaca-se entre esses elementos como um metal que pode aumentar sua concentração ao longo da cadeia alimentar, impactando predadores do topo da cadeia, como peixes, aves e mamíferos, incluindo nós, que também nos alimentamos desses organismos", explica Figueira.
    Indústrias de tintas, cloro, plásticos PVC, metalúrgicas, incineradores de lixo e mineradoras podem despejar grandes quantidades de metais pesados na natureza, caso não haja um sistema adequado de tratamento desses resíduos. Acidentes e desastres ambientais envolvendo essas indústrias também podem ter um impacto significativo. O caso do rompimento da barragem de Brumadinho, por exemplo, afetou severamente a população local. De acordo com a Fiocruz, mais da metade das crianças de 0 a 6 anos apresentava pelo menos um metal acima do valor de referência. Além disso, o lixo doméstico pode incluir metais pesados quando ocorre o descarte inadequado de tintas, pilhas, fertilizantes, pesticidas, canos de água, termômetros e lâmpadas.
    As correntes oceânicas atuam como dispersores desses poluentes pelo oceano, tornando praticamente impossível sua remoção. Dessa forma, Figueira destaca que "a instalação de aterros sanitários e industriais, sistemas de filtragem do ar e estações de tratamento de esgoto, entre outras estratégias, têm o potencial de reduzir significativamente a contaminação do ambiente marinho". O professor explica que, associadas a políticas públicas, educação ambiental e à reciclagem, é possível diminuir ou até mesmo eliminar a propagação de metais pesados na natureza.
    5 min
  • Desvendando o Oceano #2: Invasão de espécies exóticas
    A invasão de ambientes por espécies exóticas é a segunda causa mundial de perda de diversidade e a primeira causa mundial de extinção de biodiversidade em ilhas e áreas protegidas, segundo o Ibama. Essa situação ainda pode piorar: até 2050, essas invasões devem crescer mais de 35%.
    Espécies exóticas são aquelas que não são naturais de determinado ambiente, mas que mesmo assim acabam se alojando e proliferando. Podem ser organismos, plantas ou animais que, adentrando certo ecossistema ou hábitat diferente do seu, acabam sendo uma ameaça à economia, biodiversidade, capacidade produtiva e funcionalidade dos ambientes. Além disso, podem competir com as espécies naturais, levando-as à extinção. 
    Esse é um  problema sério, com o qual o Brasil está familiarizado: o mexilhão-dourado, o javali e o capim-gordura – que é proveniente da África e acabou substituindo espécies de gramíneas nativas do cerrado – são um exemplo. “Elas podem ser introduzidas por ação humana direta, como no caso do transporte associado aos navios transoceânicos ou pelo descarte irregular de organismos mantidos em aquários”, explica o professor Rubens Lopes, especialista em Oceanografia Biológica do Instituto Oceanográfico da USP. 
    Cada vez mais, esse fenômeno prejudica a biodiversidade marinha do País. “O aquecimento global também tem intensificado o deslocamento de espécies pelas correntes marinhas, assim como o lixo marinho flutuante, que pode atravessar o oceano de um continente para outro, trazendo espécies exóticas”, diz. Ele ainda lembra que, no início do século, o Brasil passou por um surto de cólera originado pelo transporte transoceânico de bactérias patogênicas por água de lastro de navios. 
    “Atualmente, o coral-sol é uma das principais preocupações, assim como o mexilhão dourado, que, embora seja de água doce, invadiu a América do Sul por água de lastro e causa grande prejuízo às usinas hidrelétricas”, diz Lopes. A espécie se prolifera muito rápido e acaba entupindo as instalações e tubulações e o custo de sua retirada é alto, além de ser necessária várias vezes ao ano.  
    “A melhor estratégia para a gestão das espécies exóticas marinhas é a prevenção, ou seja, ao invés de combater uma espécie já estabelecida, que é uma operação muito custosa e de baixa chance de êxito, o ideal é não permitir a sua chegada”, explica Lopes. 
    Para ele, políticas públicas e ações efetivas de fiscalização dos principais vetores de transporte marítimo são necessárias para o combate efetivo dessas invasões. Um caminho seria a implementação de um sistema de fiscalização ativo nos portos brasileiros, que impeça a liberação de água de lastro e a entrada de navios repletos de organismos incrustados nos cascos. 
    Parceria: Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, Instituto Oceanográfico e Instituto de Estudos Avançados
    Boletim Desvendando o Oceano
    Produção: Alexander Turra e Katharina Grisotti
    Coprodução: Cinderela Caldeira, Julia Estanislau e Tulio Gonzaga
    Edição: Rádio USP
    Você pode sintonizar a Rádio USP SP 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz, pela internet em www.jornal.usp.br ou nos principais agregadores de podcast.
    5 min
  • Desvendando o Oceano #1: O oceano está doente
    O ambiente marinho encontra-se em um processo de degradação que, no ritmo atual, trará graves consequências para a biodiversidade marinha e a humanidade, segundo Frederico Brandini, professor de Oceanografia Biológica do Instituto Oceanográfico da USP. A ampla perda de saúde do oceano provém de um processo complexo e secular, segundo o professor: "Infelizmente, mantemos uma relação de amor e, ao mesmo tempo, de desprezo pelo mar. Há séculos o ser humano usa e abusa dos seus recursos", afirma.
    A caça e a pesca intensiva de mamíferos marinhos, por exemplo, têm a capacidade de exterminar a megafauna oceânica, de acordo com Brandini. Com o avanço de grandes metrópoles pela zona costeira, como observado na região Sudeste do Brasil, o despejo de contaminantes líquidos e resíduos sólidos ameaça a biossegurança dos oceanos. "São pesticidas, combustíveis, metais pesados, remédios e resíduos plásticos despejados no mar pelo esgoto urbano e industrial ou por acidentes marítimos. E as correntes oceânicas dispersam essa poluição para regiões remotas", explica.
    Para reverter o quadro, o professor indica que a compreensão das recorrentes mudanças do oceano é essencial em uma ação coletiva. "As pessoas normalmente acham que o oceano sempre foi o mesmo e a transmissão de conhecimento entre gerações não é suficiente para mudar essa percepção", elabora.
    Além disso, Brandini sugere que "educação é o melhor, se não o único, caminho para o desenvolvimento social". A substituição de combustíveis fósseis – matrizes energéticas poluentes, mas mais baratas em curto prazo – por energia limpa depende, dentre múltiplos fatores, de uma educação ambiental básica que promova uma consciência sustentável. "Não adianta demonizar combustíveis fósseis, remédios e plásticos. Eles permitiram maior longevidade e qualidade de vida para a população humana", conclui.
    5 min

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