Dois Dedos de Cultura

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Dois Dedos de Cultura episodes

  • A história do azulejo
    Prepare-se para uma viagem fascinante ao coração da identidade portuguesa! Neste episódio, desvendamos a história de um dos maiores símbolos do nosso país: um elemento com cinco séculos de produção nacional, que é um caso único como peça decorativa e arquitetónica. Sabia que Lisboa é o seu maior expoente? Das ruas aos mais imponentes edifícios, este protagonista silencioso transforma paredes em verdadeiras galerias de arte, contando a história de uma cidade e de um país. Como é que estas peças de cerâmica, carregadas de séculos de tradição, surgiram e evoluíram?
    Para desvendar os mistérios por trás desta arte secular, mergulhe connosco numa jornada que explora:
    * As suas raízes no mundo islâmico e a sua chegada à Península Ibérica, marcando o início de uma longa história.
    * A sua fascinante evolução de elemento funcional a uma expressão artística e simbólica, passando por estilos como o Barroco e o Pombalino.
    * O período em que os artesãos se tornaram mestres, assinando as suas obras e reinventando a técnica.
    * A adoção do icónico padrão azul e branco e a sua influência global.
    * Como a industrialização democratizou o seu acesso, tornando-o omnipresente em todo o país.
    * A sua constante reinvenção no século XX, com a presença em estações de metro e assinaturas de artistas consagrados, mantendo-o vivo e relevante na nossa cultura.
    12 min
  • Belas
    Descubra uma pérola histórica a poucos passos de Lisboa, um destino surpreendente que guarda segredos de séculos. Em Belas, o tempo ganha outra dimensão, revelando uma vila discreta e elegante, tantas vezes esquecida, mas com uma alma que murmura entre pedras antigas e quintas senhoriais. Prepare-se para uma viagem fascinante por um passado que moldou o presente e que resistiu ao esquecimento.
    O que irá descobrir nesta jornada cultural?
    * A fascinante história milenar de Belas, que remonta a tempos pré-históricos.
    * A polémica decisão que desviou a linha férrea e preservou a identidade singular da vila.
    * A misteriosa Anta da Pedra dos Mouros, um monumento megalítico com inscrições ancestrais.
    * As grandiosas quintas senhoriais, com ligações à nobreza portuguesa, onde uma antiga estrada romana e tesouros de porcelana aguardam.
    * O Paço Real de Belas, palco de reis, rainhas e intrigas palacianas, que acolheu a primeira peça de Gil Vicente.
    * Jardins oitocentistas deslumbrantes com influências exóticas e azulejos que contam histórias.
    Venha desvendar os recantos de Belas e o seu inestimável legado, um convite irrecusável para quem procura o encanto da história.
    11 min
  • Mértola Cidade Museu
    Saudações a todos! Esta semana, embarcamos numa viagem fascinante até Mértola, uma vila museu no coração do Alentejo.
    * Exploramos a rica história da vila, desde os Romanos aos Mouros, passando pela Ordem de Santiago.
    * Desvendamos os segredos do criptopórtico romano, uma obra de engenharia impressionante.
    * Percorremos as ruas e admiramos a arquitetura, desde a mesquita transformada em igreja até aos vestígios romanos no subsolo da câmara municipal.
    * Contamos a lenda do Pulo do Lobo, uma cascata envolta em mistério.
    * Terminamos a nossa viagem na praia fluvial da Mina de São Domingos, um oásis de beleza natural.
    14 min
  • Convento da Flor da Rosa e a Ordem dos Cavaleiros do Hospital
    Saudações, caros ouvintes! Esta semana, em "Dois Dedos de Cultura", convidamos-vos a viajar connosco até ao Alto Alentejo para visitar o Convento da Flor da Rosa, um local onde as pedras sussurram lendas de amor, coragem e o legado dos Cavaleiros Hospitalários em Portugal. Contamos a lenda do jovem cavaleiro que adoeceu gravemente e da sua amada Rosa, cujo gesto de amor e uma flor milagrosa lhe devolveram a vida, dando nome ao convento. Falamos também de D. Gonçalvez Pereira, que em 1356 escolheu este recinto para instalar a sede da Ordem de São João do Hospital em Portugal. Caminhamos por entre as arcadas, imaginando cânticos monásticos e os passos dos cavaleiros. Destacamos Vasco Atouguia, filho do primeiro Conde de Atouguia, cuja história de amor proibido o levou a exilar-se na ilha de Rodes, sede dos Cavaleiros de São João de Jerusalém. Discorremos sobre a história desta ordem, desde a sua origem em Jerusalém até à sua presença em Rodes e, posteriormente, em Malta, onde deixaram um legado duradouro. Convidamo-vos a visitar o Crato e a percorrer o claustro do Convento da Flor da Rosa, deixando que as vozes do passado vos falem ao coração.
    16 min
  • David Melgueiro
    Olá a todos! Esta semana, em "Dois Dedos de Cultura", embarcamos numa viagem sonora pelos mares da história, focando-nos na incrível jornada de David Melgueiro, um navegador português praticamente esquecido nos anais da história.
    Descobriremos como Melgueiro, no século XVII, desvendou a temida Passagem do Nordeste, ligando o Japão a Portugal através dos gelados mares do Ártico, uma travessia que muitos consideravam impossível na época. Investigaremos porque é que este feito notável não recebeu o devido reconhecimento, contrastando com outros grandes navegadores como James Cook e Fernão de Magalhães, cujos nomes perduram em estreitos geográficos.
    Será que este esquecimento foi um lapso da história ou uma omissão intencional? Analisaremos os escassos registos e o papel de um espião francês na documentação da viagem de Melgueiro. Junte-se a nós para desvendar este mistério e homenagear um herói marítimo português.
    11 min
  • Ordem dos Templários (Ep 3)
    Saudações, caros ouvintes! Neste episódio de 'Dois Dedos de Cultura', embarcamos numa viagem no tempo pela rota dos Templários. Este é o terceiro episódio dedicado a este fascinante tema. Caso tenham perdido os episódios anteriores, convidamos a ouvi-los em podcast nas redes sociais da Rádio RCS Novo Tempo. Basta selecionar o programa 'Dois Dedos de Cultura' e escolher o episódio 1 ou 2 de 'Templários'. Também podem encontrar estes temas na plataforma Spotify.
    Recordamos que, nos episódios anteriores, explorámos a fundação da Ordem, o seu crescimento militar, económico, político e religioso, bem como a sua destruição pela ação do rei francês Filipe IV e a sua continuidade em Portugal sob o nome de Ordem de Cristo. Apesar do seu impacto, a trajetória dos Templários não esteve isenta de controvérsias, como abordámos nos episódios 1 e 2.
    Em 1307, muitos Templários foram presos e acusados de heresia por ordem do rei Filipe IV de França. Em 1312, o Papa Clemente V decretou a supressão da Ordem dos Templários em toda a Cristandade, culminando na sua extinção oficial em território português em 1319. No entanto, em Portugal, o rei D. Dinis defendeu a Ordem, protegendo-a das pressões externas. Os bens e terrenos dos Templários foram transferidos para uma nova ordem, a Ordem de Cristo, uma continuidade espiritual que reunia antigos Templários e que mais tarde deu origem a inúmeras lendas e mitos.
    Entre os historiadores, existem controvérsias sobre a influência dos Templários na fundação de Portugal e o seu papel nos Descobrimentos Portugueses. Alguns estudos defendem que a aliança templária foi crucial para o fortalecimento do reino, contribuindo para batalhas como a de Ourique, que marcou a história de Portugal e está retratada no brasão de armas da nação portuguesa.
    Falar dos Templários em Portugal é falar de Tomar, sede da Ordem do Templo desde 1160. O Castelo de Tomar, assim como outros construídos pelos Templários, são castelos mais eficazes, com nova tecnologia, castelos de vanguarda. Em Tomar, o poder desta Ordem era enorme, com o Convento de Cristo a ocupar 45 hectares. Na sua origem, no século XII, existia no cimo do monte a Alcáçova, a Torre de Menagem, a cinta muralhada que envolvia a vila de Tomar e a famosa Charola, uma peça arquitetónica única.
    Em Tomar, os métodos e inovações dos Templários moldaram a arquitetura militar. A Torre de Menagem, comum em castelos portugueses, foi uma inovação introduzida pelos Templários, funcionando como um ponto de observação, defesa e residência. Outra inovação é o alambor, uma estrutura defensiva na base das muralhas que dificultava os ataques inimigos. Na Península Ibérica não há nenhum alambor tão grande e de tanta monumentalidade como este de Tomar. Introduziram ainda o Hordício, uma proteção em madeira sobre as torres que permitia aumentar o ângulo de tiro e a eficácia dos defensores.
    O monumento, a Charola de Tomar, é o monumento templário mais bem conservado em toda a Europa. Um monumento belíssimo com pinturas lindíssimas, no seu interior. Ele é a evocação do templo de Jerusalém por parte dos cavaleiros templários. A sua construção teve como objetivo a celebração da ressurreição de Cristo e é, sem dúvida, inspirado no Santo Sepulcro de Jerusalém. Tornou-se assim um símbolo desta herança militar e espiritual.
    Continuando na rota dos Templários, temos a Torre de Dornes, também conhecida como Torre Templária, uma torre pentagonal que foi mandada erguer por Gualdim Pais, o mestre da Ordem do Templo e fundador da cidade de Tomar. Este mestre, Gualdim Pais, que foi o grão-mestre da Ordem de Cristo, foi um dos que lutou lado a lado com D. Afonso Henriques na luta pela Reconquista Cristã. Esta Torre de Dornes é uma torre de defesa e de domínio do território e de controlo do rio Zêzere que, pela sua contextualização histórica e territorial, é a maior atração turística histórico-militar de Ferreira do Zêzere. No interior desta torre encontram-se estelas funerárias templárias e o espaço possui uma abóbada de tijolo com uma inscrição. No século XVI, após ter perdido a sua função defensiva, a Torre de Dornes foi transformada numa torre sineira. É um exemplar único de arquitetura militar românica que vale a pena conhecer, não só pela sua localização privilegiada, na magnífica Península de Dornes banhada pelo rio Zêzere.
    E claro, não poderia deixar de falar do famoso Castelo de Almourol. O Castelo de Almourol está erguido numa pequena ilha do rio Tejo e ele é um dos mais emblemáticos castelos medievais portugueses ligado à memória dos Templários. Foi concluído em 1171, durante a intensa atividade construtiva de Gualdim Pais, também responsável pelo Castelo de Tomar. Apresenta características típicas da arquitetura militar templária, como uma planta quadrangular com muralhas altas, com nove torres circulares e também claro uma Torre de menagem central.
    Assim vemos que, hoje em dia, os vestígios dos Templários são incontáveis e continuam a encantar-nos. Temos um património arquitetónico como o Castelo de Tomar, o Convento de Cristo, que são testemunhos vivos de uma era em que os Templários fizeram da defesa, da inovação militar e da espiritualidade uma arte. Temos também um conjunto de lendas e de mitos, desde a associação dos Templários com os Descobrimentos, até às origens que os ligam à Maçonaria e a outras tradições. O seu legado é de facto envolto num manto de mistério que nos fascina. E temos também influência destes Templários, já tivemos oportunidade de falar disso no segundo episódio, influência no desenvolvimento do país. É evidente que a sua ajuda na Reconquista e na organização territorial, a sua criação de infraestruturas e o fomento do comércio, contribuíram para o alicerce daquilo que viria a ser a nação portuguesa.
    Em resumo, a presença dos Templários em Portugal vai muito além de recordações de um passado turbulento. Eles foram pilares fundamentais na defesa, na organização, no desenvolvimento do nosso território, deixando marcas profundas na arquitetura, na economia e também na espiritualidade do país. Ao refletirmos sobre este legado, recordamos que a história é feita de alianças, de inovações e muitas vezes de controvérsias, mas sobretudo ela revela as raízes de uma nação, que tal como os Templários, soube transformar desafios em conquistas. Obrigada por nos acompanhar nesta viagem histórica! Fiquem atentos aos próximos episódios onde continuaremos a explorar enigmas e histórias que moldaram Portugal. Até lá eu desejo uma boa semana abençoada por Deus. Até breve!
    11 min
  • Ordem dos Templários (Ep 2)
    No último episódio, iniciámos um percurso histórico com uma viagem até à ordem dos pobres cavaleiros de Cristo e do templo de Salomão, ou simplesmente à ordem dos templários.
    Recordámos a forma como surgiram e como existiu a necessidade da fundação desta ordem.
    Recordámos o seu grande crescimento militar, económico, político e religioso.
    Revivemos a sua destruição por uma ação desencadeada por um rei, o rei francês Luís XIV.
    Relembrámos também que, sob tortura, esta ordem foi alvo de quatro acusações graves que deram origem à sua extinção e que, naturalmente, são falsas.
    Estou a falar da negação de Cristo, que é completamente inadmissível, nem pensar, da negação da cruz, das práticas consentidas ou forçadas de homossexualidade e da adoração a um ídolo que, na altura, era completamente herético.
    Na realidade, todas estas acusações foram forjadas por um rei ávido de poder, que olhou para a riqueza desta ordem e que a quis para si, e por outro rei que tinha uma grande dívida para com a ordem e que não tinha como pagá-la.
    Estamos a falar de Luís XIV, é verdade.
    Caso não tenham tido oportunidade de nos ouvir, podem sempre escutar em podcast nas redes sociais da Novo Tempo ou na plataforma Spotify o primeiro episódio deste tema.
    Esta semana vamos dar continuidade à nossa viagem pelo tempo e desta vez vamos focar apenas na marcante presença dos templários em Portugal.
    É verdade, está a ouvir o programa Dois Dedos de Cultura e espero que tenha aguçado a sua curiosidade quando lhe fiz um repto na semana passada.
    Vamos, então, recordar que a ordem foi extinta em 1319, mas o nosso rei D. Dinis esperou pela morte do rei francês Luís XIV e pela morte do Papa Clemente V e obteve do novo Papa João XXII uma autorização para a criação de uma nova ordem portuguesa, que seria, basicamente, a continuação dos templários, a Ordem de Cristo, que naturalmente integrou antigos templários.
    Todo o tesouro dos templários que, temporariamente, ficou sob a guarda régia foi entregue à Ordem de Cristo.
    Também todos os saberes e todos os costumes dos templários foram recuperados e, basicamente, esta ordem manteve o mesmo nome, o que, naturalmente, originou mitos e lendas que inspiraram organizações posteriores.
    Rapidamente, as principais lendas associadas a esta ordem foram: que os templários fugiram para a Suíça e, como já eram detentores de conhecimento avançado da banca, foram responsáveis pelo sistema bancário suíço, um sistema bancário conhecido internacionalmente.
    Isto não corresponde à realidade, pois os banqueiros mais antigos na Europa eram os banqueiros italianos, que criaram o conceito de banca, e os primeiros bancos nasceram numa banca de banqueiros.
    Outra lenda que surgiu e que está associada a Portugal e ao tema dos descobrimentos é o facto de que foram os templários que suportaram as despesas dos descobrimentos, uma ideia que até faz algum sentido, uma vez que o próprio D. Henrique, o infante D. Henrique, pai dos descobrimentos, ter sido o grão-mestre da Ordem de Cristo.
    Por outro lado, ainda há uma outra lenda que associa Escócia, templários e maçonaria.
    Há quem diga que alguns dos templários, para não morrerem, fugiram e foram para a Escócia, onde continuaram os seus ritos e que foram antecessores da maçonaria.
    Mais recentemente, tive oportunidade de assistir a uma reportagem da SIC, que apontava, entre outras coisas, interesses nazis na procura dos tesouros guardados pelos templários em Portugal.
    Isto não nos espanta porque, como sabemos, Hitler era interessado por tudo o que existia relacionado com obras de arte, tendo especialistas no tema, e não me admira que eles tenham estado, de facto, em Portugal, porque há testemunha da sua presença em conjunto com legionários portugueses a esburacarem o chão da Charola, o monumento existente em Tomar, e a retirarem, bem embrulhados, objetos do local.
    Nessa reportagem fazia-se alusão a uma quantidade de túneis em Tomar e em Sintra, onde eventualmente existem tesouros dos templários.
    Tive oportunidade de referir na semana passada que muitos destes temas são lendas e temas místicos, mas aqui, no Dois Dedos de Cultura, é suportado por factos.
    A história é real e baseada em factos e não em suposições.
    Nós temos muita informação na história factual acerca destes homens e da sua presença em Portugal.
    Então, vamos lá: a presença dos templários em território nacional inicia-se antes da existência de Portugal, quando ainda éramos um condado, o Condado Portucalense, e acontece quando D. Teresa, a mãe do nosso futuro rei D. Afonso Henriques, faz a doação do Castelo de Soure em 1128, fazendo a doação a esta ordem dos templários.
    Esta doação foi, sem dúvida, um dos marcos mais emblemáticos desta aliança entre os templários e aquele que, anos mais tarde, seria o Reino de Portugal.
    Desde esse momento, os templários passaram a ser não só os nossos aliados militares, mas também verdadeiros gestores e verdadeiros impulsionadores do desenvolvimento económico e territorial do nosso reino.
    A presença dos templários foi marcada em várias áreas que vão desde contribuições militares – eles eram homens, cavaleiros treinados, bem treinados, eram muito disciplinados, com habilidades táticas refinadas, lideraram investidas e posicionavam-se nas partes mais estratégicas das linhas de fronteira, sobretudo na fronteira a norte do Tejo, onde ajudaram na reconquista cristã.
    Eles eram especialistas militares e a sua experiência na Terra Santa foi fundamental para preservar a fronteira do Tejo.
    Em 1190 já estão em Tomar, no seu grande castelo, e resistem a uma grande ofensiva de um rei do Norte de África, o rei Almançor, que no final do século XII entra pela Península Ibérica com o objetivo de reconquistar aquilo que os cristãos já tinham recuperado para si.
    Essa linha que está ali em Tomar, esse castelo, foi fundamental para evitar que essa recuperação tivesse acontecido.
    Por outro lado, temos também influência no que diz respeito à própria organização territorial do país.
    De facto, esta ordem recebeu grandes quantidades de doações de propriedades que lhe foram atribuídas, permitindo assim que a ordem tivesse um papel fundamental nesta organização.
    Depois há um tema importante: a grande nobreza portucalense enviava para esta ordem muitos dos seus segundos filhos, ou seja, os segundos filhos de famílias nobres, para que pudessem ser considerados cavaleiros e terem atos de bravura, tinham que mostrar conquista e, então, integravam as fileiras destes cavaleiros desta ordem religiosa.
    Por isso, esta ordem também ganhou grande poder económico e influência, um poder tão grande que em Portugal faziam a gestão de 10% dos 200 castelos existentes.
    Em 1210, no reinado de D. Sancho II, grande parte do tesouro real estava em Tomar, no castelo dos templários.
    Os seus castelos eram uma espécie de caixas-fortes.
    Os templários também foram responsáveis pelo domínio de rotas de comércio e pela criação do primeiro banco templário, uma vez que foram responsáveis pela criação da proteção das rotas de comércio.
    A Ordem dos Templários estabeleceu uma rede de bancos que viabilizava o financiamento de construções de castelos a igrejas.
    Além disso, os templários eram uma espécie de banqueiros, emitindo cheques de viagem em que os peregrinos, para não transportarem consigo dinheiro para a Terra Santa, levavam vales que depois descontavam na Palestina, entregando o dinheiro a troco dos vales e descontando-os quando chegavam à Palestina.
    Interessante, não é?
    Era uma forma remota de banca.
    Finalmente, tinham um apoio grandioso dos reis, que viam nos templários uma garantia de proteção e prosperidade, integrando-os na defesa e na consolidação do reino.
    Por exemplo, D. Afonso Henriques lutou lado a lado com o grão-mestre desta ordem.
    Vemos este facto na primeira dinastia e depois com a continuação na segunda dinastia com o infante D. Henrique a ser o grão-mestre da Ordem de Cristo.
    Era uma ordem que se consolidava como uma força militar, espiritual, económica e também política no jovem Reino de Portugal.
    Enfim, a presença dos templários em Portugal vai muito além das recordações de um passado turbulento com cruzados e guerras.
    De facto, os templários foram pilares fundamentais na defesa, na organização e no desenvolvimento do nosso território e deixaram marcas bem profundas na arquitetura, na economia e até na espiritualidade do país.
    Na próxima semana continuaremos a explorar estas marcas tão visíveis na cidade de Tomar, no Castelo de Almourol e na Torre de Dornes.
    Não perca esta viagem que estamos a fazer à rota dos templários.
    Até lá, eu desejo uma boa semana e as maiores bênçãos de Deus na sua vida.
    12 min
  • Marvão
    "Vê-se a Terra toda", escreveu Saramago. Neste episódio de "Dois Dedos de Cultura", Cristina Leal leva-nos a Marvão, a sentinela altaneira do Alentejo. Explore vistas deslumbrantes desde quase 900 metros de altitude, séculos de história num castelo imponente, lendas mouras e cristãs, e a tranquilidade de uma das mais belas e candidatas a Património Mundial da UNESCO vilas de Portugal.
    14 min
  • Convento do Carmo - Museu arqueológico do Carmo
    Neste episódio de "Dois Dedos de Cultura", Cristina Leal leva-nos numa visita guiada ao Museu Arqueológico do Carmo, instalado nas impressionantes ruínas do convento lisboeta. Continuando a exploração iniciada no episódio anterior, focamo-nos agora nas notáveis coleções que este espaço alberga.
    Fique a conhecer a origem do museu como um "Museu de Salvados", impulsionado pela Associação dos Arqueólogos Portugueses e pela visão de Joaquim Possidónio Narciso da Silva, dedicado a resgatar o património em risco após o terramoto de 1755 e outras vicissitudes da história.
    11 min

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