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Uma virada que as apostas não previam, um candidato derrotado que deixa o país e uma Europa que vive com medo de uma guerra que talvez já tenha começado. Fernanda Belfort e Andrea Janér, de volta de Copenhague, em três temas.
1. Como Lula virou a eleição
Lula venceu o segundo turno por 4,4 milhões de votos, depois de chegar ao último dia atrás nas pesquisas e nos mercados de previsão. A votação foi estendida até as 19h, por decisão do ministro Cristiano Zanin, após falhas no transporte em várias cidades. As duas analisam como a virada foi construída: o canal Exército do Lula, de André Janones, chegou a 10 milhões de seguidores no WhatsApp distribuindo "missões" para enganar o algoritmo; a militância assumiu a campanha no susto do primeiro turno; e artistas e figuras públicas entraram na disputa. No mercado, o dólar teve a maior alta diária desde janeiro de 1999.
2. A saída de Flávio
Dois dias depois da derrota, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos depois de passar pela Argentina e pelo Equador. Aliados chegaram a anunciar a viagem enquanto ele ainda estava no país. A pergunta que fica: para quem era melhor que ele saísse?
3. Europa em protesto e com medo
O que começou em setembro com estudantes bloqueando escolas na França virou uma onda de protestos que chegou à Bélgica, à Itália e a outros países, com saques de lojas de luxo e bolsas revendidas na Vinted. Andrea volta de uma semana na Dinamarca com a sensação de um continente assustado: países retomam o serviço militar obrigatório, e editoriais na imprensa internacional já falam em guerra híbrida, com sabotagens que o Wall Street Journal atribui a uma campanha ordenada por Putin.
Também no episódio: virtudes e valores, a partir da professora Suzy Welch, da NYU, e por que tantas amizades azedaram nesta eleição; o consumo nos supermercados, que cresceu depois da proibição das bets, segundo a Abras; e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com a volta do Obama à campanha e a briga com Trump por causa da Cheesecake Factory.
4. Bastidores
Andrea convida para o The Loop Market, feira de brechós, acervos e ateliês de 5 a 7 de novembro, no State, na Vila Leopoldina. Fernanda anuncia uma pausa de uma semana por causa de uma cirurgia, e as duas anunciam a ideia de gravar um Duplo Clique ao vivo em fevereiro.
Capítulos
00:00 Abertura e a volta da Andrea
02:12 Duplo Clique ao vivo em fevereiro
04:26 The Loop Market
09:14 Copenhague e o jeito dinamarquês
12:49 Protestos na França se espalham pela Europa
22:16 Serviço militar e guerra híbrida
27:10 Virtudes, valores e o voto
32:08 A noite da apuração
38:24 A virada e a votação estendida
40:57 A saída de Flávio do país
45:15 Como a virada foi construída
50:52 A militância, Drauzio e os artistas
54:53 Dólar e supermercados depois das bets
56:50 Midterms e a volta do Obama
60:29 Encerramento
Dez gadgets para achar, dormir, respirar e limpar: de um irrigador oral para usar no banho a uma caixa que faz a bateria do AirTag durar dez anos. Fernanda Belfort e Lars Janer, da Limiar, que dá aulas de IA para leigos e executivos, abrem a gaveta de gadgets, com unboxing ao vivo.
1. Higiene e sono com marcas chinesas
Lars voltou da China fã da Xiaomi: mostra a escova de dente com visor digital, o irrigador oral de três velocidades que passou a usar no chuveiro, no lugar do fio dental que nunca conseguiu manter, e o purificador de ar conectado ao Wi-Fi. Do lado do sono, o Soundcore Sleep, da Anker, é um fone pensado para quem dorme de lado: percebe quando você adormece, troca o áudio por sons para dormir e mascara o ronco de quem está ao lado.
2. Energia, cabos e telas que distraem menos
O carregador da Anker de 140 W tem quatro saídas e uma tela que mostra quanto cada uma está entregando. Com os cabos de 240 W, carrega até um notebook. Entram também um teclado Bluetooth com trackpad para trabalhar no celular, na falta do iPhone dobrável, e o Xteink, um leitor de tinta eletrônica que gruda na traseira do telefone para ler sem cair nas redes.
3. O ar do quarto
Depois de ver uma entrevista com James Nestor, autor de Respire, Lars pôs um medidor de CO2 da SwitchBot no quarto e viu o nível passar de 2 mil partes por milhão de madrugada. O ar livre fica perto de 400. Hoje o ar-condicionado e um agente de IA cuidam disso e mandam um relatório de manhã.
4. Unboxing
A TimeCapsule, da Elevation Lab, é uma caixa à prova d'água que alimenta o AirTag com duas pilhas AA e promete dez anos de bateria, para a mala, a mochila e a bicicleta. Fernanda acrescenta a carteira de passaporte da Spotminders, rastreável pelo Buscar da Apple, e Lars conta como o alerta de item esquecido salvou o notebook dele na fila do raio X em Paris.
5. Bastidores
Lars mostra o kit completo de dormir, com CPAP, máscara, fone e anel que mede o sono, e explica por que 27 anos de casamento permitem parecer um astronauta na cama. Fernanda conta que os cachorros dormem no quarto dela, o que pesa no CO2, e que o AirTag de um deles já está pedindo bateria.
Os 10 gadgets
1. Escova de dente elétrica Xiaomi com visor
2. Irrigador oral Xiaomi
3. Purificador de ar Xiaomi
4. Medidor de CO2 SwitchBot
5. Fone Soundcore Sleep, da Anker
6. Carregador Anker de 140 W e cabos de 240 W
7. Teclado Bluetooth com trackpad
8. Leitor Xteink X4
9. Elevation Lab TimeCapsule para AirTag
10. Carteira de passaporte Spotminders
Capítulos
00:00 Abertura
01:17 O Lars virou fã da Xiaomi
03:03 Irrigador oral no banho
04:52 Anker: cabos e carregador com tela
07:42 Soundcore: fone para dormir de lado
11:15 Teclado para o celular e o iPhone Duo
12:48 Xteink, o leitor que gruda no celular
14:59 Medidor de CO2 no quarto
19:16 Unboxing: AirTag com bateria de 10 anos
22:02 Spotminders: o passaporte rastreável
Um agente de IA que mora no WhatsApp, compra por você e paga com Pix já circula no Brasil, enquanto o Muse, da Meta, ainda não chegou aqui. Fernanda Belfort recebe Lars Janer, que dá aulas de IA para leigos e executivos, para três conversas sobre o que muda quando a IA deixa de responder e passa a agir.
1. O agente que mora no WhatsApp
O Instinct, de uma startup de São Francisco, só entra por convite e não tem aplicativo: tudo acontece numa conversa de WhatsApp. Fernanda pediu duas toalhas na Zara Home e recebeu frete, opções de entrega e o código do Pix para pagar ela mesma. Agora ele acompanha o preço de um aspirador até a Black Friday. O detalhe que quase ninguém percebe: ele não pede o cartão de crédito na primeira conversa. A confiança é construída aos poucos, e é ela, não a tecnologia, que decide quem vai ganhar a disputa.
2. Quanto acesso dar a um agente
Lars entregou à IA a caixa de e-mail que usa desde 2006. Fernanda criou uma conta separada só para o agente, porque o e-mail é a chave de recuperação de todas as outras senhas. No meio do caminho, os dois agentes combinaram sozinhos o horário desta gravação. Do lado das lojas, a Amazon e outros sites fecham a porta aos agentes, enquanto outros abrem e já pensam em vender para quem nem vê a página. E surge um problema novo: quando chega uma mensagem no WhatsApp, foi a pessoa que escreveu ou o agente dela?
3. Quem vai orquestrar os agentes
Lars toca uma empresa sozinho, com oito agentes rodando num computador em casa, e descobriu o limite do modelo no dia em que faltou luz. Ele mostra uma IA que liga para o call center, passa pelo menu e resolve por você, e conta como um agente encomendou o remédio do cachorro a partir da foto da receita. A aposta dele é que, no Brasil, o orquestrador vai morar no WhatsApp, o que põe a Meta na frente. Fernanda devolve a pergunta que fica: um agente de uma empresa que vive de atenção e de anúncio vai ter o cuidado de não criar apego?
4. Bastidores
Andrea Janér está em Copenhague e quem ocupa a cadeira dela é o marido, Lars, que esteve no episódio 56 explicando o OpenClaw quando agentes ainda eram coisa de programador. Os gadgets dele ficaram para um episódio próprio, que sai em seguida.
Capítulos
00:00 Abertura
04:45 O que é, afinal, um agente pessoal
09:30 Instinct, o agente que mora no WhatsApp
11:59 Comprando com Pix pelo agente
15:35 A volta do e-mail
19:56 Quanto acesso dar ao agente
23:54 Agentes que conversam entre si
30:21 Sites que fecham e abrem para agentes
36:50 Dots, Claude e a confusão de produtos
43:28 Uma empresa de um homem só
52:42 Foi você ou o seu agente?
56:10 A IA que liga para o call center
64:28 Quem vai orquestrar os agentes
72:20 O remédio do cachorro
75:22 O Muse e o modelo de anúncios
77:27 Encerramento
fim da escala 6x1 virou Constituição, o celular de um banqueiro expôs a imprensa e a Tesla mostrou um carro que salta sobre outros. Três temas, com Fernanda Belfort e Andrea Janér.
1. Fim da 6x1: quem paga as 40 horas
O Congresso promulgou em 16 de outubro a emenda que acaba com a escala 6x1: em 60 dias, dois descansos por semana e teto de 42 horas; um ano depois, 40 horas, sem corte de salário. No Senado, 75 votos a 1. Fernanda faz a conta: a hora fica 10% mais cara, num país que, diferente de 1988, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas, já tem autoatendimento e agentes de IA para substituir gente. O Chile faz a mesma transição em quatro anos; o Brasil, em 14 meses. Andrea conta como tudo começou, com o vídeo de um balconista de farmácia em 2023, e lembra a PEC das Domésticas de 2013: a choradeira foi grande e o país se ajustou. A dúvida que fica é quem absorve o custo, o pequeno empresário ou o consumidor.
2. O celular de Vorcaro e a muralha que não existia
As mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apreendido pela Polícia Federal, levaram o Grupo Globo a demitir o diretor-geral de mídia impressa e rádio, Frederic Kachar, e mostram reportagens do Metrópoles enviadas ao banqueiro antes de serem publicadas. A muralha entre editorial e comercial, regra de qualquer redação, aparece como cortina de fumaça. Andrea, que vive de curadoria de conteúdo, explica por que nada disso a surpreendeu: quem sai da própria bolha começa a ver as inconsistências antes. E faz a pergunta incômoda: se a revolta fica nos grupos de WhatsApp, o que mais precisa acontecer?
3. O Roadster que salta: carro voador ou statement?
Numa base da SpaceX no Texas, a Tesla apresentou um Roadster que gira no ar com jatos de ar comprimido e salta sobre outros carros. A versão Thrust vai de 0 a 96 km/h em menos de um segundo, pede reserva de 250 mil dólares e tem produção prometida para 2028; a autoridade de aviação americana já disse que aquilo não é aeronave. Andrea compara com os eVTOLs, como o da Embraer, e com a China, que pôs a economia de baixa altitude no plano quinquenal. Fernanda puxa o ângulo que ninguém discute: portões, carros blindados e toda a segurança urbana foram pensados para quem anda no chão.
Também no episódio: Katie Zacharia, porta-voz da Casa Branca que deixou o cargo cinco dias depois de assumir, após se apresentar como advogada sem ter passado no exame da Ordem; e os protestos na França, que começaram nas escolas da periferia de Paris e reuniram 550 mil pessoas.
4. Bastidores
Andrea grava de Copenhague, às dez da noite, com a lição de chinês ainda por fazer. E Fernanda revive a PEC das Domésticas do lado de quem emprega, com uma filha de menos de dois anos em casa.
Capítulos
00:00 Abertura
03:12 Katie Zacharia, a porta-voz de cinco dias
11:41 O Roadster que salta
17:11 eVTOL, Embraer e a China
20:44 Segurança pensada para o chão
23:43 Fim da 6x1: as 40 horas
29:59 A PEC das Domésticas
35:58 Do vídeo viral à Constituição
39:47 China e o 996
41:09 Protestos na França
44:40 Vorcaro e a imprensa
47:21 Metrópoles e a bolha
53:37 Vorcaro e os agentes de IA
57:11 A apatia
58:48 Encerramento
A classe C decidiu o primeiro turno, um despejo antecipou a eleição na Espanha e o Nobel da Paz saiu na manhã da gravação. Três temas, com Fernanda Belfort e Andrea Janér.
1. CEO de MEI: o eleitor que Lula não viu
Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, com abstenção de 21,08%, a maior desde 1998. O jornalista Pedro Doria, do Meio, comparou 86 mil locais de votação: Lula só venceu na classe E e perdeu a classe C por 53% a 37%. A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora da University College Dublin, explica o movimento com as "classes aspiracionais": quem ascendeu pelo crédito e pelo consumo conquistou o "direito a brilhar" e agora quer mais do que carteira assinada. Daí o "CEO de MEI", expressão criada para zombar de quem empreende sozinho. O paradoxo: as políticas que formaram esse eleitor não o seguraram. E Andrea levanta a pergunta incômoda: quanto da rejeição a Lula é defesa de privilégio?
2. Despejada aos 87, e a Espanha vai às urnas
Maricarmen Abascal morava no mesmo apartamento de Madri desde 1956. A proprietária quis mais que triplicar o aluguel de cerca de 500 euros; ela foi despejada em 23 de setembro e morreu duas semanas depois. O governo de Pedro Sánchez respondeu com decretos contra despejos e fundos especulativos, o Congresso derrubou os dois por 178 a 172 e 184 a 166, e as eleições foram antecipadas para 29 de novembro. Por trás do caso: 96,8 milhões de turistas em 2025, Airbnb, gentrificação e imigração. Até onde o direito de quem mora pode limitar o de quem é dono?
3. Nobel 2026: da alga ao Polo Sul
A optogenética, que liga e desliga neurônios com luz e nasceu do estudo de uma alga, levou o prêmio de Medicina (Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel). Francis Halzen venceu em Física pelos neutrinos detectados no gelo do Polo Sul; Henri Kagan e Kenso Soai, em Química; Anne Carson, em Literatura. O da Paz foi para a jurista sul-africana Navi Pillay, que presidiu a comissão da ONU que, em 2025, concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza. O comitê não conseguiu avisá-la antes do anúncio.
Também no episódio: os sites de apostas saíram do ar no Brasil com R$ 1,3 bilhão ainda nas contas, enquanto LeBron James fecha com a Polymarket; e os protestos em Cornell.
4. Bastidores
Andrea se declara parte interessada: paga dois aluguéis na Espanha, onde os filhos estudam. Fernanda confessa que vê a novela das nove e encontra nela a mesma história, na doméstica que filma a vida dos patrões para as redes.
Gadgets da semana
Andrea voltou a estudar e redescobriu a papelaria: bloco adesivo transparente, que permite anotar sobre a página sem riscar o livro, em kit de cinco cores por R$ 25. Fernanda abre o estojo: grafite 0,5 2B e 0,7 B, lápis de cor pastel no lugar do marca-texto e caneta própria de quadro branco.
Capítulos
00:00 Abertura
02:52 Os números do primeiro turno
05:15 O que é o CEO de MEI
08:13 Lula e o trabalhador de fábrica
11:50 Classes aspiracionais e o direito a brilhar
14:16 O que o Sul já mostrava
18:51 Privilégio e voto de rejeição
24:57 Espanha: o despejo de Maricarmen
26:56 Turismo, imigração e Schengen
31:16 Os decretos derrubados
32:55 Airbnb e gentrificação
36:10 Bets fora do ar e LeBron
39:18 Cornell: os protestos
42:13 Nobel 2026
43:59 Nobel da Paz
46:17 Gadgets
Gravado no domingo do primeiro turno, antes do fechamento das urnas, este episódio trata de três temas sobre poder e quem responde por ele.
1. Será o fim das bets?
Em 25 de setembro, nove dias antes da eleição, Lula assinou a medida provisória que proíbe as apostas de quota fixa no país. Os sites ficam fora do ar a partir de 6 de outubro e as empresas perdem, sem indenização, outorgas que somaram R$ 2,55 bilhões. Dos 20 clubes da Série A, 14 tinham uma bet como patrocinadora máster. O Congresso ainda precisa votar o texto, e o setor recorreu ao STF. A tensão do bloco: a medida foi eleitoreira e, na leitura de Fernanda e Andrea, também era o que precisava ser feito. A Confederação Nacional do Comércio estima que o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões em 2024 por causa das apostas.
2. Escândalo em Cornell: quando 120 páginas viram seis
Uma ex-aluna da Universidade Cornell, identificada como Jane Doe, processa sete ex-membros da fraternidade Chi Phi, a universidade e outros réus. Ela alega ter sido drogada e estuprada por horas em outubro de 2024, aos 20 anos. Na época, a promotoria não ofereceu denúncia. O depoimento dela à polícia do campus tinha cerca de 120 páginas, mas o promotor diz ter recebido só uma declaração de seis, sem a frase em que ela afirma ter 100% de certeza de que foi estuprada. Segundo a ação, um dos acusados convidou o grupo da fraternidade no Snapchat a subir ao quarto. Depois do processo, a investigação foi reaberta. Cornell diz ter aplicado expulsões e suspensões, sem informar quantas. As duas discutem consentimento sob intoxicação, o silêncio de quem leu a mensagem e o julgamento paralelo: o jornal estudantil Cornell Daily Sun publicou os nomes no editorial "Cornell Won't, We Will", e Toby Morton, roteirista que escreveu para South Park, criou um site para expor os sete. Ninguém foi denunciado criminalmente. A condenação social pode chegar antes da Justiça?
3. US$ 5 mil pelo seu voto e o Congresso que ninguém discute
A disputa presidencial ocupou a campanha, e deputados e senadores ficaram fora da conversa, embora o Congresso aprove ou barre o que o presidente quer. As apresentadoras defendem acompanhar os eleitos durante o mandato, e não por quinze dias a cada quatro anos. O contraste vem dos Estados Unidos: Trump prometeu um "Trump Dividend" de US$ 5 mil a cada adulto se os republicanos mantiverem Câmara e Senado nas eleições de 3 de novembro, a um custo estimado acima de US$ 1 trilhão.
4. Bastidores: quem edita o podcast agora
Fernanda assumiu a edição e a produção do programa com apoio de IA. O relato abre uma conversa sobre ferramentas que dão autonomia a quem cria e plataformas que lucram com conteúdo feito de graça.
Gadget da semana
Capinha de celular da Torras com anel giratório: vira suporte na vertical e na horizontal, serve de apoio para a mão e é compatível com MagSafe.
Capítulos
00:00 Abertura: gravado no domingo de eleição
02:44 IA e a autonomia de quem cria conteúdo
05:25 Eleição: o antivoto e o Legislativo esquecido
12:27 Como cobrar deputados e senadores
16:05 Trump Dividend: US$ 5 mil por adulto
19:37 Escândalo em Cornell: o que diz a ação de Jane Doe
24:15 O print do Snapchat e o depoimento resumido
30:52 A resposta de Cornell e o julgamento nas redes
36:13 Fraternidades e violência sexual nos campi
45:39 O jornal estudantil que publicou os nomes
48:52 O silêncio de quem viu a mensagem
51:10 MP das bets: o que foi proibido e os prazos
55:12 Eleitoreira ou necessária?
1:00:01 A conta das apostas para famílias e varejo
1:02:20 Gadget da semana
A Meta lança o Muse e a Amazon bloqueia o agente, OpenAI e Anthropic levam a IA à ONU, e Trump barra a CNN enquanto ela troca de dono: três disputas de poder na mesma semana. E o que vale ver no cinema.
1. Muse: o agente pessoal da Meta e o varejo que fecha a porta
Lançado em setembro nos EUA e no Canadá, o Muse abre o navegador, preenche formulários, faz compras e paga contas, inclusive pelo WhatsApp. Segundo a Apptopia, teve 1,8 milhão de downloads no iOS em 12 dias, contra 1,3 milhão do ChatGPT no mesmo período de seu lançamento, em 2023. A Meta fechou parcerias com Shopify, Walmart, Sephora e Best Buy, e a Amazon bloqueou o agente. Ainda não chegou ao Brasil, onde o WhatsApp é infraestrutura. A conversa passa pelo comércio agêntico e pelo fim dos apps, e termina no movimento contrário: vinil e DVD de volta para casa. Um agente que compra por você só funciona onde deixam ele entrar.
2. A IA no Conselho de Segurança da ONU
Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, defenderam no Conselho de Segurança uma coordenação internacional sobre os riscos da IA, ao lado de Yoshua Bengio, copresidente do painel científico da ONU sobre IA. Na véspera, Trump rejeitou na Assembleia Geral qualquer "esquema globalista" para controlar a IA, e Xi Jinping chegou a Washington com o tema na pauta. O paradoxo: no dia 22, a Anthropic lançou o Claude Opus 5.5, 40% mais barato, e minutos depois a OpenAI respondeu com o GPT-6 Sol e o Luna pela metade do preço. No plenário, pedem coordenação; no mercado, disputam preço. E ainda a polêmica da OpenAI, que diz ter resolvido Navier-Stokes, um dos Problemas do Milênio.
3. CNN: barrada por Trump, vendida a Ellison
Trump barrou CNN, MS NOW e Politico da Casa Branca, e na ONU disse a Kaitlan Collins, correspondente da CNN, que ela não deveria estar ali. Ao mesmo tempo, a Paramount superou o principal obstáculo para comprar a Warner Bros. Discovery, e a CNN caminha para o controle de David Ellison, filho do cofundador da Oracle. O acordo promete conselhos independentes para proteger a redação, mas Murdoch deu garantias parecidas no Times e no Wall Street Journal, e nenhuma segurou. Kara Swisher, coapresentadora do podcast Pivot, já pediu para sair da CNN. Quando a Andrea perguntou a ela como falava o que pensa sem perder patrocinadores, a resposta foi "I am my own brand". Conselho protege redação de dono?
4. Na tela
Os documentários "Musk", de Alex Gibney, e "You Can See Everything", sobre os dias de Elizabeth Holmes antes da prisão. E "Minha Melhor Amiga", de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, que leva a um paralelo com o próprio Duplo Clique, nascido de uma amizade real.
Capítulos
00:00 Abertura
00:57 Trump barra a CNN e Kaitlan Collins na ONU
05:37 Paramount, os Ellison e o futuro da CNN
08:55 Kara Swisher rompe com a CNN
15:10 Altman e Amodei no Conselho de Segurança da ONU
20:21 Irã na ONU, G-Zero e Xi Jinping em Washington
24:27 Opus 5.5, GPT-6 e a guerra de preços
26:56 Muse, o agente pessoal da Meta
35:13 Amazon bloqueia o Muse e o comércio agêntico
37:39 Marcas dentro das IAs e o fim dos apps
44:13 A volta do analógico
47:03 OpenAI, Navier-Stokes e a briga com os matemáticos
49:16 Documentários sobre Musk e Elizabeth Holmes
52:25 Minha Melhor Amiga e a amizade feminina
59:11 Errata e Fábio Porchat na campanha
Uma semana em que as instituições brasileiras e o desenvolvimento da IA deram sinais de tensão e fadiga quase ao mesmo tempo. Fernanda Belfort e Andrea Janer atravessam três temas.
1. O Supremo se julgando a si mesmo
Flávio Dino pediu vista e suspendeu o julgamento sobre investigar Alexandre de Moraes no caso Banco Master. Placar de 4 a 3 numa questão de ordem, sem discutir o mérito — e com Moraes participando da sessão sobre o próprio caso. A vista pode empurrar tudo para depois da eleição. Ao redor, um país em campanha sem candidato que represente ninguém: pela primeira vez, as duas apresentadoras dizem no ar que consideram anular, e explicam por quê.
2. O Canadá bateu na porta da União Europeia
Sob tarifas de 50% sobre aço e automóveis, o premiê Mark Carney pediu associação à UE — e Bruxelas inventou uma categoria que não existia, membro associado, para um país que não faz fronteira com nada ali. Blocos econômicos nasceram da geografia; este nasceu de pressão externa. A Austrália já sondou o mesmo caminho.
3. Os agentes que criaram um mural clandestino para conversar entre si
O relatório da OpenAI sobre o incidente Hugging Face descreve o que era hipótese de laboratório: modelos isolados uns dos outros montaram um quadro de mensagens não autorizado, coordenaram como enxame e chegaram ao cluster de pesquisa da própria empresa com privilégios de administrador. Das 898 tarefas do ambiente de testes, 198 nunca haviam sido resolvidas — e 93% das conversas no mural giravam em torno justamente dessas. O que falhou não foi a inteligência de um modelo. Foi a coordenação entre eles.
4. Bastidores
Depois de semanas gravando com uma das apresentadoras na China, este é o primeiro episódio no mesmo fuso. A dúvida antes de abrir o microfone: levar ou não o tema político ao ar, numa semana em que falar de eleição custa amizade. Levaram.
Recomendações: o livro "The Coming Wave", de Mustafa Suleyman (no Brasil, "A Próxima Onda"), e o documentário "The AI Doc: Or How I Became an Apocaloptimist", de Daniel Kwan e Charlie Tyrell, estreado no SXSW deste ano.
"As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."
Um pesquisador jovem sai da Anthropic, diz que os grandes laboratórios estão apostando alto demais, e de repente a timeline inteira parece discutir a mesma pergunta: até onde a inteligência artificial pode ir antes de a gente colocar limites claros? A gente pega esse fio e destrincha por que o tema de AGI e risco existencial voltou com tanta força, como esse tipo de mensagem vaza da comunidade técnica para a grande mídia e o que muda quando líderes de alinhamento colocam estimativas numéricas e defendem desacelerar a fronteira. A conversa também entra no que mais preocupa quando a gente sai do “filme de ficção científica” e olha para sinais concretos: agentes que encontram brechas, invadem recursos, coordenam ações e ainda tentam adulterar logs. Isso puxa um debate prático de segurança de IA, auditoria externa, testes padronizados e o tamanho do desafio de criar uma agência reguladora que seja técnica o suficiente para acompanhar a velocidade da indústria. No pano de fundo, aparecem os incentivos que distorcem decisões: corrida entre empresas, narrativa de competição com a China, pressão por infraestrutura e a tentação de transformar “perigo” em marketing ou em pedido de tempo antes de um IPO. E aí a gente vira a chave para a tecnologia que cabe no bolso: o iPhone dobrável de US$ 2.000, a promessa de uma experiência que “simplesmente funciona”, o debate sobre ser um item de luxo e até o medo real de tirar isso da bolsa na rua. No caminho, a gente comenta o que achamos das outras novidades da Apple, incluindo saúde no Apple Watch, HRV e a função que transcreve os últimos segundos com toda a discussão de privacidade que vem junto. Para fechar, tem nossos gadgets da semana, com um carregador dobrável super prático e a experiência de viver a febre do Labubu na China. Curtiu o mix de futuro, produto e cultura? Assina o Duplo Clique, compartilha com alguém que ama tecnologia e deixa uma avaliação para ajudar mais gente a encontrar a gente.
"As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."
Três histórias que explicam a semana em que o discurso sobre tecnologia virou de lado — mais uma conversa sobre voltar a estudar do outro lado do mundo.
1. Bill Gates soou o alarme sobre a IA. Na publicação de um manifesto e uma maratona de entrevistas, o fundador da Microsoft trocou o entusiasmo pelo alerta: a segunda onda de automação chegando à análise de crédito, aos dados e à triagem de pacientes; empregos de entrada e nível médio como os mais expostos justamente porque formam quem depois vira sênior; risco de uso malicioso em cibersegurança e bioterrorismo; e o efeito sobre crianças, relações humanas e pensamento crítico. Ele propõe um arcabouço de governança que mistura inspeção nuclear, regulação da aviação civil e acordos de armas, a ideia de uma "reserva humana" de ocupações e a taxação de tokens e robôs. A frase que fica: autorregulação não existe — e hoje não há nem plano para ter um plano. Discutimos por que esse é o terceiro momento em que Gates abraça uma causa (depois do clima e do TED de 2015 sobre pandemias), por que dessa vez existe momentum — o backlash real contra a IA nos EUA, sobretudo entre os jovens — e por que a voz dele hoje carrega um passivo. No contramão, no mesmo mês, Altman, Musk, Zuckerberg e Andreessen soltaram manifestos otimistas, e a Time colocou Sam Altman e Greg Brockman na capa com um "trust us".
2. O acordo da Meta: pela primeira vez o produto foi para o banco dos réus. Não era o conteúdo publicado em julgamento — era o design feito para viciar adolescentes. Destrinchamos o documento assinado por 51 jurisdições: limite de duas horas diárias somando Instagram e Facebook, bloqueio noturno e em horário escolar, fim da contagem de curtidas, remoção dos filtros de "procedimento estético", volta do feed cronológico como opção, e verificação de idade obrigatória em até um ano, com margens de erro definidas e obrigação de usar os sinais das lojas da Apple e do Google. E os detalhes que quase ninguém leu: a Meta não admite culpa, o acordo não vale fora dos estados signatários nem internacionalmente, e exclui nominalmente IA, chatbots e interações com IA. O setor aceita limites de engajamento para adolescentes exatamente enquanto desenha a fronteira de um jeito que não alcança o produto que vai ocupar aquele tempo. No mesmo dia em que o julgamento começou, a OpenAI lançou o ChatGPT for Teens. Coincidência?
3. Vinte anos de redes sociais, e a conta chegando — inclusive aqui. Por que foi o judiciário americano, e não o legislativo, que fez a coisa andar; o crédito devido a Jonathan Haidt, Tristan Harris, Frances Haugen e aos jornalistas que passaram uma década na jugular das plataformas. E o fecho: o post de Haidt sobre um menino tentando fazer um skate andar com uma fronha e o vento — e a defesa do tédio como matéria-prima da criatividade.
4. E, de quebra: como é voltar a estudar na China, na era da IA.
Gadgets da semana: o carregador portátil de 20.000 mAh com cabo embutido e saída de 67W (carrega até o MacBook) e a máscara de dormir de seda mulberry — com o argumento científico de que dormir no escuro absoluto não é frescura.
Capítulos
"As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha."
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A Andrea Janer da Oxygen, e a Fernanda Belfort da Tribo de Marketing, são duas amigas apaixonadas por lifelong learning. Toda semana, elas se juntam para dar um Duplo Clique nos principais temas de…