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Ao acordar de madrugada temos tendências a tecer estranhas teias de ideias que se encadeiam como um emaranhado sem sentido, mas que, afinal, até tem algo de razoavelmente razoável. Foi assim neste dilúculo. Perante a perspetiva em ter de fazer um episodio e se ter esgotado o stock de paleio (a festa de aniversário foi dura e andamos meio azamboados logo estamos perdoados por ainda não termos voltado à carga) pensava no «L’Étranger» de Camus, que me levou ao “Killing an Arab” dos The Cure, e, da cura à desgraça foi um passo. Este episódio, sem conversa e muita música, é dedicado às vítimas não só do recente terramoto que abalou a Síria e a Turquia, mas também aos que sofrem na pele a fatalidade da indiferença e desconfiança pela diferença (que serve de mote para a abertura do episodio). Fazer um episodio com cinquenta e cinco minutos de silencio poderia, talvez, ser o apropriado (e até podíamos lá botar pelo meio os 4'33’’ do John Cage em versão grind core só para quebrar a monotonia) mas fazemos nossas as palavras do poeta Raouf Reda Habib: “Deem-me um livro [ou música, dizemos nós] e poderei mudar o mundo, deem-me uma arma e não haverá mundo para mudar.”
By Jerónimo Mateus, Rui Pelejão e Miguel NewtonAo acordar de madrugada temos tendências a tecer estranhas teias de ideias que se encadeiam como um emaranhado sem sentido, mas que, afinal, até tem algo de razoavelmente razoável. Foi assim neste dilúculo. Perante a perspetiva em ter de fazer um episodio e se ter esgotado o stock de paleio (a festa de aniversário foi dura e andamos meio azamboados logo estamos perdoados por ainda não termos voltado à carga) pensava no «L’Étranger» de Camus, que me levou ao “Killing an Arab” dos The Cure, e, da cura à desgraça foi um passo. Este episódio, sem conversa e muita música, é dedicado às vítimas não só do recente terramoto que abalou a Síria e a Turquia, mas também aos que sofrem na pele a fatalidade da indiferença e desconfiança pela diferença (que serve de mote para a abertura do episodio). Fazer um episodio com cinquenta e cinco minutos de silencio poderia, talvez, ser o apropriado (e até podíamos lá botar pelo meio os 4'33’’ do John Cage em versão grind core só para quebrar a monotonia) mas fazemos nossas as palavras do poeta Raouf Reda Habib: “Deem-me um livro [ou música, dizemos nós] e poderei mudar o mundo, deem-me uma arma e não haverá mundo para mudar.”