Neste episódio do El Camino Largo, eu recebo alguém que ocupa um lugar muito especial na minha história: Anderson Okamura. Quando eu cheguei do Uruguai ao Brasil, há cerca de 15 anos, eu estava cheio de ambição, disposto a dar tudo de mim, mas ainda tentando entender como organizar minha vida. O Anderson foi uma das primeiras pessoas que me acolheu de verdade. Trabalhamos juntos por muitos anos, atravessamos fases intensas, duas aquisições, mudanças culturais profundas e um crescimento acelerado que exigia maturidade diária. Hoje, sentar para conversar com ele é revisitar um capítulo fundamental da minha formação como profissional e como pessoa.
A conversa começa falando sobre aquilo que, para mim, é o maior desafio dentro de qualquer empresa: gente. Vivemos choques culturais entre diferentes controladores, pressões por resultado, ritmos quase desumanos e transformações estruturais pesadas. E em todos esses momentos, o ponto central sempre voltava para cultura, comunicação e liderança.
Falamos sobre o papel do líder que sabe conversar com o time, que não centraliza informação, que compartilha contexto e cria um ambiente onde as pessoas se sentem parte da solução. Um líder não tem todas as respostas. Mas pode criar espaço para que as respostas apareçam. Para mim, liderança tem muito de docência: plantar sementes, preparar a terra e se orgulhar quando alguém do time cresce, evolui e até supera você.
Também falamos sobre algo pouco romantizado: liderar é descer para a operação quando necessário. Não como performance, mas como exemplo. Entender o processo, estar próximo da realidade, ganhar perspectiva. E talvez o ponto mais forte da nossa conversa seja este: assumir o erro. Admitir que errou não diminui um líder. Pelo contrário, constrói confiança. A fantasia do líder perfeito não se sustenta na vida real.
Entramos em um debate importante sobre microgerenciamento e profundidade. Eu sempre senti a necessidade de entender os detalhes do processo para fazer perguntas melhores e identificar gargalos. Mas como fazer isso sem virar o gargalo? A resposta passa por formar pessoas no longo prazo, evitar a armadilha do “deixa que eu faço” e construir cultura. Falamos de Kaizen, PDCA, causa raiz e da importância de focar no processo, não apenas na meta. Meta é direção. Processo é o que sustenta o caminho.
A conversa também se amplia para o mundo atual. Discutimos como muitas habilidades técnicas estão sendo rapidamente automatizadas por ferramentas e inteligência artificial. O que permanece como vantagem competitiva é o que é humano: comunicação, linguagem, visão sistêmica, empatia, capacidade de traduzir o complexo em simples.
Em um momento mais pessoal, eu compartilho minha própria virada de percepção. Durante muito tempo, inteligência para mim significava avançar no jogo corporativo, subir degraus, alcançar status. Hoje, inteligência passa pela capacidade de sonhar a vida que eu quero viver e ter coragem de executar essa visão. Questionar a “cenourinha mental” do cargo, do carro, do crachá e entender se aquilo ainda faz sentido.
Falamos também da crise dos 40, da paternidade, da importância da autonomia das crianças e do desafio de criar discernimento em um mundo saturado de estímulos digitais. A tecnologia facilita, mas também pode engolir presença, tempo e atenção.
No final, a conversa se transforma em gratidão. Gratidão por ter tido alguém ao meu lado quando eu errava, por ter vivido uma amizade que atravessou fases e decisões difíceis. Porque existem coisas que ninguém pode fazer por você, mas saber que você não está sozinho muda completamente o peso da caminhada.
Se algo dessa conversa fizer sentido para você, compartilhe com alguém. Esse projeto nasce do desejo de plantar sementes e apoiar crescimento humano.
Nos vemos no próximo episódio.
🎙 Host: Ernesto Maceiras
Instagram: @emaceiras / @elcaminolargopodcast
LinkedIn: in/ernestomaceiras
Site: emaceiras.com
🎙 Convidado: Anderson Okamura
LinkedIn: in/kaizen4life/